De tempestades do século XVIII a John Wick: por que As Quatro Estações continua tão atual 300 anos depois
Pássaros, tempestades, calor, frio, festas, caçadas. Antonio Vivaldi transformou sons e sensações da natureza em música em As Quatro Estações, uma das obras mais reconhecidas do repertório de concerto. Três séculos depois, a composição continua atravessando linguagens e gerações, presente das salas de concerto ao cinema. Em setembro, o público paulistano poderá ouvir o ciclo completo na temporada que a UNIOPERA realiza de 21 a 24, às 20h, no Teatro Bradesco, com a violinista Carolina Kliemann como solista. A montagem terá ainda as participações especiais da violoncelista Maria Luísa Cameron e da cravista Helena Montanha, e direção artística de Kleberson Buzo.
Escritos no início do século XVIII, os quatro concertos levam para dentro da partitura o canto dos pássaros, a chegada de uma tempestade, uma celebração camponesa e o frio do inverno, cenas traduzidas por diferentes movimentos, ritmos e sonoridades. Publicados em 1725, os concertos foram acompanhados de sonetos que descrevem as cenas retratadas musicalmente, reforçando o caráter narrativo da composição.
Veneziano, violinista, compositor e sacerdote, Antonio Vivaldi (1678–1741) ficou conhecido como Il Prete Rosso, o “Padre Ruivo”, por causa da cor de seus cabelos. Ao longo da carreira, escreveu centenas de concertos e exerceu influência sobre outros grandes nomes da música, entre eles Johann Sebastian Bach, e sua presença ultrapassa as salas de concerto: poucas obras de seu repertório ganharam uma vida tão extensa na cultura contemporânea quanto As Quatro Estações.
O cinema é um bom exemplo dessa permanência. A música de Vivaldi já foi usada para contar histórias tão diferentes quanto o romance de Uma Linda Mulher (1990), uma aventura de James Bond em 007 – Na Mira dos Assassinos (1985), o drama de Retrato de uma Jovem em Chamas (2019) e o universo de ação de John Wick 3 – Parabellum (2019).
A diversidade dessas cenas ajuda a revelar uma das características que mantêm As Quatro Estações tão presente. A mesma composição pode acompanhar romance, suspense, contemplação ou ação sem perder sua identidade. A música escrita para representar fenômenos da natureza no século XVIII continua capaz de criar tensão, movimento, atmosfera e emoção diante de imagens produzidas centenas de anos depois.
Para o maestro Luciano Camargo, fundador da UNIOPERA, a capacidade de assumir novos significados sem perder sua identidade é parte da força da composição. “Há obras que pertencem ao seu tempo e há aquelas que continuam encontrando novas maneiras de conversar com cada época. As Quatro Estações tem essa vitalidade. Vivaldi transformou sensações, movimentos e imagens em música de uma maneira tão poderosa que continua despertando reconhecimento mesmo em quem nunca entrou em uma sala de concerto. É uma obra que atravessa o tempo sem envelhecer”, afirma.
Na temporada da UNIOPERA, o público poderá acompanhar os quatro concertos que formam o ciclo, interpretados pela Orquestra Acadêmica de São Paulo. As apresentações acontecem nos dias 21, 22, 23 e 24 de setembro, sempre às 20h, no Teatro Bradesco.
Sobre a UNIOPERA
A UNIOPERA (Associação Coral da Cidade de São Paulo) é uma entidade não-governamental sem fins lucrativos dedicada à difusão da ópera, da música de concerto e do canto coral. São mais de 20 anos de tradição, realizando montagens nas principais salas de espetáculo no estado de São Paulo. Desde 2016 realiza regularmente temporadas de concertos sinfônicos e óperas no Teatro Bradesco, em São Paulo.
Desde sua fundação, em 2002, mais de 2 mil pessoas já tomaram parte do Coral da Cidade de São Paulo e de seus cursos de teoria musical, solfejo e técnica vocal, oferecidos gratuitamente para participantes de todas as idades, profissões e interesses. A entidade, constituída juridicamente desde 2009, possui atualmente centenas de associados e participantes de suas atividades artísticas e formativas.
A UNIOPERA é pioneira em produções independentes na área da música de concerto e ópera, e realiza espetáculos de grande porte fora do circuito convencional, com a participação voluntária por meio de um coral comunitário, inspirado no modelo da “Wiener Singverein” (União Vienense de Canto).
Serviço:
As Quatro Estações - Antonio Vivaldi
Temporada: de 21 a 24 de setembro de 2026, às 20h
Orquestra Acadêmica de São Paulo
Solista: Carolina Kliemann (violino)
Participações especiais: Maria Luísa Cameron (violoncelo) e Helena Montanha (cravo)
Teatro Bradesco
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Realização:
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