Clássico de Mozart estreia dia 27 de novembro, no Teatro Bradesco; montagem convida adultos e crianças a descobrir uma ópera que discute as relações humanas com muito humor
Um criado prestes a se casar descobre que seu patrão está interessado em sua noiva. A partir daí, alianças, disfarces, desejos e planos se sucedem enquanto empregados e mulheres encontram maneiras de enfrentar a autoridade de quem ocupa posições socialmente superiores. A trama poderia alimentar uma comédia contemporânea sobre poder e relações humanas, mas foi levada aos palcos por Wolfgang Amadeus Mozart há 240 anos.
As Bodas de Fígaro (Le nozze di Figaro KV 492) estreou em Viena em 1786 e permanece entre as obras mais emblemáticas do repertório operístico. De 27 de novembro a 6 de dezembro, a ópera ganha nova temporada da UNIOPERA no Teatro Bradesco, em São Paulo, com Orquestra e Coro UNIOPERA e direção musical de Luciano Camargo. A montagem tem direção cênica de Rodolfo García Vázquez e codireção de Eliana Monteiro.
Por trás das confusões amorosas que movimentam a história está uma obra que nasceu em meio a discussões muito maiores. O libreto de Lorenzo Da Ponte foi inspirado em La Folle Journée, ou Le Mariage de Figaro, peça do dramaturgo francês Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais. Sua crítica aos privilégios da aristocracia provocou controvérsia e censura: a peça estreou publicamente em Paris apenas em 1784 e suas apresentações teatrais chegaram a ser proibidas em Viena pelo imperador José II.
Para transformar a história em ópera justamente na Viena imperial, Mozart e Da Ponte precisaram contornar esse ambiente. O libreto reduziu parte da crítica política mais explícita da peça, mas preservou um de seus elementos mais provocadores: a inversão das relações de poder. Criados desafiam seus senhores, mulheres elaboram estratégias diante da autoridade masculina e o Conde Almaviva é repetidamente colocado em xeque por personagens que, na hierarquia social do século XVIII, deveriam simplesmente se submeter a ele.
“As Bodas de Fígaro é uma comédia extremamente divertida, mas existe uma inteligência muito grande por trás desse humor. Mozart coloca no mesmo palco personagens de diferentes posições sociais e dá a todos eles complexidade, desejo e capacidade de transformar a ação. É uma obra que fala de poder e das relações humanas sem deixar de ser leve, ágil e musicalmente extraordinária. Talvez esteja aí uma das razões para continuar tão viva depois de 240 anos”, afirma Luciano Camargo, fundador da UNIOPERA e diretor artístico do espetáculo.
Uma ópera para curtir em família
Essa combinação entre humor, música e uma trama repleta de desencontros também faz de As Bodas de Fígaro uma oportunidade para apresentar a ópera a novos públicos. Com classificação livre, a temporada da UNIOPERA é aberta a espectadores de todas as idades, e crianças são bem-vindas às apresentações.
No centro da história estão Fígaro e Susanna, que se preparam para o casamento. O Conde Almaviva, porém, passa a galantear a noiva, enquanto a Condessa também desperta a atenção do jovem pajem Cherubino. Entre planos, ciúmes, disfarces e confusões, Fígaro precisa encontrar uma maneira de superar os obstáculos e finalmente chegar ao altar.
“Existe uma ideia de que é preciso conhecer ópera para assistir a uma ópera, e não é assim. As Bodas de Fígaro tem uma história que pode ser acompanhada, tem personagens muito humanos, situações engraçadas e uma música que se comunica diretamente com o público. Queremos que as famílias venham ao teatro e que as crianças também tenham a oportunidade de descobrir esse universo. Muitas vezes, o vínculo com a música começa justamente com uma primeira experiência como essa”, afirma Camargo.
A temporada também cria uma continuidade com uma produção recente da UNIOPERA. Em 2024, a companhia apresentou O Barbeiro de Sevilha, de Gioachino Rossini, em que Fígaro ajuda o Conde Almaviva a conquistar Rosina. Agora, o público reencontra esses personagens depois do casamento de Almaviva e Rosina: dessa vez é o próprio Fígaro quem deseja chegar ao altar.
Uma curiosidade: embora conte a continuação da história, a ópera de Mozart foi composta cerca de três décadas antes da célebre obra de Rossini. As duas têm origem no universo criado por Beaumarchais e mostram como Fígaro atravessou diferentes autores, compositores e épocas.
A montagem será cantada no original em italiano, com legendas em português, e tem duração prevista de 160 minutos.
Sobre a UNIOPERA
A UNIOPERA (Associação Coral da Cidade de São Paulo) é uma entidade não-governamental sem fins lucrativos dedicada à difusão da ópera, da música de concerto e do canto coral. São mais de 20 anos de tradição, realizando montagens nas principais salas de espetáculo no estado de São Paulo. Desde 2016 realiza regularmente temporadas de concertos sinfônicos e óperas no Teatro Bradesco, em São Paulo.
Desde sua fundação, em 2002, mais de 2 mil pessoas já tomaram parte do Coral da Cidade de São Paulo e de seus cursos de teoria musical, solfejo e técnica vocal, oferecidos gratuitamente para participantes de todas as idades, profissões e interesses. A entidade, constituída juridicamente desde 2009, possui atualmente centenas de associados e participantes de suas atividades artísticas e formativas.
A UNIOPERA é pioneira em produções independentes na área da música de concerto e ópera, e realiza espetáculos de grande porte fora do circuito convencional, com a participação voluntária por meio de um coral comunitário, inspirado no modelo da “Wiener Singverein” (União Vienense de Canto).
SERVIÇO
As Bodas de Fígaro (Le nozze di Figaro KV 492)
Wolfgang Amadeus Mozart
De 27 de novembro a 6 de dezembro de 2026
Teatro Bradesco
Shopping Bourbon – Rua Palestra Itália, 500 – Perdizes – São Paulo
Classificação: livre
Duração: 160 minutos
Cantada em italiano, com legendas em português
Direção cênica – Rodolfo García Vázquez
Codireção – Eliana Monteiro
Figurinos – Amanda Pilla B. e Samantha Macedo
Cenários – Priscila Soares
Iluminação – Guilherme Bonfanti
Maquiagem – Ana Paula Costa
Direção musical – Luciano Camargo
Elenco:
Dias 27 e 29 de novembro – 1, 3 e 5 de dezembro
Figaro – Ádamo Oliveira
Susanna – Isabella Luchi
Conde Almaviva – Leandro Abreu
Condessa – Gabriella Pace
Cherubino – Luiza Sayão
Dias 28 e 30 de novembro – 2 , 4 e 6 de dezembro
Figaro – Luis Felipe Sousa
Susanna – Giulia Moura
Conde Almaviva – Paulo Mendes
Condessa – Rosana Lamosa (Luisa Aguillar 2/12)
Cherubino – Lara Cavalcanti
Todos os dias
Marcellina – Gabriela Bueno
Dr. Bartolo – Max Costa
Basilio/D. Curzio – Carlos Eduardo Santos
Barbarina – Amanda Aparício
Antonio – Ronaldo Mariconi
Orquestra e Coro UNIOPERA
Direção musical: Luciano Camargo
Direção cênica: Rodolfo García Vázquez
Codireção: Eliana Monteiro
Realização:
Associação Coral da Cidade de São Paulo/UNIOPERA | Link
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