Maestro Roberto Duarte explica razão para pedido de demissão do Teatro São Pedro

Roberto Duarte
Em resposta a e-mail da Revista CONCERTO, o maestro Roberto Duarte enviou mensagem esclarecendo as razões que o levaram a tomar a decisão de pedir demissão do cargo de diretor artístico da Orquestra do Teatro São Pedro [Leia aqui sobre o pedido de demissão do maestro Roberto Duarte.] O maestro reclama por não ser ouvido na elaboração da temporada planejada para 2012.

Leia a seguir a íntegra de sua mensagem:
Considerações sobre meu afastamento da Orquestra do Theatro São Pedro
Desde a sua fundação a Orquestra do Theatro São Pedro passou por períodos de dificuldades e incertezas. Inicialmente a incredulidade da criação. Abro um parêntese aqui para lembrar que todo o processo de seleção de seus instrumentistas foi realizado com a maior lisura, em total anonimato! Só viemos a conhecer os seus integrantes no primeiro dia de ensaio. Posteriormente a dúvida da sobrevivência. Em novembro de 2010 superamos com coragem e determinação a gananciosa ideia, fomentada por alguns, de “fundir as três orquestras” geridas pela APAA para formar uma “super orquestra”. Em fins de 2011, com a mudança da Organização Social gestora, veio o fantasma da demissão. Com o firme e necessário apoio do Dr. José L. Herência e do Dr. Luis Sobral, da Secretaria de Estado da Cultura, e do Dr. Heraldo Marin, vimos, coroados de êxitos, os novos contratos com o Instituto Pensarte. A esperança de novos e produtivos dias iluminava, então, o horizonte da Orthesp.
Nos primeiros dias do mês de fevereiro foi criado o Conselho Artístico-Administrativo do Theatro São Pedro, ficando assim a Orthesp a ele subordinada. Nossa participação, natural e obrigatória, neste colegiado foi minimizada ao nos ser concedida, a mim e ao Maestro Patarra, Regente Titular, apenas voz em suas reuniões. O voto, entretanto, nos foi negado. Ainda assim, havia de nossa parte bastante otimismo na esperança e no desejo de poder realizar mais, agora com a ajuda de um Colegiado. Na primeira reunião surge a surpresa. Alguns de seus membros foram enfáticos ao criticar de forma acerba e exacerbada todo o trabalho por nós desenvolvido nestes quase dois anos de sua existência. É óbvio que a crítica construtiva é sempre necessária e útil, mas a destrutiva não! A Temporada 2012, que já estava elaborada desde fins de 2011 e apresentada ao Dr. José L. Herência e ao Instituto Pensarte, foi avaliada pelo novo Conselho e considerada “acima das possibilidades financeiras”. Uma nova Temporada, então, nos foi solicitada para que a adequássemos às precárias condições que nos foram oferecidas. Realizadas as modificações necessárias apresentamos no dia 06 de março exatamente o que nos foi solicitado. Para outra surpresa nossa, houve questionamento, agora não na parte financeira, mas em relação à parte técnica. Finalmente o Conselho decidiu mudar não só um dos títulos, mas também o autor, com alegações técnicas que, com todo o respeito, o que eu absolutamente não concordo.
Na prática, o que se configurou foi algo inusitado: a remoção de quaisquer poderes de decisão, quanto ao repertório, daqueles que são os reais profissionais da área, isto é, o Diretor Artístico e o Regente Titular da Orthesp.
Por considerar tais atitudes pouco elegantes, desrespeitosas e não dignas em relação a mim como profissional e ao que tenho produzido até hoje no Brasil e no exterior, além de divergir do modus operandi do Conselho, sobretudo, de alguns conselheiros e, finalmente, para manter um mínimo de dignidade de minha parte e não me tornar um títere nas mãos do Conselho, apresentei por telefone o meu protesto ao Sr. Diretor Executivo do Instituto Pensarte, no dia 07 de março. Perguntado se seria minha última palavra respondi-lhe que existe sempre uma penúltima palavra. Aguardei em vão por mais de 48 horas uma manifestação do Instituto, só me restando, com pesar, uma única alternativa: entregar o cargo de Diretor Artístico da Orquestra do Theatro São Pedro.
12 de março de 2012
Roberto Duarte

Fonte: http://www.concerto.com.br/

Comentários

  1. As justificativas do Maestro Duarte são indiscutíveis, afinal, "cada um no seu quadrado". O duro é: O que será de nós, pobres coralistas, que abrimos mão de outros trabalhos em função do crescimento do São Pedro, e ainda, da possibilidade, por mais remota que fosse, de sermos efetivados como a ORTHESP o foi? O que faremos esse ano? Duas óperas? E o resto do ano pagaremos as contas com cachês de casamentos? Foi pra isso que estudamos?

    Lamentável a situação do Teatro São Pedro que num final de semana nos apresenta um concerto belíssimo e na segunda-feira nos choca com a demissão do seu maestro.

    Resta-nos rezar...

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