PROGRAMAÇÃO DO TMRJ PARA O SEGUNDO SEMESTRE. ARTIGO DE LEONARDO MARQUES NO BLOG DE ÓPERA E BALLET.

João Guilherme Ripper mostra sua cara na programação que o teatro de ópera do Rio de Janeiro apresentará de agosto a dezembro.


Movimento.com teve acesso em primeira mão, na noite desta terça-feira, 21 de julho, à programação que o Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresentará no restante de 2015. Entre agosto e dezembro, estão programadas quatro óperas, e ainda dois balés e quatro concertos principais com os conjuntos da casa
Sem delongas, vamos direto à programação, e deixemos os comentários para o final. Os detalhes (datas, solistas etc…) serão anunciados mais adiante. Por ora, vamos nos limitar aos títulos.

Agosto
Concertos com a Orquestra e o Coro do Theatro Municipal
– Dia 7: sob a regência de Sílvio ViegasSchubert, Mozart e Bruckner
– Dia 14: sob a regência de Tobias VolkmannDukasRavel Debussy
– Dia 22 (Projeto Aquarius, na Cinelândia): sob a regência de Isaac KarabtchevskyVilla-LobosAiresVerdi, e Tom Jobim
– Dia 28: sob a regência de Jésus FigueiredoRossini (Petite Messe Solennelle)

Setembro
– Donizetti: DON PASQUALE, ópera-bufa em três atos
Produção original da Buenos Aires Lírica
Direção: André Heller-LopesRegência: Sílvio Viegas

Outubro
– Rimsky-Korsakov: SCHEHERAZADE, balé
– Philip Glass: AGE OF INNOCENCE, balé
Coreografias, respectivamente, de Michel Fokine e Edward LiangRegência a confirmar
– Villa-Lobos: A MENINA DAS NUVENS, ópera em três atos
Produção original do Palácio das Artes
Direção: William PereiraRegência: Roberto Duarte

Novembro
– Mozart: AS BODAS DE FÍGARO, ópera em quatro atos
Produção original do Theatro São Pedro (SP)
Direção: Lívia SabagRegência: Tobias Volkmann

Dezembro
– Ernani Aguiar: O MENINO MALUQUINHO, ópera em ato único
Coprodução entre o TMRJ e a Dell’Arte
Direção: Sura BerditchevskyRegência: Roberto Duarte

 Händel: O MESSIAS, balé em três partes
Coreografia: Mauricio WainrotRegência: Sílvio Viegas

Análise
A programação acima, que deve ser anunciada oficialmente nos próximos dias, demonstra seriedade por parte de seus novos gestores, especialmente o presidente da casa, João Guilherme Ripper, e seu diretor artístico, André Cardoso.
É uma programação ideal? Não, longe disso, mas, por outro lado, é uma programação honesta, de acordo com as atuais condições financeiras da casa e que se pautará em talentos brasileiros. É, também, uma programação marcada pela criatividade, pela variedade e pelas parcerias com duas outras casas brasileiras e uma argentina – esse expediente tão óbvio e tão pouco explorado no Brasil.
Não menos importante, é uma temporada que marcará a estreia no Rio de Janeiro, com considerável atraso, de uma das mais talentosas encenadoras de ópera do país, Lívia Sabag, enquanto, no campo do balé, a aposta em títulos menos óbvios é muito bem-vinda.
Considero esta meia-temporada um cartão de visitas de João Guilherme Ripper. Que ele possa melhorá-la, quantitativa e qualitativamente, já a partir de 2016. Por ora, para um ano que já era dado como perdido por todos, o novo gestor marca um golaço.
Não posso, na verdade não consigo, encerrar esta pequena análise sem deixar uma pergunta no ar: por que, nos últimos sete anos, jogados fora em termos de programação, ninguém conseguiu montar uma temporada com este nível de criatividade?
Leonardo Marques
Fonte: http://www.movimento.com/

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