JOÃO GUILHERME RIPPER ESTREIA " O DILETANTE".

Vinte anos do projeto Ópera na UFRJ são celebrados com ópera inédita que mistura elenco jovem, Martins Pena e Bossa Nova.


O Salão Leopoldo Miguez, no Rio de Janeiro, sedia, no dia 25 de setembro, às 19h, a estreia mundial de mais uma ópera de João Guilherme RipperO Diletante. Baseada na peça homônima de Martins Pena (1815-1848), a obra teve libreto e a música encomendados a Ripper pela Escola de Música em comemoração aos 20 anos do projeto Ópera na UFRJ e uniu, em sua produção, as Escolas de Música, Belas Artes e Comunicação da UFRJ. Há récitas no mesmo espaço nos dias 26/9, às 19h; 27/9, às 17h; e 28/9, às 16h.
A direção geral e a regência cabem a André Cardoso, que conta com José Henrique Moreira na direção cênica e Marcelo Coutinho na direção musical.Coro e Orquestra Sinfônica da UFRJ acompanham dois elencos, que se alternam nas récitas: os barítonos Cyrano Sales e Jessé Bueno (Quintino), e Fernando Lourenço e Marcelo Coelho (Gaudêncio); as sopranos Luíza Lima e Michele Ramos (Josefina), e Camila Marlière (Constança); as mezzo-sopranos Beatriz Simões e Deborah Cecília (Merenciana), e os tenores Bruno dos Anjos e Daniel Marinho (Marcelo). Destacam-se ainda entre os principais nomes da ficha técnicaAndréa Renck (coordenação de cenografia), Desiree Bastos (coordenação de figurino) e Renato Machado (projeto de iluminação).
A trama
Na peça original de Martins Pena – um clássico do teatro brasileiro –, a história passava-se em 1844, no Rio de Janeiro. Mantendo a estrutura e o espírito do texto de Pena, Ripper adaptou a peça para a Copacabana dos anos 1950. “É um momento muito interessante, porque é quando nasce a Bossa Nova. Ao mesmo tempo, o Rio e o Brasil começam a se descobrir. A mudança me abriu também a possibilidade de usar alguns elementos estéticos e harmônicos que remetem àquele movimento e aos arranjos de Tom Jobim”, afirma o compositor.
O protagonista Quintino é um rico comerciante italiano que alimenta uma paixão desmedida por La Traviatta, de Verdi. Seu maior desejo é fazer com que toda sua família compartilhe de sua paixão pela música italiana, solicitando o tempo inteiro que sua filha, Josefina, e sua esposa, Merenciana, cantem trechos da obra com ele. Dessa forma, ele deseja encontrar um pretendente para a filha que também se interesse por esse tipo de música. O Diletante acaba sendo, assim, uma homenagem bem-humorada ao mundo e aos amantes da ópera.
O compositor
João Guilherme Ripper estudou na Escola de Música da UFRJ, instituição na qual atuou como professor e diretor (entre 1999 e 2003). Cumpriu doutorado na The Catholic University of America, nos Estados Unidos. Frequentou cursos de Regência Orquestral na Universidad de Cuyo e Teatro Colón, Argentina, e Financiamento e Economia da Cultura, na Université Paris-Dauphine, na França. Colabora frequentemente com solistas, grupos de câmara e orquestras na criação de novas obras como Concerto a Cinco, encomendado pelo Quinteto Villa-Lobos, Olhos de Capitu, encomendada pela Orquestra Sinfônica Brasileira, Desenredo e Cinco canções de Vinicius de Moraes, encomendadas pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. É um dos mais destacados compositores de ópera no país, sendo o autor do libreto e da música de Domitila (2000), Anjo Negro (2003/2012), Piedade (2012), Onheama(2014), estreada em maio no 18° Festival Internacional Amazonas de Ópera. É o atual diretor da Sala Cecília Meireles e vice-presidente da Academia Brasileira de Música.
O maestro
André Cardoso é solista e regente graduado pela Escola de Música da UFRJ, com mestrado e doutorado em Musicologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Uni-Rio, 2001). Estudou regência com os maestros Roberto Duarte e David Machado. Recebeu, durante três anos, bolsa da Fundação Vitae para curso de aperfeiçoamento na Argentina com o maestro Guillermo Scarabino, na Universidade de Cuyo (Mendoza) e no Teatro Colón (Buenos Aires). Em 1994 foi o vencedor do Concurso Nacional de Regência da Orquestra Sinfônica Nacional, passando a atuar à frente de conjuntos como as Orquestras Sinfônica da Paraíba, Sinfônica de Minas Gerais, Filarmônica do Espírito Santo, Sinfônica de Campinas, Sinfônica do Teatro Nacional de Brasília, Sinfônica Brasileira, Petrobras Sinfônica e Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, junto à qual foi maestro assistente de 2000 a 2007. É professor de regência e prática de orquestra da Escola de Música da UFRJ, instituição da qual é o atual diretor, e regente titular da Orquestra Sinfônica da UFRJ. Desde 2008 é o coordenador, diretor artístico e regente do projeto de extensão Ópera na UFRJ. É membro da Academia Brasileira de Música e seu atual presidente.
O diretor
José Henrique Moreira é mestre em Teatro pela Uni-Rio e professor de Direção Teatral e Iluminação Cênica na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Como diretor teatral, já encenou As EruditasRicardo IIIO ProcessoA PaneOréstiaDoze Jurados e uma Sentença, entre outras peças. Em 2011, fez a direção cênica da montagem da ópera Dom Quixote nas Bodas de Comacho, do projeto Ópera na UFRJ, e, em 2013, da opereta Caso no Júri, encenada no Primeiro Tribunal do Júri do Palácio do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, na qual também foi autor da versão em português.
Ópera na UFRJ
Criado em 1994 por iniciativa de alunos de graduação da Escola, Ópera na UFRJ é um dos mais bem sucedidos projetos de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidos na Universidade. Envolve atualmente um contingente de mais de cem docentes, discentes e técnico-administrativos da instituição, e proporciona um campo importante de qualificação acadêmica e profissional para estudantes de graduação de música, artes plásticas, teatro e dança.
Na foto do post, de Ana Liao, da esquerda para a direita: Camila Marlière, Marcelo Coelho, Cyrano Sales e Beatriz Simões.


SERVIÇO:
Ópera O Diletante
Música e libreto de João Guilherme Ripper, a partir de peça de Martins Pena
André Cardoso, direção geral e regência

Coro e Orquestra Sinfônica da UFRJ
Cyrano Sales e Jessé Bueno (Quintino), barítonos
Luíza Lima e Michele Ramos (Josefina), sopranos
Fernando Lourenço e Marcelo Coelho (Gaudêncio), barítonos
Beatriz Simões e Deborah Cecília (Merenciana), mezzo-sopranos
Bruno dos Anjos e Daniel Marinho (Marcelo), tenores
Camila Marlière (Constança), soprano

25 de setembro, quinta, 19h
26 de setembro, sexta, 19h
27 de setembro, sábado, 17h
28 de setembro, domingo, 16h
Salão Leopoldo Miguez, Escola de Música da UFRJ
Rua do Passeio, 98, Centro, Rio de Janeiro. Tel.: (21) 2262-8742

1º de outubro, quarta, 19h
Teatro Municipal de Niterói
Rua XV de Novembro, 35, Centro, Niterói. Tel.: (21) 2620-1624

2 de outubro, quinta, 19h
Theatro D. Pedro, Petrópolis
Praça dos Expedicionários, s/nº, Centro, Petrópolis. Tel.: (24) 2235-3833

6 de outubro, segunda, 11h
Auditório Horta Barbosa, Centro de Tecnologia da UFRJ
Av. Athos da Silveira Ramos 149, Bloco A, C. de Tecnologia, Cidade Universitária. Tel.: (21) 3938-7008

16 de outubro, quinta, 19h
17 de outubro, sexta, 17h e 21h
Teatro Municipal de Macaé
Av. Rui Barbosa, 780, Centro, Macaé. Tel.: (22) 2759-0889

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