EXTRA! EXTRA! PREFEITURA DETERMINA INTERVENÇÃO NA GESTÃO DO THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO.

Investigação da controladoria aponta desvio de recursos públicos. Instituto brasileiro de gestão cultural também administra Praça das Artes.
Vista interna do Teatro Municipal de São Paulo, no Centro de São Paulo (Foto: Daigo Oliva/G1)
A Prefeitura de São Paulo determinou a intervenção do Instituto Brasileiro de Gestão Cultural (IBGC), organização social responsável pelas atividades do Theatro Municipal de São Paulo e pela Praça das Artes. Os prédios localizados no Centro da capital paulista passarão a ser geridos pela administração municipal.
A medida é resultado de uma sindicância conduzida pela Controladoria Geral do Município e do Ministério Público que resultou em indícios de desvio de dinheiro proveniente de recursos públicos. O prazo da intervenção é de até 90 dias, prorrogável se necessário. Nesse período, a Controladoria pretende investigar contas e contratos.
O ex-diretor geral da Fundação Theatro Municipal, José Luiz Herencia, é suspeito de firmar contratos superfaturados durante sua gestão no teatro. Em novembro de 2015, ele pediu exoneração alegando divergências com a administração do teatro. Ele estava à frente da fundação desde 2013. De acordo com o Ministério Público, os prejuízos à Prefeitura podem chegar a R$ 20 milhões.
Intervenção
Fica designado como interventor o diretor geral da Fundação Theatro Municipal de São Paulo a partir desta sexta-feira (27), as Secretarias Municipais dos Negócios Jurídicos e de Finanças e Desenvolvimento Econômico. Cada pasta terá um servidor para apoiar integralmente, no âmbito de suas competências, as atividades do interventor.
A intervenção também ocorre nas atividades desenvolvidas pelos corpos artísticos do Municipal ou vinculados a eles. A intervenção abrangerá os prédios, equipamentos, serviços e demais bens móveis e imóveis de propriedade do IBGC ou a ele cedidos pelo Município.
O objetivo da intervenção é dar continuidade a programação do Theatro Municipal contratada para 2016.

O interventor poderá tomar medidas de ordem técnica, administrativa, jurídica e financeira necessárias ao restabelecimento e funcionamento dos serviços.
José Luiz Herencia, ex-diretor do Theatro Municipal de São Paulo (Foto: Reprodução/TV Globo)
Ex-diretor
Em dezembro da ano passado, a Controladoria-Geral do Município e o Ministério Público Estadual cumpriram mandados de buscas e apreensão na casa do ex-diretor geral da Fundação Theatro Municipal, José Luiz Herencia, e em outros três locais.
Na ocasião, o ex-diretor disse que "não tem o que ser dito". "Isso é carnaval, exagerado", afirmou. Ele pode responder por associação criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Na casa da mãe do ex-diretor, foi apreendido um HD que, segundo as investigações, ficava no computador que ele usava no Theatro Municipal e que ele levou embora quando saiu do teatro para esconder o que estava registrado ali, segundo as investigações.
Herencia, por meio da fundação, teria firmado contratos superfaturados para produção de espetáculos musicais e de teatro, tendo recebido “propina” através da conta bancária da mãe, da namorada e outra administrada por ele, segundo informações da Promotoria.
O ex-diretor do Theatro Municipal também teria lavado dinheiro em empresas criadas com esse objetivo, de acordo com as investigações. Essas empresas movimentaram cerca de R$ 3 milhões em seis meses, em 2014, de acordo com o MP.
O dinheiro desviado teria sido usado para comprar terrenos no litoral Norte, carros e uma parte acabou depositada nas contas da mãe e namorada. Um apartamento avaliado em R$ 6 milhões está no nome da namorada dele. As duas são consideradas cúmplices no caso.

Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/02/prefeitura-determina-intervencao-na-gestao-do-theatro-municipal-de-sp.html

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