CARTA ABERTA À FUNDAÇÃO OSESP.



Prezados senhores Conselheiros da Fundação Osesp,

Como assinantes da Osesp e assíduos frequentadores da Sala São Paulo, sentimo-nos moralmente obrigados a externar o nosso descontentamento com a recente demissão sumária da equipe de seguranças.
 
Repudiamos a incompreensível decisão do Governo do Estado de São Paulo de reduzir a verba das Organizações Sociais, com grande prejuízo a esses eficientes órgãos e quase nenhuma economia para o governo -- 0,02% do orçamento, segundo artigo de Nelson Kunze, publicado no site da Revista Concerto (www.concerto.com.br). Entendemos perfeitamente que é dever da Fundação Osesp zelar sempre pela qualidade musical e de ensino, conquistas estas que custaram anos de intenso trabalho e esforço. Estamos cientes de que a Fundação optou por sacrificar e terceirizar atividades de apoio, como a segurança, o que tem sido prática comum no meio empresarial.

Porém, como é característico de salas de concerto, a Sala São Paulo, além de frequentada quase que diariamente por milhares de pessoas,
tem um público cativo,
com uma parcela importante formada por idosos,que lá está duas ou mais vezes por semana, e foram sempre bem recebidos
pelos zelosos e prestativos seguranças.
Mais que meros seguranças, eles também desempenhavam com dedicação o papel de auxiliar pessoas com deficiência e

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cadeirantes, além de socorrer pessoas do público que eventualmente se acidentassem ou se sentissem mal durante os concertos.  
Nesse sentido, foi chocante, para nós que fazemos parte da família Osesp, chegar lá e ver que, de repente, não restava quase ninguém. Pior ainda: a Sala estava absolutamente desprotegida. Não é necessário comentar os riscos óbvios a que nós e os músicos estávamos expostos. Certamente em breve uma nova equipe de seguranças assumirá, mas será uma equipe totalmente sem experiência com o público da Sala São Paulo, não foi feita qualquer transição; não foi tomada nenhuma providência para evitar que a Sala ficasse sem segurança.
 
Estranhamos que no ambiente em que arte e convívio reinam (ou deveriam reinar), tenha havido uma atitude tão fria e brusca. Não houve a menor preocupação com a segurança do público.

Muito se questiona o tamanho da equipe administrativa da Fundação. De fato, assistimos, nos últimos anos, a um crescimento considerável do número de quadros que dirigem as atividades da Orquestra e da Sala. Na época de transição, justificou-se a constituição da nova equipe como uma moderna forma de "governança". Talvez, sem sacrificar qualidade e músicos, a tal "governança" pudesse ser reavaliada.

Estamos de fora, não conhecemos a contabilidade nem os aspectos mais complexos do gerenciamento desse mundo que frequentamos chamado Sala São Paulo. Mas nos perguntamos se não haveria um corte menos cruel que os humildes trabalhadores que transitavam entre músicos e plateia.
 
Esperamos que os poucos seguranças que restaram continuem coordenando e orientando a nova equipe.

Solicitamos à administração que tome, com extrema urgência, medidas para garantir a segurança da Sala São Paulo.

Atenciosamente,


Fabiana Crepaldi Pereira
Ali Hassan Ayache
Anibal Alves Lopes
Diana Vidal
Domingos DArsie
Edith L. M. Vogel
Edna Bellacosa

Gerald Sachs
João Paulo dos Santos Almeida
Joaquim Cruz Pereira
Liz Coli
Marcelo Lopes Pereira
Maria José Ferraz
Maria Alice Lopes Pereira
Maria Lucia de Carvalho Monteiro
Paula Margarida Pereira
Rodrigo Lopes Pereira
Stella Pupo Nogueira
Vera Lúcia Crepaldi Pereira

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