OPERA IN CONCERT EM INDAIATUBA. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA E BALLET.

   

   Após a estreia no final do ano passado e uma apresentação por mês em 2015 a Orquestra Sinfônica de Indaiatuba deu prosseguimento a sua temporada no último dia 19 de Junho com o programa Opera in Concert. A escolha foi feita para agradar a galera com árias de Mascagni,  Rossini,Verdi, Puccini e Donizetti. Árias conhecidas do grande público para um público não familiarizado com ópera, acertaram em cheio nas escolhas.
   Convidaram como solistas o soprano Raíssa Amaral e o tenor Daniel Duarte. O soprano abriu com a complexa e difícil ária "È Strano ... Folie ... Sempre Libera" da ópera La Traviata de Verdi. Voz oscilante e distorcida com um timbre que peca pela falta de brilho e uma técnica que esta longe de ter a capacidade de cantar uma ária com esse nível de complexidade. Assim se resume a apresentação do soprano. Na ária "Si, mi chiamano Mimi" da ópera La Bohème de Puccini conseguiu alguns bons agudos e nada mais. Sendo árias em concerto se limitou a cantar de forma estática, em diversos teatros do Brasil e pelo mundo afora os solistas incorporam o personagem e tentam transmitir os sentimentos expressos na música, isso em nenhum momento aconteceu com soprano e tenor.
   O tenor Daniel Duarte cantou com freio de mão puxado, sua voz ficou nos médios, em raros momentos tentou os agudos. Timbre opaco que beira a aspereza na ária "Una furtiva lagrima" da ópera L'Elisir D'Amore de Donizetti. Voz comum que não passa do convencional.
   A jovem Orquestra Sinfônica de Indaiatuba  regida por Paulo de Paula mostrou sonoridade compatível com as árias, a falta de instrumentos em diversos naipes atrapalha no volume, isso é compensado com tempos corretos. Suas explicações sobre as árias e trechos de óperas foram esclarecedoras e interessantes.
   O grande feito da cidade de Indaiatuba com a criação de uma orquestra é proporcionar a população concertos de diversos tipos. Não se pode esquecer que o público, mesmo não acostumado com esse tipo de arte, sabe instintivamente diferenciar o que é bom ou não. Meus amigos de Indaiatuba, que nunca assistiram um concerto de canto, reclamaram da voz do tenor. Uma orquestra com mais músicos e solistas melhores deve ser a prioridade para os próximos eventos. A Sala Acrísio de Camargo esteve com grande parte de suas cadeiras ocupadas, quando o nível aumentar lotará.
Ali Hassan Ayache  

Comentários