NESCHLING E KRYLOV FAZEM O TCHAIKOVSKY E MAHLER MAIS LENTO DE TODOS OS TEMPOS. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA E BALLET.




   Definitivamente a música clássica e a ópera caíram no gosto do paulistano, vemos sempre salas lotadas em eventos dos mais diversos tipos. A Sala São Paulo sempre tem bom público, apesar de a direção fazer de tudo para que isso não ocorra, e nas duas apresentações do Theatro Municipal de São Paulo do dia 09 e 10 de Agosto o teatro esteve lotado. No programa o Concerto para Violino e Orquestra de Piotr Ilich Tchaikovsky, um dos mais emocionantes concertos de violino de todos os tempos e a Quarta Sinfonia de Gustav Mahler.
   Convidado para solar o difícil Concerto para Violino Sergej Krylov mostrou expressividade e boa técnica, venceu as difíceis passagens com lirismo e notas claras. Expressou melodias harmoniosas com volume musical que enche a sala. A opção por tempos demasiadamente lentos não compromete a execução da obra, mostra conservadorismo, não querendo inovar em um concerto que deixa espaço para virtuoses.
   A Orquestra Sinfônica Municipal regida por John Neshling mostrou bons diálogos com o solista e acompanhou a lentidão dele. Musicalmente conseguiu equilíbrio entre os naipes em uma regência limpa, com notas claras que realçam toda a melodia de Tchaikovsky.
   Após um intervalo recheado de comentários empolgantes dos colegas presentes no Municipal começa a Quarta Sinfonia. Essa se descola das demais composições de Mahler, não tem a grandiosidade e a música complexa de outras sinfonias e é a mais intimista delas. Fecha o ciclo de Sinfonias Wunderhorn, estas com música inspirada em canções populares alemãs e a forma da composição é clássica no sentido literal da palavra .
   Neschling novamente opta pela lentidão, andamentos lentos mostram todas as notas com clareza. Imprimi uma sonoridade homogênea em bom volume que realçam o colorido orquestral do romantismo alemão do século XIX. Especial destaque para os competentes solos do Spala da casa e para a bela voz de Marina Considera,  esta conseguiu no último movimento cantar com um timbre puro, lírico e de grande beleza. Falhou no vibrato e emocionou nos agudos.
   A Orquestra Sinfônica Municipal nesse um ano e meio nas mãos de John Neschling tem mantido bom nível técnico. Repertórios complexos e musicalidade correta são características em quase todas as apresentações. O problema de John Neschling é demitir profissionais competentes como o maestro Jamil e Maluf e Mário Zaccaro e nunca aceitar a menor crítica ao seu trabalho. Diz que só podem escrever sobre música clássica aqueles que fizeram sei lá que curso ou estudaram sei lá o que. Enquanto critica os que escrevem sobre o tema ele trata de assuntos que não são pertinentes a sua área, em um claro sinal de contradição. Já escreveu em uma rede social sobre psicanálise, literatura e faz citações em outras línguas a torto e a direito. Adora fazer a crítica de apresentações do teatro que ele mesmo dirige e obras que ele mesmo rege, isso não pega nada bem Joninho. Agora inventou de discutir o conflito árabe-israelense. Noticiou com toda a pompa que esteve em Portugal recebendo uma homenagem do Teatro São Carlos, um diploma de honra ao mérito. Não é por acaso que Lisboa é a terra do Conselheiro Acácio.
Ali Hassan Ayache

Foto: Tchaikovsky foto Internet.

Comentários

  1. Desqualificar o crítico, ao invés de replicar a crítica, é uma estratégia típica dos regimes despóticos. É que, assim, encerra-se a discussão e evita-se o debate de ideias. E quando a crítica vem de dentro da própria instituição, o caminho mais fácil é demitir o crítico.

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