SARAU BRAZIL - CRÔNICAS DA VIDA IMPERIAL . CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BOG DE ÓPERA E BALLET.

   

   Na era pré-rádio, televisão ou internet as pessoas conversavam mais e se conheciam melhor. As moças aprendiam a cantar e tocar piano ou outros instrumentos para mostrarem seus dons para os amigos, parentes e futuros pretendentes. O momento ideal para isso era o sarau, evento cultural ou musical realizado nas casas das melhores famílias, começava ao entardecer e podia se estender por noite adentro. Teve seu auge no século XIX e nos dias de hoje muitos estão o redescobrindo a fim de aprimorar seu nível cultural.
   Diversos compositores fizeram canções e modinhas para essa manifestação popular, Carlos Gomes, Chiquinha Gonzaga e Alberto Nepomuceno estão entre os mais conhecidos. Era o lazer e a diversão da sociedade de época, além da boa música apreciavam quitutes e bebidas que se um passarinho bebesse não voaria mais. Sarau é um retrato da vida brasileira no século XIX e primeiras décadas do século XX. 
   Visando relembrar esse período da história brasileira o soprano Adriana Bernardes apresentou no último dia 10 de Março o Sarau Brazil no Centro Cultural São Paulo. O programa consiste em canções clássicas dos saraus nacionais e passeia por músicas de diversas fases, da colônia à república.
   Acompanhada da pianista Sandra Abrão e do flautista Marco Cancello o soprano Adriana Bernardes mostrou o natural nervosismo na canção de abertura Beijo a mão que me condena de José Maurício Nunes Garcia. Mais solta mostrou vocalidade exuberante e um timbre cristalino na conhecida canção Quem sabe? de Carlos Gomes. Desfilou talento em canções como Dengues da mulata desinteressada de Marlos Nobre e Quebra Coco de Camargo Guarnieri. 
   A interpretação de Lua Branca de Chiquinha Gonzaga foi o ápice da noite, um colorido especial na voz que realça as notas e faz o principal para um artista, emocionar. Sua interpretação comove nas frases, nas notas e nos agudos com brilho. A apresentação nos remete a um tempo em que as pessoas choravam sensibilizadas ao ouvirem músicas que tocam a alma. Bons tempos aqueles, hoje o importante é a foto para as redes sociais (alguém sempre insiste em fotografar e nessa noite não foi diferente) e a mensagem fútil no celular. 
Ali Hassan Ayache 

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