O MALABARISMO E O CIRCENSE EM MIX DE DEBORA COLKER. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA E BALLET.

   


A dança tem diversas linguagens e infintas formas de expressão corporal e cênica. Os coreógrafos modernos testam seus limites em coreografias algumas vezes relevantes e outras de gosto duvidoso. Dança tem que ter expressão, sentido e tocar o espectador. Expressar sentimentos na linguagem do movimento, essa é a definição de dança. A coreografia Mix de Deborah Colker navega em diversas linguagens com ecletismo puro em diversos formatos, partes interessantes se unem a quadros que extrapolam os limites.
   Mix é composto de sete quadros independentes e sem relação entre si, a falta de unidade esbarra na ausência sentido do todo. O espectador se pergunta, por que essa salada russa?
   O amor representado no quadro Paixão é o ponto alto da peça, a coreografa consegue força impactante dando um soco no estômago da plateia. Em Desfile brinca com as proporções, satiriza o carnaval e a passarela com diversidade musical que vai do maxixe a bossa nova. A música é aliada no quadro Máquinas, som tecnológico que lembra o urbano, o quadro apresenta movimentos precisos e seus dançantes exibem uma sincronia espetacular. Uma concepção inteligente inspirada nos filmes Metropolis e Tempos Modernos.
   Os bailarinos da Cia tem um excelente nível de atuação, muito bem treinados unem movimentos de leveza ímpar com passos expressivos de força que muitas vezes tendem ao acrobático. Eis o problema, o limite entre a dança moderna e o circense é ultrapassado  após o intervalo. Inspirados na coreografia Velox, os quadros: Mecânica , Cotidiano e Sonar tem movimentos geométricos excessivos, seus passos de alto grau de dificuldade mostram destreza dos bailarinos e pouca expressividade cênica . Os seis ventiladores no alto rodam de acordo com as cenas e ilustram  turbulência e calma de acordo com o momento. Quadros que tendem ao malabarismo e a contorcionismo e a dança expressiva é deixada de lado.
   Alpinismo também é inspirada na coreografia Velox, o maior sucesso da Cia, lhe trouxe fama pelo mundo afora. Uma parede enorme com pontos de apoio de escalada faz os bailarinos desafiar as leis da gravidade. Movimentos complexos, rápidos e de enorme grau de dificuldade fazem a plateia delirar com diversos passos do balé feitos na vertical. A empolgação não esconde o fato único. Alpinismo não é dança, fica sempre no inexpressivo e na falta de sentido. Para executá-lo é melhor contratar ginastas olímpicos. É um quadro circense com movimentos que malabaristas e equilibristas fazem. Não é o circo pobretão do interior, lembra o Cirque de Soleil que a coreografa conhece muito bem por já ter trabalhado com ele.
Ali Hassan Ayache

Mix, foto Internet

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