TEATRO AMAZONAS DE MANAUS E TEATRO DA PAZ DE BELÉM HUMILHAM SÃO PAULO E VIRAM PATRIMÔNIO MUNDIAL DA UNESCO. ARTIGO DE ISAAC CARNEIRO VICTAL NO BLOG DE ÓPERA & BALLET.
Embora no que tange à temporada de concertos sem dúvida a capital paulista não tem rival nacional, esse dois palcos históricos situados no norte do país, além de sediarem os melhores festivais de ópera que existem no Brasil, mereceram uma distinção que nenhum imóvel paulista jamais recebeu, o tombamento como patrimônio da humanidade.
Tal distinção garante aos laureados propaganda eterna grátis de ambos teatros mundo afora e remessas em dinheiro da ONU.
Por isso em todos os países civilizados a conservação do patrimônio histórico é levada à sério, exceto em São Paulo. Fiz uma tabelinha bem ilustrativa, leiam a seguir
Centro histórico de Paris mais as ampliações de Haussmann, mede 52 km quadrados de arquitetura antiga contínua, se tirarmos o Bois de Boulogne e o Bois de Vincennes.
Centro histórico de Madrid mais as ampliações do Plano Castro do Século XIX, 23 km quadrados de arquitetura anterior aos primeiros anos do século XX preservada.
Centro histórico de Roma, Fórum Romano, Vaticano mais os 22 Rioni, que constituem os limites da cidade até o século XIX e representam a área tombada pela UNESCO, 20 km quadrados.
Barcelona centro medieval e renascentista mais as expansões do plano Cerdá, 15 km quadrados.
Buenos Aires teria quase 15 km quadrados de arquitetura histórica contínua se somarmos seu microcento aos bairros adjacentes, mas a UNESCO não tombou a capital portenha por que permitiram a construção de vários arranha-céus modernos os argentinos no centro antigo.
São Petersburgo tem também 15 km quadrados de área construída ocupada por edifícios antigos, sem falar em parques, praças e avenidas de até 60 metros de largura.
Várias grandes cidades europeias tem uma concentração de prédios históricos que somam por volta de 10 km quadrados, a saber Viena, Milão, Lisboa, Budapeste e Praga. O maior centro histórico tombado pela UNESCO nas américas é o da Cidade do México, possuiu igualmente cerca de 10 km quadrados, o segundo lugar é uma outra mexicana, Puebla, mede 7 km quadrados a área tombada pela UNESCO.
A maior quantidade de imóveis tombados no Brasil fica no Rio de Janeiro, mas é uma área descontínua de apenas 4,5 km quadrados, rasgada no meio por avenidas como a Presidente Vargas e invadida por espigões modernos.
Os centros históricos tombados pela UNESCO em Ouro Preto, com 1,2 km quadrados de área construída, Pelourinho com 0,8 e São Luís do Maranhão com 0,6 parecem minúsculos em comparação. Em Recife, a área tombada pelo IPHAN mede 0,9 km quadrados.
Agora caiam para trás, pelos critérios internacionais da UNESCO, São Paulo tem ZERO áreas de arquitetura histórica preservada contínua, sem reconstruções ou intrusos.
Isaac Carneiro Victal.

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