A SUPERLATIVA CAPACIDADE DE EMOCIONAR DAS COREGRAFIAS DA SÃO PAULO CIA DE DANÇA. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA & BALLET.

   


   Encerrando mais um ano de atividades intensas a São Paulo Cia de Dança apresentou no Teatro Sergio Cardoso um programa variado que une a dança clássica coreografias modernas ou contemporâneas como gostam de dizer alguns. Consolidada há anos como a melhor trupe da dança do Brasil, a SPCD sempre apresenta novidades e peças de seu repertório.
   No vasto repertório da Cia está Peekaboo de Marco Goeck. A coreografia abre a noite com temas que remetem as brincadeiras infantis e a solidão. Passos modernos, muitas vezes esquisitos onde solos, duetos, trios e diversos bailarinos danças de forma acentuada. Chapéus que andam pelo palco e jogados para a plateia mostram o lado infantil da coreografia, a música de Britten combinada com um coro de vozes esquisitas mostram o lado solitário do ser humano. Peekaboo é contagiante, muitas vezes enérgica como a juventude.
   Após o intervalo começa a gala com seus diversos números para solistas. A Valsa das Flores do balé A Bela Adormecida coreografada por Giovanni de Palma remete ao século XIX com a tradição da dança clássica.O Grand Pas de Deux de O Corsário da SPCD teve como solista Morgana Cappellari, a moça esteve tensa, muitas vezes lenta e sem expressividade. Perdeu-se nos longos e arriscados fouttés da coreografia. Seu partner  André Grippi foi deveras melhor, empolgante e seguro. Fada do Amor coreografia de Márcia Haydée contou com a sempre expressiva e vivaz Luiza Yuk muito bem acompanhada por Geivison Moreira. 
   O Talasmã Pas de Deux (1955) de Pablo Aharonian a partir dos originais de Marius Petipa tem como característica a suavidade dos passos da bailarina Larissa Lins com a força expressiva dos movimentos de Yoshi Suzuki. O japa mandou muito bem com passos de grau de dificuldade máxima executados com perfeição. Carmen Pax de Deux é coreografia que está a mil anos de distância de qualidade da ópera homônima de Bizet. Thamiris Prata e Diego de Paula fizeram com excelência os papéis sedutores, mas ficam presos a uma coreografia que não é uma obra prima.
   Tão importante quanto à crítica é a capacidade superlativa de emocionar da dança. A SPCD consegue com suas coreografias e balés narrativos fazer os espectadores ir a outras dimensões. Senti isso na companhia dos amigos Juliano Alves dos Santos e Silmara Daher. A jovem dotada de uma beleza venusta se empolgava a cada momento. O brilho dos seus olhos explodia com o impacto das cenas. Ao fim da cada coreografia sobravam aplausos efusivos e elogios aos bailarinos. Pouco importa se pliés ou fouttés foram executados com perfeição. O conjunto da obra mexeu com seu emocional, a transportou para tempos pretéritos e a levou a um mundo que somente a dança consegue.
Ali Hassan Ayache   

   

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