TMRJ ENCERRA O MÊS DAS CRIANÇAS COM "A MENINA DAS NUVENS" .

Ópera de Heitor Villa-Lobos tem cenários e figurinos de Rosa Magalhães, direção cênica de William Pereira e direção musical e regência do maestro Roberto Duarte.


O Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta a ópera A Menina das Nuvens, dando continuidade à temporada lírica do segundo semestre de 2015, que leva a assinatura do maestro André Cardoso. Escrita por Heitor Villa-Lobos (1887-1959) com libreto de Lúcia Benedetti (1914-1998), estreou em 1960 no TMRJ e retorna ao palco da Casa 55 anos depois. Desta vez, o Coro e a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal realizarão esta montagem que tem produção original do Palácio das Artes, pertencente à Fundação Clóvis Salgado, de Belo Horizonte. Trata-se, segundo o compositor, de uma “aventura musical em três atos” e será encenada nos dias 23, 25, 27, 28, 31 de outubro e 1º de novembro. Atuarão como intérpretes dos personagens centrais a soprano Gabriella Pace (Menina das Nuvens), o baixo Lício Bruno (Tempo) e o barítono Inácio De Nonno (Corisco). Também integram o elenco as mezzo-sopranos Regina Elena Mesquita (Rainha), Adriana Clis (Lua) e Lara Cavalcanti (Mãe), a soprano Michele Menezes (Anita), o barítono Marcelo Coutinho (Vento Variável) e os tenores Flávio Leite (Soldado) e Giovanni Tristacci (Príncipe). Também participam do espetáculo alunos da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa. Os cenários e figurinos foram elaborados por Rosa Magalhães, a direção de cena está a cargo de William Pereira e a direção musical e regência são do maestro Roberto Duarte.
O espetáculo narra a história de uma menina criada nas nuvens pelo Tempo, e que sonha voltar à terra para conhecer sua mãe. Depois de várias aventuras, casa-se com um príncipe. Após a estreia no TMRJ em 1960, A Menina das Nuvens foi apresentada, em inglês, no teatro American Society, em Nova York, em 31 de janeiro de 1989. Vinte anos depois, ganhou nova montagem no Palácio das Artes, e foi apresentada também em 2011 no Theatro Municipal de São Paulo, recebendo, então, o Prêmio Carlos Gomes de Música Erudita nas categorias de melhor espetáculo, cenário, iluminação e produção.
“Na obra de Villa-Lobos, tão extensa quanto inovadora, a ópera A Menina das Nuvens merece certamente um lugar especial. É um espetáculo lúdico para todas as idades e com grande comunicação com a plateia”, afirma o diretor artístico do Theatro Municipal, André Cardoso.
Para encenar A Menina das Nuvens, o diretor William Pereira lançou mão da agilidade da partitura de Villa-Lobos e do caráter lúdico da obra que Lúcia Benedetti escreveu no fim dos anos 1940 para a filha Rosa Magalhães, levando em conta as muitas transformações pelas quais passou o público infanto-juvenil ao longo de cinco décadas.“Estou especialmente emocionado em trabalhar nesta montagem que marca a volta de A Menina das Nuvens ao palco em que estreou há mais de 50 anos, mesmo tendo dirigido as temporadas do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, e no Theatro Municipal de São Paulo. Contei muito com a ajuda de Rosa Magalhães, que conhece intimamente esta história, para a concepção deste espetáculo. Outra característica desta direção é que realço a fisicalidade dos cantores, que tem atuação efetiva em cena com trabalho corporal. A música de Villa tem uma vivacidade que precisa estrar traduzida no corpo do cantor e ator”, comenta William.
O maestro Roberto Duarte, quando foi convidado, em 2009, para reger A Menina das Nuvens em Belo Horizonte, fez uma revisão geral na partitura de orquestra. “Ao compará-la com a peça teatral de Lúcia Benedetti, ajustei certas passagens omitidas na ópera. Considerei importante a inclusão de pequenos trechos da peça para maior esclarecimento do enredo, como o entreato entre o primeiro e segundo atos, interpretado pelo Corisco. Em certas passagens, decidi repetir alguns compassos para dar maior flexibilidade cênica. Por fim, como esta ópera não tem uma abertura formal e sim alguns compassos que duram apenas 19 segundos, à guisa de introdução, considerei oportuno juntar alguns trechos de temas importantes da própria obra, mantendo exatamente o que o mestre escreveu, criando assim uma introdução de mais quatro minutos”, explica.

Sobre a exposição A Menina das Nuvens – 55 Anos Depois
Durante a temporada, os espectadores e visitantes do Theatro Municipal poderão apreciar a exposição A Menina das Nuvens – 55 Anos Depois, montada no foyer do Balcão Nobre. O pequeno acervo reúne peças da montagem original da última ópera de Villa-Lobos, como fotografias, desenhos dos cenários e dos figurinos, programas e críticas daquela época. O intuito da mostra é apresentar as diferenças e semelhanças entre a primeira produção e o espetáculo que estará em cartaz.

Sobre a ópera A Menina das Nuvens
Quarta e última ópera de Heitor Villa-Lobos, A Menina das Nuvens foi composta durante os anos de 1957 e 1958. Estreou no Theatro Municipal RJ em 29 de novembro de 1960, um ano após a morte do autor, com a regência do maestro Edoardo de Guarnieri – pai do ator Gianfrancesco Guarnieri – e direção cênica de Gianni Rato. Esta ópera é uma aventura teatral, sendo seu libreto uma adaptação da peça infantil de Lúcia Benedetti, de 1949. Este era o terceiro espetáculo para crianças desta autora que, a partir de 1948, passara a se dedicar a este tipo de teatro. Lúcia havia começado como cronista no jornal A Noite, em 1933, e no ano seguinte se casa com Raimundo Magalhães Jr., teatrólogo e autor de dezenas de peças de todos os gêneros.
Lúcia escreveu mais oito peças infantis, sendo que Simbita e o DragãoA Menina das Nuvens e Josefina e o Ladrão foram outros grandes êxitos. A Menina das Nuvens foi encenada em 1950 pela Companhia de Ester Leão, no antigo Teatro Fênix, hoje desaparecido (ficava na esquina da Av. Almirante Barroso com Rua México, no Centro do Rio de Janeiro). Segundo a autora, a história da Menina tem um sentido simbólico, representando a principal personagem o artista em geral. A história procura focalizar, na forma de um relato infantil, as dificuldades que encontram todos os que cultivam as coisas do espírito em se integrarem na sociedade fria e céptica. Villa-Lobos sempre fora grande admirador de Benedetti, à qual manifestara, havia vários anos, o seu desejo em musicar uma peça de sua autoria. Em 1952, Lúcia entregou-lhe o original de A Menina das Nuvens, mas ele, embora houvesse começado o seu trabalho na ocasião, somente pôde concluí-lo em 1958, devido aos seus inúmeros compromissos profissionais.
SERVIÇO:

A Menina das Nuvens – Aventura musical em três atos de Heitor Villa-Lobos
Coro e Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Produção original do Palácio das Artes (Belo Horizonte/MG)
Direção – William Pereira
Regência – Roberto Duarte

Theatro Municipal do Rio de Janeiro (Praça Floriano, s/n, Centro – Rio de Janeiro. Tel.: 21 2332-9191)
Dias 23, 27 e 31 de outubro, às 20h
Dias 25 e 28 de outubro e 1º de novembro, às 17h

Preços: R$ 504 (frisa/camarote), R$ 84 (plateia/balcão nobre), R$ 60 (balcão superior) e R$ 30 (galeria).
Desconto de 50% para portadores de necessidades especiais, idosos e estudantes.

Capacidade: 2.227 lugares
Classificação etária: 5 ano
Duração: 150 minutos (com dois intervalos)

Fonte: http://www.movimento.com/

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