MAESTROS AUTORITÁRIOS NÃO SÃO MAIS ACEITOS NOS TEMPOS ATUAIS. ARTIGO DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA & BALLET.
violinista-Robinho-Carmo
Antigamente era obrigatório que o maestro fosse autoritário, gritasse com os músicos e reclamasse de tudo. Todos aceitavam sem contestar. Conheci muitos assim pessoalmente.
Os tempos atuais não permitem mais esse tipo de postura, a evolução da sociedade faz com que o tratamento com o próximo tem a obrigação de ser respeitoso em qualquer função que ele exerça.
O violinista Robinho Carmo desistiu da apresentação no dia 09/08 com a Orquestra Sinfônica de Heliópolis no Teatro Baccarelli. O mesmo iria solar o Concerto para Violino de Felix Mendelssohn.
Robinho Carmo é prata da casa do Instituto Baccarelli e atualmente é integrante da Orchestre National de Lyon, na França.
O problema todo é que o regente Ira Levin, que já tem um histórico de encrencas com músicos em diversos teatros, desrespeitou o solista.
É possível e saudável a um regente impor autoridade sem assédio moral. Não é preciso gritar e rebaixar o músico em frente a todos os colegas, não é necessário dar um pito na orquestra aos berros.
Nos dias de hoje regente de temperamento forte que se controle, músicos não aceitam mais serem humilhados.
Adoraria ver uma resposta oficial do Instituto Baccarelli sobre o ocorrido.
Ali Hassan Ayache
Comunicado de Robinho Carmo:

Ok! Penso que este blog é um excelente espaço para transparência das coisas uma vez que todos podem comentar como anônimos. Alguém da orquestra poderia se manifestar a respeito do que ocorreu? Ninguém falou ainda nada sobre o real motivo do cancelamento
ResponderExcluirRespeito e civilidade no meio artístico são premissas inegociáveis, e a evolução do ambiente de trabalho nas orquestras é algo indispensável. No entanto, analisar o que acontece num palco sem olhar a dimensão técnica e a responsabilidade com a partitura é entregar uma visão muito parcial aos leitores.
ResponderExcluirO Concerto para Violino em Mi Menor de Mendelssohn é uma das obras mais conhecidas, exigentes e tocadas do repertório universal. Existe um andamento, uma métrica e uma tradição estilística que não são caprichos de um regente, mas exigências da própria obra. Quando um solista sobe ao palco sem a devida preparação, incapaz de acompanhar o tempo da orquestra, esbarrando em passagens técnicas e desafinando, o ensaio deixa de ser um momento de ajuste artístico e passa a ser uma situação crítica de responsabilidade profissional.
A disciplina num ensaio geral não é autoritarismo; é o compromisso mínimo de respeito com a orquestra, que estudou a partitura, e com o público, que pagou pelo ingresso. Um maestro tem o dever de manter o nível e o rigor da apresentação.
Criar um atrito comportamental para se esquivar da própria limitação técnica e transformar a falta de estudo em um discurso de vitimização é uma postura que o meio erudito sério conhece muito bem. O palco é o ambiente mais honesto que existe: ele não aceita desculpas, não aceita marketing e exige preparação. Antes de exigir o respeito do regente, o solista precisa ter o respeito de estar à altura da obra e dos colegas que dividem o palco com ele. Em nenhum momento o Maestro Levin faltou com respeito ao solista. ( J.S)
Mas tem algum comunicado oficial que isso aconteceu ? Fale em que relato você está se baseando se não fica tudo muito vago. Por que ninguém se pronunciou e explicou a situação então ?
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ResponderExcluirNão a toa esse maestro foi colocado porta fora por unanimidade pelos artistas do Municipal do Rio.
ResponderExcluirO histórico do maestro é recheado
ResponderExcluirde situações de desentendimentos com músicos, solistas, hierarquia e por aí vai. Sem mais.
O Ira estava Irado🤣😂
ResponderExcluirTem que dar um pulo na orquestra experimental de repertorio, humilhação e pouco com o que tem acontecido por lá, maestros que querem ganhar espaço diminuindo os bolsistas.
ResponderExcluirFinalmente o "Anônimo" confirmou ou que eu já suspeitava. Lamentavelmente não me surpreende que Robson Carmo (e isto eu falo com respeito e honestidade) tenha dificuldades com o difícil concerto de Mendelssohn. Vamos: ele tem qualidade, mas certamente há deficiencias na sua técnica: problemas de projeção de sonoridade, afinação subpar, etc. O que é provável é que o maestro Ira Levin (quem tem tido problemas anteriores devido à sua personalidade combativa) tenha se frustrado com a qualidade deficiente da interpretação de Carmo. Temos que reconhecer que Levin é músico de primeira, tendo se desenvolvido como brilhante pianista além de sua carreira internacional como maestro. Na Curtis, onde Levin se formou, quem toca desafinado cai fora. Mesmo assim, as mídias socias não vão perdoar Levin. Estamos diante de mais um estereótipo contra o qual o maestro tem tudo a perder: o norteamericano, judeu, branco contra o garoto de periferia (e de cor) que agora se destaca na musica clássica: o meio mais discriminador, racista e eurocêntrico dentro das artes, ao menos segundo a opinião
ResponderExcluirdaqueles que se dizem vitimados e seus simpatizantes. É uma pena que os influencers e os leigos das mídias socias, sem saber o que realmente se passou, façam suas conclusões precipitadas. Devemos todos aprender com o fenômeno Jason Arday: a sua identidade não será sempre garantia e é necessário demonstrar preparação, profissionalismo e qualidade para ser respeitado em qualquer meio, seja acadêmico, artístico ou corporativo.
Palavras do Robinho:
ExcluirSó para esclarecer um ponto, inclusive
para ser justo com a situação: em
nenhum momento eu disse que alguém
101
gritou comigo. O que me incomodou foi a
forma como fui tratado verbalmente
durante o ensaio, diante dos meus
colegas. Não considerei aquela postura
respeitosa e, por isso, preferi
simplesmente me retirar da situação.
Não estou aqui para discutir se alguém
acha que eu toquei bem ou mal -
opiniões musicais fazem parte da
profissão. A questão foi a maneira como
fui tratado. Eu fui ao Brasil para realizar
três atividades no Instituto Baccarelli e, a
pedido da própria instituição, doei
integralmente os cachês das três
atividades. Além disso, todos os custos
da minha viagem, inclusive a passagem
de avião, saíram do meu próprio bolso.
Fiz isso com muito carinho e gratidão
pela instituição que foi tão importante na
minha formacão. Não devo nada a
ninguém e, justamente por isso, também
tenho o direito de escolher não
permanecer em um ambiente no qual não
me sinto respeitado. Saio dessa situação
com a consciência tranquila e sem
qualquer intenção de atacar ou diminuir
ninguém.
Maestro-Pianista falando de afinação?!?! ... dureza viu!!!
ExcluirFlautista falando do violinista! 😂🤣😂🤣😂🤣⚠️
ResponderExcluirSensacional o seu artigo! Parabéns pela dedicação e pelo talento.
ResponderExcluirRobson Carmo toca Mendelssohn impecavelmente, não é a toa Que ele esta numa das melhores orquestras Europeia, a National de Lyon!
ResponderExcluirEsse maestro dá problemas em todas as orquestras em que atua ou atuou. É mal educado, encrenca com os músicos, não aceita especulações e nem críticas ou suspeitas. Sempre irado. Fora já do Brasil.
ResponderExcluir🫵👏👏👏👏👏👏👏
ExcluirO maestro Ira Levin, em seu primeiro concerto como novo diretor artístico e regente titular do Instituto Baccarelli — cuja missão é "promover a transformação e a inclusão social por meio da educação, da cultura e da arte, oferecendo formação musical e artística de excelência para crianças, jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade social" —, acabar com o solista, fruto do próprio projeto, retirando-se do concerto, NÃO IMPORTA POR QUAIS DETALHES DA SITUAÇÃO CRIADA, é um atentado à própria missão do Instituto.
ResponderExcluirSe ele não quer respeitar o lugar e as pessoas com quem trabalha porque é "músico de primeira, tendo se desenvolvido como brilhante pianista além de sua carreira internacional como maestro", e se isso leva tanto ele quanto o próprio Instituto a traírem a missão que deveriam defender, então que vá reger a Filarmônica de Berlim, que é do suposto nível dele.
🙏🙏🙏🙏🙏👏👏👏👏👏👏👏
ExcluirNão me surpreende em nada essa notícia. Já trabalhei com esse maestro e conheço de perto sua arrogância e prepotência. Presenciei situações em que ele humilhou músicos durante ensaios de orquestra — algo que, para mim, é absolutamente incompatível com o respeito que deve existir em qualquer ambiente musical. Além disso, ele tem pouca disposição para fazer música verdadeiramente em conjunto. Tudo parece girar em torno do autoritarismo, da imposição e do show-off pessoal, em vez da escuta, da colaboração e da construção coletiva.
ResponderExcluirReconheço, naturalmente, sua carreira sólida como pianista e maestro. Mas não consigo entender a escolha do Instituto Baccarelli por um regente com uma postura tão antiquada e prepotente, quando temos tantos jovens regentes brasileiros extremamente talentosos, preparados e com uma visão muito mais contemporânea e colaborativa de fazer música.
Excelência artística não deveria ser desculpa para falta de respeito. Os tempos de Karajans já passaram. Regentes podem — e devem — exigir muito de uma orquestra sem humilhar seus músicos. Respeito, educação e capacidade de ouvir o outro nunca saem de moda — e todo mundo gosta.
Eu não conheço este maestro. Mas Karajan nunca foi um ditador.
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