SOBRE QUANDO ASSISTI AOS MENINOS CANTORES DE VIENA EM UBÁ! CRÔNICA DE ISAAC CARNEIRO VICTAL NO BLOG DE ÓPERA & BALLET.


Tristes notícias todo o Brasil recebe atualmente dessa cidade mineira, devastada por chuvas que arrasaram o centro da cidade! O mesmo pode-se dizer da minha Juiz de Fora, onde como recentemente desabafou a prefeita para o presidente, um dos nossos cartões postais, o Morro do Cristo, quase perde seu monumento ao Cristo Redentor descendo morro abaixo! Um deslizamento de terra no topo desse acidente geográfico manchou de lama o também conhecido "Morro do Imperador", destruindo e matando o que estivesse no caminho. Muito perto de onde se deteve a avalanche fica o colégio Academia de Comércio, patrimônio histórico da cidade, onde eu estudei. A situação é ainda pior nos bairros mais humildes, devido a fragilidade das construções, a maior chuva da história de Juiz de Fora causou ainda mais estragos entre os menos favorecidos!


O dilúvio foi ainda mais devastador em Ubá. O calçadão central alagou e quase todo o comércio teve perda total. Boa parte do lugar está sem luz e sem água. Na última noite a Rede Globo apresentou seu principal telejornal direto do sopé do Morro do Imperador em JF, no bairro Paineiras, onde morei por um tempo com um tio, que atualmente é vice prefeito de São Geraldo, cidade nas vizinhanças de Ubá e no qual eu não votei, pois não voto em candidatos bolsonaristas, mesmo se forem da minha família.

Em 1993 assisti ao primeiro concerto de música clássica da minha vida em grande estilo, em Ubá! Morava por lá com meus pais na época. Anunciaram com muita pompa nos jornais, nas rádios, os Meninos Cantores de Viena, mais famoso e tradicional coral infantil do mundo! Encheram a igreja matriz de gente, providenciaram telões para quem ficou do lado de fora pudesse assistir, foi um acontecimento.

Toda aquela gente simples do interior de Minas, após uma primeira parte recheada de versões com letra das valsas de Strauss, ficou simplesmente escandalizada quando, após o intervalo, apareceram no altar da igreja matriz do Rosário, os meninos maquiados, com perucas, saias rodadas e cheias de babados e fru frus, transformados em lindas garotas, para interpretar os personagens femininos de uma certa opereta vienense, que eu na minha inexperiência desconhecia qual era. Remonta à antiga usança de utilizar mancebos e castratos para interpretar personagens femininos. Para mim foi uma noite inesquecível, me apresentaram a música clássica e o travestismo ao mesmo tempo!

Nessa época, graças à uma iniciativa chamada "Concertos de Vinólia", uma empresa de perfumes, com organização da Dell' Arte, levou grandes orquestras como a Filarmônica de São Petersburgo e a Filarmônica de Moscou para apresentações em várias cidades brasileiras, inclusive em Juiz de Fora! Dizem que o então presidente juiz forano Itamar Franco, não posso confirmar isso, fez a Filarmônica de Moscou tocar em Juiz de Fora. Gravaram inclusive discos ao vivo por aqui. Eu tenho um da Filarmônica de São Petersburgo, dirigia por Mariss Jansons, registrado ao vivo em concerto multitudinário na praia de Copacabana no Rio e na Praça de Estação em BH. Lançaram também outro CD com a Filarmônica de Moscou se apresentando no campus da Universidade Federal de Juiz de Fora, sob regência de Vassily Sinaisky.

Reportagem da Rede Globo fala em 117 músicos de Moscou tocando em Juiz de Fora em 1993. Desde a pandemia nenhuma orquestra do nível dessas de Moscou ou São Petersburgo, essa última uma das melhores do mundo, se apresentou no Brasil. Agora ainda tenho que ver minha cidade e meu estado ficando conhecidos como lugar onde acontecem desastres e tragédias!

Isaac Carneiro Victal

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