"O BAILE DE MÁSCARAS" CHEGA AO THEATRO DA PAZ. CRÍTICA DE MARCO ANTÔNIO SETA COM EXCLUSIVIDADE PARA O BLOG DE ÓPERA & BALLET.


       

                             Kezia Andrade é o Pajem Oscar. Momentos de leveza na trama.(Foto: Elza Lima).


  "Un ballo in maschera" acabou estreando em 17 de Fevereiro de 1859, no Teatro Apollo, em Roma, com enorme sucesso de público, o primeiro desde "Il Trovatore",  de seis anos atrás. Ela contrasta várias características de personalidade: Riccardo e Oscar (alegres e brilhantes); com Amelia, Ulrica e os Condes Ribbing e Horn acrescentando-se Renato Ankarstrom, dramáticos e,  o último vingativo. Mas Verdi sabe fazê-lo muito bem e é o mais explícito drama de amor que o mestre escreveu. Ninguém canta tão bem o amor como neste drama e Verdi foi magistral no dueto do segundo ato (Amélia e Riccardo), fazendo-o numa posição centralizada e de tão difíceis execuções, passando do cantabile para a cabaletta, com uma genial ligação, é mantida sem interrupção ou anticlímax, razão pela qual muitas vezes os intérpretes nos desapontam. Aqui Fernando Portari esforçou-se o quanto pode, mas não atingiu aquilo que Verdi escreveu. Atualmente o tenor já não desfruta das melhores condições vocais, o que o impossibilitou de vencer tais apogiaturas e dificuldades inerentes à partitura (Riccardo). Agudos cortados, mal emitidos etc..em que lhe pese bom desempenho cênico. A voz corre nos médios do registro vocal, com volume;  mas os graves e os agudos estão comprometidos. E notas conclusivas,  ficam omissas em sua performance. 

                        Adriane Queiroz e Fernando Portari no "Baile de Máscaras"  ( 3º Ato. )
         
           O dueto de amor (Ato II)  que na verdade é apenas platônico;  foi bastante instável na noite de 10/9/2018 e considerando-se as vozes, houve desigualdade entre elas. Adriane Queiroz, soprano lírico spinto tem voz já madura,  mas, ainda o papel de Amélia, é grande demais às possibilidades canoras. Na cabaletta Non sai tu che se l’anima miao tenor não atingiu a nota conclusiva. Adriane seria uma grande Ilara na ópera "Lo Schiavo",de nosso imenso Carlos Gomes, à deriva nas temporadas e festivais de todo o Brasil
            Mauro Wrona locomoveu bastante a cena e obteve bom rendimento dos seus comandados. Um primor o seu Baile no 3º Ato. Bravo ! Cenários fracos e guarda-roupa, apenas aceitáveis, considerando-se as verbas disponíveis naquela oportunidade. 
            Rodolfo Giugliani, na ária "Eri tu", fortemente passional, obteve o efeito vocal na voz de Renato; apesar de sua instabilidade musical,  a qual foi reconhecida pelo próprio. Sidney Pio fez Silvano eIdaías Souto substituiu Raimundo Mira (Tom), com ganho e favorecimento a ambos os intérpretes. Muito bem vocal e cenicamente. Andrew Lima (um juiz) e Mário Ícaro (servo de Amelia) corretos e precisos. 
             Destaque neste Blog por nós dois( Ali Hassan Ayache e Marco Antônio Seta) ao soprano lírico de agilidade Kézia Andrade, responsável por um Oscar de excelência, voz cristalina e bem timbrada e de musicalidade respeitável, somando-se a total domínio cênico. Nota máxima ! Deve ela audicionar em outros grandes teatros,  para futuras oportunidades. Quanto a Denise de Freitas, não aprovamos aquela voz "engolata" com abusos das notas de peito, soando estranhas aos ouvintes na personagem da advinha Ulrica. Cenicamente é tenebrosa, como manda o libreto. 

                                   Denise de Freitas, a advinha Ulrica; ótima em cena. 

           Grande registro o do maestro Miguel Campos Neto, pulso firme, regeu de cor, imprimindo brilho e competência à  frente de todo o conjunto sinfônico e de cantores. Notáveis alguns coros importantes nesta ópera, de um brio autenticamente verdiano. Preparou-o Vanildo Monteiro, maestro do coro do festival, com muita propriedade e maestria. Bravo aos dois regentes, pelo êxito musical. 
           A atual administração do Theatro da Paz realiza os espetáculos de ópera (de verdade), e sabe fazer ! Torcemos para que os próximos eleitos gestores continuem com o Festival de Opera que chegou à 17ª edição, formando assim um público específico e consciente para com a difícil arte lírica, conquistada ao longo de um tempo considerável (2001-2018). 

                         O soprano Adriane Queiróz  como Amélia, papel dos mais difíceis verdianos. 

Escrito por Marco Antônio Seta, em 11 de Setembro de 2018.
Jornalista formado pela Cásper Líbero sob nº 61.909 MTB /SP
Diplomado em Piano, História da Música, Harmonia e Contraponto no Conservatório Dramático e Musical "Dr. Carlos de Campos", em Tatuí, SP.
Licenciado em Artes Visuais, pela UNICASTELO, em São Paulo/SP 

Comentários

  1. Muito bom! As críticas valem muito para o aperfeiçoamento dos próximos desafios.

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  2. Nos próximos desafios, excluir os cantores fora de forma !

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