SALOME ARREBATA O PÚBLICO NA SALA SÃO PAULO. CRÍTICA DE MARCO ANTÔNIO SETA NO BLOG DE ÓPERA E BALLET.

 
   
   A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo  apresentou nas noites de 25, 26 de junho e no sábado 27 às 16h30 um concerto que homenageia o compositor dinamarquês Carl Nielsen (1865-1931)  pelos 150 anos de nascimento. Com a Sala São Paulo lotad  apreciou-se a Abertura Helios, Op. 17 (1903). Uma orquestra trabalhada minuciosamente em sua distribuição instrumental  soou bem em solos de trompa, seguida dos demais metais; trompetes e trombones, coadjuvada pelo quinteto usual de cordas  e sopros de madeiras em temas musicais que hoje já nos são populares aos ouvidos.   
     As Valses Nobles et Sentimentales escritas originalmente para piano por Maurice Ravel (1875-1937) e transcritas,  posteriormente em 1912  pelo mestre francês, compuseram a sequência deste concerto. Proporcionando bela e grata tarefa  aos executantes, Ravel apresenta-se aqui,  mestre  da orquestração  moderna, sinal de todos os avanços modernos e de sua contemporaneidade na escrita da música sinfônica  deste maravilhoso impressionista francês do Século XX. Efeitos de sonoridade límpida e musicalidade intensa foram conferidos especialmente nos solos de flauta, oboé, corne inglês, clarinete e harpa, intermediando-se à base das cordas, ora em surdina ou em ampla expansão e propagação  sonora às demais madeiras do conjunto. Merecem menção  o Modéré (Moderado) e Assez Lent (bastante lento) de expressiva técnica e interpretação artística. 
      Na segunda parte do programa seguiu-se a ópera "Salomé", Op.  54 - Parte  2; esta é a terceira ópera de Richard Strauss (1864-1949) datada de 1905 com libreto de Hedwig Lachmann, baseada na peça homônima de Oscar Wilde, foi estreada a 9 de  dezembro de 1905, no Hofoper   de Dresden. Dos personagens; Salomé foi o soprano Gun-Brit Barkmin, intérpete experiente  de Berg, Britten, Janácek,  Strauss e Wagner, enfrentou a intensa massa   orquestral imposta  pelo compositor, a qual desafia as habilidades  de um autêntico soprano dramático cuja voz deve possuir graves mais encorpados com um timbre de exuberante sensualidade. A voz de Gun-Brit  é de soprano lírico,  ideal para os personagens de Anna, Elisabeth,  Marechala, Sieglinde,  Clisotemis, Jenufa e Rusalka; entretanto,  ainda que  de muito  bonito timbre, e apesar de seu grande esforço para o seu volume vocal sobrepujar a orquestra, ainda ficou aquém  das necessidades para aquele que é um dos mais cobiçados personagens dos sopranos dramáticos, baseado na história bíblica da paixão de Salomé por São João Batista; um verdadeiro drama selvagem. 
       Herodes, tetrarca da Judeia,  ouviu-se na voz do tenor lírico -spinto  Stig Andersen, radicado junto ao Royal Theatre Copenhagen. Apresentou-se numa performance satisfatória, num papel que lhe é cômodo  na tessitura e ao seu registro e timbre de características wagnerianas e para as óperas de Janácek às quais os personagens lhe são adequados (Sigmundo, Tannhäuser,  Laca,  Príncipe/Rusalka,  Lohengrin, Siegfried entre outros).  
      Na parte de Herodíades, o meio soprano Denise de Freitas, cantora de nosso meio musical, desempenhou-se de sua pequena parte a contento. 
      O maestro Thomas Dausgaard, de reputado currículo, detalhista e meticuloso, preocupou-se com os pormenores na condução da OSESP, mas nem sempre, tão bem correspondido pelos seus membros. Os aplausos frenéticos do público  que lotava a Sala São Paulo, comprovam aqui que a OSESP deveria incluir em suas próximas temporadas, execuções de ópera em concerto, pois os paulistanos adoram óperas. 
Escrito por Marco Antônio Seta, em 28 de junho de 2015.
Inscrito Jornalista sob nº  61.909 MTB / SP   
      

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