CRÍTICA: PROJETO GRANDES VOZES- GIOVANNA CASOLLA NO THEATRO SÃO PEDRO/ 13/09/2011

 Vários sopranos e tenores internacionais famosos e no auge vocal se apresentam no Brasil. Exigem hotéis de luxo e pianista próprio, quando não uma orquestra e um monte de frescuras. Cantam um repertório fácil, três ou quatro árias, muitas vezes com microfone e se mandam com a grana no bolso. O público aplaude de pé, brasileiro aplaude tudo de pé  e sai falando pros amigos , com um orgulho estampado na cara que viu alguém famoso. Hoje em dia virou moda se mostrar culto, as pessoas querem exibir uma erudição que poucos tem. Dizem que viram isso e aquilo só para contar uma vantagem aos amigos. Muitos tiram uma pestana durante a apresentação, aplaudem e saem dizendo que entenderam o espírito de Hamlet. Um colega meu, que pouco entende de inglês, se vangloria de ter lido a obra Ulisses de James Joyce, no original.  
   Giovanna Casolla poderia ter feito o mesmo que seus colegas. Cantado umas árias moleza de seu repertório , seria aplaudida e  tiraria fotos com todos sorrindo. Não foi o que aconteceu. O grande soprano italiano aceitou o desafio e emendou árias de sete óperas. Você leu certo amigo, sete grandes óperas. Sua voz é de uma potência explosiva, atômica e de uma extensão única. Dramática e penetrante. Seu timbre é escuro e consistente, sua técnica impecável. Dicção e fraseado perfeitos, grande diva.
   O árduo repertório começa com Cavalleria Rusticana de Mascagni, passa pelo Don Carlo de Verdi, com a ária O Don Fatale magistralmente interpretada. Cilea nos brinda com seu Andrea Chenier , um final emocionante. Quase morremos no Suicidio da Gioconda de Ponchielli . Depois de tudo isso só um intervalo para assimilar tamanha qualidade vocal. Puccini e sua Vissi d'arte , La Forza del Destino e Aida, todas interpretadas com uma dramaticidade vocal e cênica que só uma grande cantora, com voz grande e consistente em todos os registros pode fazer. 
   Poucos sopranos aceitariam encarar esse duro repertório em um recital, Giovanna Casolla o fez e não se intimidou. Acompanhada pelo competente pianista Anderson Brenner e pelo tenor Richard Bauer. O tenor mostrou uma voz com bons agudos  e um belo timbre. Suas intervenções no Andrea Chenier e Il Guarany demonstram bravura e maestria. Defendeu as demais árias e duetos com Giovanna Casolla de maneira correta e inspiradora, embora tenha sido encoberto algumas vezes pelo soprano.
  O Grandes Vozes esta no seu sexto ano, já o acompanho há alguns. Posso afirmar que o recital de Giovanna Casolla foi um dos melhores que assisti nesse projeto. Cantora com sólida carreira internacional e que nos brindou com sua voz única. Grande jogada trazê-la para o aconchegante theatro São Pedro. Aguardo com ansiedade o concerto da Maria Bayo nesse mesmo teatro e temos ainda a ópera Rigoletto no Municipal de São Paulo, é muita coisa boa para uma semana só. Haja emoção! 
Ali Hassan Ayache

Comentários

  1. Ali,
    Muito interessante esta sua crítica. O soprano Giovanna Casolla é, de facto, de qualidade elevada. Fico satisfeito por saber que o tenor Richard Bauer esteve bem. Ele foi residente há pouco tempo no nosso teatro nacional de ópera (Teatro de São Carlos, Lisboa) e teve prestações em geral fracas. NNão deixou saudades, apesar de o nosso teatro estar em crise nos últimos anos, com frequentes espectáculos de má qualidade.

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  2. Prestações fracas Sr. Fanático? O Richard só cantou o Rigoletto, muito bem cantado diga-se de passagem.Cantou um memorável Trovatore no Porto e seu Otello foi muito bem falado em Lisboa. Aliás, o senhor pode conferir todos os vídeos no Youtube.No Teatro São Carlos só não realizou mais, pq infelizmente a direção não cumpriu o tratado, e isso todo mundo do meio já sabe...Talvez por disperdiçar bons artistas como o Sr.Bauer o teatro esteja em crise nos últimos anos e oferecendo apenas espetáculos de má qualidade. Da maneira como tratam as coisas,quem não deixa saudades é o Teatro São Pedro. Aliás, Sr. Fanático,"em que" o Sr é fanático? Em falar mal? Há algum trabalho seu ou do geógrafo,q possamos conferir e avaliar, p/podermos então dar a devida crítica,seja boa ou ruim? O senhor tem algum talento? Em terra onde um semi-analfabeto cumpre dois mandatos de presidente e um palhaço completamente analfabeto se elege deputado, qualquer um pode ser crítico de ópera não é mesmo?

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  3. Corrigindo, quem não deixa saudades é o Teatro São Carlos.

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  4. Caro FanaticoUm, sem querer polemizar de modo deliberado, concordo com as considerações tecidas relativamente a Richard Bauer. Estive presente nesse Trovador, levado à cena no Coliseu do Porto em 2007 e posso afiançar-lhe que o tenor foi claramente o elo mais fraco. Existe um vídeo no YouTube com Bauer e o soprano brasileiro Adriane Queiroz no dueto que finaliza o primeiro acto de Il Guarany, no qual a prestação do tenor beira o inaceitável nas páginas iniciais. Creio que tal estado é representativo do nível global das suas prestações em Portugal, facto que terá acarretado a sua dispensa das produções de Tosca e Os Contos de Hoffmann. Conquanto seja sempre desagradável a publicitação de um parecer negativo, estou em crer que Richard Bauer, à semelhança de muitos dos intérpretes líricos contratados pela desastrosa administração Dammann, demonstrou estar num patamar inferior ao mínimo exigível para um teatro como o São Carlos.

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  5. Gostei dos solistas e muito, também do pianista, excelente.

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  6. Reafirmo o que escrevi. As interpretações que ouvi a Richard Bauer no Teatro de São Carlos em Lisboa foram muito fracas. Por isso foi dispensado de interpretar outras óperas. Não o ouvi no Porto mas, pelo que Hugo Santos escreve, devem ter sido idênticas às de Lisboa.
    Fico satisfeito por saber que no Theatro São Pedro esteve bem.
    E lamento o tom incorrecto e mal educado de Pin up.

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  7. Pessoas frustradas! É assim que inicio o meu comentário ao que estão a fazer com este jovem tenor! Fanatico e Hugo Santos, não sei qual é o significado disso. Mas eu estive no Coliseu do Porto e vi este bravo tenor, cantar o trovador e tenho gravação particular e sem duvida o elo fraco daquelas apresentações foi o baritono Igor Morosow!! E tenho em mãos o recorte do jornal da critica, escrito pelo nosso Frnando C. Lapa, deles vão tambem discordar? Palavras do nosso grande musicista:A juventude do tenor Richard Bauer de voz grande e poderosa, marcou tambem excelente presença. Assisti tambem ao Rigoletto em Lisboa que me agradou muito, visto que hoje não temos tenores que encham o teatro com a voz! Se ele tem que trabalhar para melhorar, todos os outros tambem teem, porem, é descabida a forma com que voces veem aqui a querer difamar o jovem! Voz bonita, bonito como presença, se move bem, musical, o restante vem com o tempo. Agora cá pra nós oque sabe o Hugo sobre o Guarani??? Esta opera pouco se faz, então como avaliar, e depois do teu comentario fui pesquisar no youtube o maximo sobre esta opera. E lá tem oq? dois trechos da apresentação ao vivo do Pl[acido Domingo oitavando agudos que o Bauer sustenta bravamente e os trechos dele são realmente bons, levando em conta as dificuldades que apresentam estas paginas! Ah façam me o favor, de facto, o São Carlos que não aproveitou melhor o gajo, e voces ficam a atirar pedras à ele??? Oq aconteceu depois com Tosca, Contos de Hoffmann, melhor qu ele não tivesse feito, pois quem viu como eu, os tenores a substituir a qualidade vocal do bauer estiveram mesmo aquém! Como um tenor velho e sem voz na Tosca, que não me lembro agora o nome, tão pouco o Sergey sei lá o que no Contos. Sem falas de montagens horriveis, direçoes absurdas, ele fez foi bem em se retirar ou sei lá oq!
    Jorge da Silva jorgedasilva00@yahoo.com

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