SINFÔNICA DE HELIÓPOLIS APRESENTA CONCERTO TRÍPLICE NO FESTIVAL DE INVERNO.CRÍTICA DE MARCO ANTÔNIO SETA NO BLOG DE ÓPERA E BALLET.


   A Sala São Paulo abrigou uma vez mais, após a apresentação em Campos do Jordão, integrando o Festival de Inverno, na noite de 13 de Julho às 20h30min; quando lá se apresentou a Orquestra Sinfônica Heliópolis em repertório que variou do gênero contemporâneo ao clássico e romântico germânico.  
    Dimitri Cervo, compositor brasileiro nascido em 1968  no Rio Grande do Sul, é o responsável  pela peça que iniciou  a noite: Abertura Brasil 2012; de grande vivacidade rítmica,  a composição é iniciada no oboé, estendida aos demais sopros de madeira e metal cujas interpretações  transcorreram a contento, vibrantes, respondida pelas cordas usuais, culminando em tema bastante  vivaz evidenciado pela ornamentada percussão da partitura.
    Na sequência ouvimos o Concerto Tríplice em dó maior Op. 56 de L. van Beethoven (1770-1827). A composição data de 1803-04, justamente no segundo período de sua produção musical, quando compôs ainda a Sonata "a Kreutser", para violino e piano; a Waldstein e a Appassionata, ambas para piano, a ópera Fidélio, as Sinfonias de nºs 3, 4, 5 e 6 e o concerto para violino e orquestra entre outras. O Concerto Tríplice escrito para piano, violino e violoncelo, comparando-se aos cinco  concertos para piano e,  ao de violino do compositor, este leva certo "preconceito",  relacionado com a aparente perda de nível, que essa obra que Beethoven intitulou de "grande concerto concertante" deixa transparecer na estruturação sinfônica e na pretensão concertante, em relação aos outros concertos.
Na verdade os quatro  parceiros ( piano, violino, violoncelo e orquestra) discutem com o mesmo  tema musical, transferindo-o um ao outro,  mas seguindo um só caminho  e não cada qual o seu. 
      Dos solistas Eduardo Monteiro foi o que executou o piano de forma inadequada ao estilo clássico, daquele momento da segunda fase da produção de Beethoven, martelando com excessiva força o teclado em suas passagens solísticas, sobretudo no Largo e no Rondo Alla Pollaca. Barbara Galante fez-se notar pela excelência de suas arcadas e límpida sonoridade de seu violino, bem como a do macio e aveludado som do violoncelista gaúcho Hugo Pilger, que é também o 1º violoncelo da Petrobrás Sinfônica. Ambos os solistas das cordas friccionadas saíram-se muito convincentes, merecedores dos calorosos aplausos em harmonia com o Mtrº Isaac e sua orquestra.  
        Johannes Brahms (1833-1897), do mestre romântico alemão, ouvimos a Sinfonia nº 2 em ré maior, Op. 73 de 1877; cuja contextualização nos foi outorgada pelas nobres mãos de Isaac Karabtchevsky   em minuciosa  leitura interpretativa extenuando a sonoridade orquestral especialmente no segundo movimento, o Adagio non troppo; dando-nos uma impressão nostálgica inigualável. De maneira bastante sistemática,  Brahms  experimenta as diferentes possibilidades de preenchimento  rítmico,  que oferece a métrica do compasso ímpar, condição do 3/4. Trata-se de uma obra magnífica, cada um dos movimentos tem valor inapreciável; e com os quatro reunidos formam um todo coeso.  O quarto movimento Allegro con spirito, onde o canto se torna cada vez mais intenso e puxa a coda extraordinariamente bem executada pela Heliópolis,  proporcionou o vasto e impetuoso final que, apesar de toda a animação e violência do seu andamento, dá a impressão de triste e artificial em sua vivacidade. 
 
Escrito por Marco Antônio Seta, em 14 de julho de 2015.
Inscrito Jornalista sob nº 61.909 MTB / SP

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