PAULO SZOT ESBANJA TALENTO NO MUSICAL MY FAIR LADY. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA & BALLET.

   

   A cultura do musical está se enraizando no público paulistano. Diversas montagens apareceram nos últimos anos e teatros foram construídos com condições técnicas para receber esse tipo de evento. O novo Teatro Santander é um deles e em seu palco estreou o musical My Fair Lady, música de Frederick Loewe, texto e letras de Alan Jay Lerner e versão brasileira de Claudio Botelho. Em musical tudo é grandioso e esse não foge a regra. Elementos do teatro, dança e música se harmonizam para transformar My Fair Lady em um acontecimento único. A começar pela escolha do elenco.
   Paulo Szot transita com louvor entre a ópera e o musical, consegue a excelência em ambos os estilos, fato raro já que existe a tendência de separação. Ao ganhar o Tony como melhor performance de ator em musical teve sua carreira catapultada a outro patamar. Como professor Higgins mostra talento vocal aliado a uma atuação cênica brilhante e convincente. Voz repleta de brilho com um timbre sempre agradável e uma técnica de qualidade superior. Técnica essa que o permite deixá-la mais leve para se identificar melhor com o personagem. 
   Sua amada e muitas vezes odiada Elisa Doolittle é interpretada por Daniele Nastri, escolhida em uma seleção de mais de 600 cantoras está à vontade nesse papel. Carismática, sedutora, ingênua e muitas vezes estourada. Estes fatores são expressos com grandes atributos cênicos e uma beleza contagiante. A voz tem um timbre claro, leve e adocicado perfeita para a personagem. 
   Eduardo Amir tem no Coronel Pickering amplo domínio vocal, consegue impostação e timbre característico do personagem, é o brasileiro mais lord inglês que já vi no palco. Sandro Christopher encanta com o cômico, um Alfred Doolilttle surpreendente e extremamente carismático.
   As atuações cênicas primorosas tem um responsável, Jorge Takla acerta na escolha do elenco e se atém aos detalhes. A movimentação e o volume da voz sempre adequado com hora, local e ocasião é uma característica do diretor.  Explora o enredo com inteligência e criatividade aliado ao luxo e a riqueza dos cenários de Nicolás Boni e aos figurinos  impecáveis de Fabio Namatame que transportam o espectador para uma época de inocência e charme. Takla também transita entre a ópera e o musical, dirigiu um bom Don Quixote no Theatro São Pedro. Conhece a linguagem cênica e a explora com requinte. Suas histórias são de fácil compreensão para o público leigo.
   A orquestra fica no fosso, digo isso porque é literal. Escondidos abaixo do palco, só se vê a cabeça do regente por um buraco quadrado. A musicalidade fica a contento, o regente Luis Gustavo Petri faz um bom trabalho embora seja prejudicado pela sonorização, muitas vezes o volume fica exagerado na plateia.  
   Alguns saudosistas estranham a versão das músicas cantadas em português, conhecem a versão em inglês ou assistiram ao filme. Verter para outra língua é sempre complicado, o resultado da versão de  Claudio Botelho é satisfatório e a dicção dos solistas torna a linguagem de fácil compreensão. 
   My Fair Lady é musical com excelente produção e direção, conta com artistas de renome em um teatro moderno e equipado para esse tipo de evento. A cultura do musical na cidade de São Paulo atinge com My Fair Lady um nível internacional de excelência.
Ali Hassan Ayache    

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