BRASIL PAÍS DO FUTEBOL OU PAÍS DA MÚSICA, REFLEXÃO APÓS O CARNAVAL? ARITGO DE ISAAC CARNEIRO VICTAL NO BLOG DE ÓPERA & BALLET.


O Brasil musicalmente é o contrário da Inglaterra, país até o século XX chamado de "nação sem música", felizmente isso hoje mudou, embora os ingleses continuem se destacando mais como intérpretes do que como compositores clássicos. Já o Brasil, carente de grandes orquestras ou de teatros de ópera que funcionem, ao contrário da Inglaterra que tem tudo isso aos montes, por outro lado aqui desde o século XIX se faz muita música, em quantidade e em qualidade. Vide a atual série de musica brasileira em andamento pela gravadora Naxos.

Não só temos vários compositores eruditos como Carlos Gomes, Alberto Nepomuceno, Villa Lobos, Mignone, Guarnieri, Almeida Prado, Marlos Nobre, até tem um que nasceu na minha cidade de interior de Minas Juiz de Fora, Edmundo Villani Côrtes, como o Brasil também produz muita música popular de qualidade, famosa internacionalmente. A Alemanha, país conhecido como terra da música clássica, sempre teve ótimos compositores e intérpretes, mas nunca produziu música popular que chamasse a atenção do mundo. O "maestro filósofo" Celibidache chegou a dizer para o jornal espanhol El País que os alemães não possuem talento musical, por isso cultivam tanto a música culta...

Recentemente tivemos o Carnaval, festa tida como a maior celebração popular do Brasil, juntamente com as partidas de futebol. Sem entrar na discussão sobre a qualidade, já reparam na quantidade absurda de músicas populares escritas todos os anos apenas para essa festa do Carnaval? O Brasil produz canções assim como produz jogadores de futebol, em escala industrial. É um dos países segundo as estatísticas onde mais se consome a própria produção musical popular, ao contrário de lugares como a Holanda, onde a maioria das canções que fazem sucesso são em inglês.

Além dessa produção inédita que aparece todo ano no Carnaval, ainda temos canções que sempre reaparecem nesse feriado de folia. "Surgem os tamborins, vem emoção"(Imperatriz 1989). A Paulicéia Desvairada Estácio 1992 "Me dê, me dá, me dá, me dê Onde voçê for, eu vou com voçê La vem o trem do caipira", Oswald de Andrade e Villa Lobos. A agua falando de si mesma "Eu tô em todas, tô no ar, eu tô aí Eu tô até na liquidez do abacaxi" (Mocidade Independente 1991). "Quem não se lembra do lindo cantar do Uirapuru Quando gorjeava, parecia que falava Como era verde o meu Xingu Meu ziriguidum fez brilhar no céu, a estrela guia de Padre Miguel A vira virou" Mocidade 1990.

Isaac Carneiro Victal

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