"DOMITILA", ÓPERA DE GUILHERME RIPPER.

Uma figura feminina brasileira, personagem fascinante das mais comentadas, discutidas, criticadas e admiradas

Domitila de Castro Canto e Melo, mais conhecida como a Marquesa de Santos, é quem canta suas próprias belas e tristes memórias dos momentos que passou ao lado do primeiro imperador do Brasil, Dom Pedro I, de quem foi amante durante sete anos, na ópera de câmara Domitila, que estreia em Recife no próximo dia 1º de dezembro.
Composta pelo músico carioca João Guilherme Ripper, atual presidente da Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a obra será encenada no Teatro Hermilo Borba Filho nos dias 01, 02, 03, 04, 08, 09, 10 e 11 de dezembro. A direção cênica e idealização são de Luiz Kleber Queiroz e a direção musical de Antônio Nigro. A soprano carioca Neti Szpilmann revezará com a pernambucana Tarcyla Perboire nas oito récitas, sempre acompanhadas por piano, violoncelo e clarinete. A também carioca Marisa Avellar, graduada em dança pela Faculdade Angel Vianna, é responsável pela Direção de Movimento.
Luiz Kleber Queiroz situa a personagem em uma espécie de limbo espaço-temporal onde ela revive seu último dia na corte. “Presa em suas próprias lembranças, Domitila, através das cartas que guardou em seu subconsciente, revive repetidamente seus amores, angústias, alegrias e decepções, criando uma atmosfera densa e carregada de emoções”, explica o diretor Queiroz, que também é barítono e professor de Canto do Departamento de Música da UFPE. “Esta montagem encenada em 2010 e reapresentada em 2012 e 2014 recebeu o Prêmio Funarte de Circulação de Música de Concerto e foi assistida por mais de 1.500 pessoas, passando por Porto Alegre, Joinville, Cuiabá, Campo Grande e Dourados, com sucesso de público e crítica”, continua.

A Marquesa de Santos
Para muitos, como o escritor Paulo Rezzutti, autor de “Domitila: a verdadeira história da Marquesa de Santos”, a marquesa foi um exemplo de mulher emancipada, que rompeu com a moralidade corrupta de uma época de falsos pudores para viver a vida conforme ditava sua consciência. Dessa forma, surge na segunda década do século XXI como uma pessoa sensível, culta e amante da arte.
Ela e o Imperador Dom Pedro I se conheceram dias antes da proclamação da Independência do Brasil, em 1822. Um ano depois, ele a instalou no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro. Em 1826, ela recebeu de presente a “Casa Amarela”, como ficou conhecida sua mansão, perto da Quinta da Boa Vista. Dom Pedro e Domitila romperam em 1829. O maior motivo para a separação foi as segundas núpcias de D. Pedro I com Amélia de Leuchtenberg. Uma das cláusulas do contrato nupcial de Amélia e Pedro dizia que ele deveria afastar-se para sempre de Domitila e bani-la da corte.
Domitila teve cinco filhos com D. Pedro I, dos quais apenas duas filhas sobreviveram, no entanto, ambas ilegítimas e reconhecidas pelo pai posteriormente. Em 1829, mudou-se para São Paulo onde, em 1834, casou-se novamente e teve mais seis filhos, dos quais dois faleceram. Na última fase de sua vida, a casa da Marquesa tornou-se o centro da sociedade paulistana, animada com bailes de máscaras e saraus literários. Domitila ficou conhecida como mecenas das artes, devota e caridosa, procurando socorrer os desamparados, protegendo os miseráveis e famintos. Faleceu em 3 de novembro de 1867.

A ópera
Para compor sua ópera, Ripper criou um tecido dramático baseado nas cartas trocadas entre Dom Pedro e Domitila compiladas no livro “Cartas de Pedro I à Marquesa de Santos”, por Alberto Rangel. Apenas uma ária possui texto do próprio compositor. Entre algumas das cartas enviadas ao imperador, uma foi transformada por Ripper na derradeira ária de sua ópera, por trazer o adeus comovido da marquesa.
A ópera de câmara para soprano, piano, violoncelo e clarinete conta o último dia da Marquesa de Santos na corte – o dia em que ela escreve sua última carta a Pedro I, pois as regras da Casa dos Bragança impuseram ao jovem imperador e viúvo uma nova esposa, não a que ele desejava e sim outra escolhida, D. Amélia, de estirpe real. Num trabalho de intensa dramaturgia, Ripper traz à tona a emoção de Domitila, quando, entre seus pertences, encontra um maço de cartas que passa a ler, e começa a reviver os sentimentos contraditórios que marcaram os momentos em que viveu ao lado de D. Pedro I.

Neti Szpilmann
Natural do Rio de Janeiro, a soprano Neti Szpilman estudou Canto com Richard Reiß, na Freiburg Musikhochschule (Alemanha) e com Elena Konstantinovna (Russia). Como solista atuou em diversas óperas como: Domitila, de J. G. Ripper, As Bodas de Fígaro, de Mozart, The Médium, de Menotti, Turandot, Pucini, Electra, Strauss, Viúva Alegre, de Franz Lehár, Cavaleria Rusticana, de Mascagni, Norma, de Bellini, Carmen, de Bizet, La Traviata, de Verdi, entre outras.
Cantou em diversos concertos e espetáculos em turnês pelo país como Lendas, Batuques e Serestas: uma Identidade Brasileira, A Canção Russa, Um Encontro Com Chiquinha Gonzaga, É Luxo Só – 100 anos de Ary Barroso, Cartas Portuguesas, Brincando de Ópera. Participou do Primeiro Festival Internacional de Mulheres Compositoras e da Primeira Audição de Composições Brasileiras da série Palavras Brasileiras. Em Israel, participou do Festival de Verão de Jerusalém, cantando árias e canções de Carlos Gomes. No Instituto Goethe, em Freiburg apresentou-se com composições de Villa-Lobos e Carlos Gomes. Integra o Coro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Tarcyla Perboire
Tarcyla é bacharela em Canto Lírico pela UFPE. Estudou com Marcia Rangel, Adalgisa Marques, Geni Katz, Virgínia Cavalcanti e Adriano Pinheiro. Integra os coros Contracantos e Opus2, ambos sob a regência de Flávio Medeiros, contando com participação nas obras Messiah, de Händel, o Requiem, de Mozart, a cantata Carmina Burana, de Carl Orff, A Grande Missa Nordestina de Clóvis Pereira, Nona Sinfonia de Beethoven, com a Orquestra Sinfônica de Recife e sob a regência do maestro Marlos Nobre.
Atuou como solista na obra Magnificat em Ré Maior de J. S. Bach, sob a regência de José Renato Accioly e da Grande Missa Armorial de Capiba. Ainda como solista, interpretou “Lola” em Cavalleria Rusticana de P. Mascagni, “Frasquita” em Carmen de G. Bizet, a “1ª Dama” em Die Zauberflöte de W. A. Mozart, “Lauretta” em Gianni Schichi de G. Puccini, “Lucy” em O Telefone de G. Menotti e, sob a regência de Marcelo Fagerlande, “Belinda” em Dido and Aeneas de H. Purcell e “Sereia” em O Pescador e Sua Alma de Marcos Lucas.

Antônio Nigro
Realizou recitais em várias cidades da Alemanha entre 1998 e 2010, onde pôde difundir e disseminar o gosto pela música brasileira para piano, trazendo aos ouvintes uma nova faceta de seu país, o Brasil. Nigro em 2012 percorreu a América Central, Europa e Ásia por convite do Ministério de Relações Exteriores – Itamaraty – com o Duo Viola e Piano (Sávio Santoro e Antônio Nigro). Constituiu um duo Violino e Piano com a violinista Nadine Pauli, realizando Recitais por várias cidades da Saxônia e Anglo-Saxônia. Mais recentemente, dedicou-se à música para Violoncelo e Piano, com o Duo Pedro Huff e Antônio Nigro, envolvendo um repertório composto por obras representativas para essa formação. Como solista, trabalhou com a Orquestra Sinfônica da Paraíba, a Medizinisches Orchester, a Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Pernambuco, Orquestra Criança Cidadã e com a Orquestra do Alto do Céu.

Gueber Santos
Natural de Recife – PE, é Doutorando e Mestre em Execução Musical (Clarineta) pela Universidade Federal da Bahia, sob a orientação do Dr. Pedro Robatto (2012); licenciado “cum laude” em Música pela Universidade Federal de Pernambuco (2008); formado pela Escola Técnica Estadual de Criatividade Musical – PE (2002); e formado pelo Conservatório Pernambucano de Música (2002), além de haver recebido valiosas aulas do clarinetista Carlos Rieiro pelo Curso de Extensão da Universidade Federal da Paraíba (2004-2005).
Músico Titular da Orquestra Sinfônica do Recife (OSR) desde 2003, possui experiência na área da performance orquestral, operística, camerística e como solista. Atualmente, além das atividades da OSR, é professor de Música do ensino básico, técnico e tecnológico pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE), no qual desenvolve atividades de extensão, pesquisa e docência; atua como músico convidado no festival Virtuose (PE); e integra o Camará Ensemble (Conjunto de Câmara da UFBA), grupo destinado especialmente à música contemporânea de concerto de compositores brasileiros. Como pesquisador, possui artigo publicado nas revistas Per Musi(UFMG) e Caravana (IFPE).

Pedro Huff
Brasileiro, natural de Porto Alegre, Pedro Augusto Huff é atualmente professor de violoncelo no Departamento de Música da Universidade Federal de Pernambuco. Concluiu seu bacharelado em violoncelo na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, seu mestrado na University of Tennessee- Knoxville, em 2007, e seu doutorado na Louisiana State University, em 2013, sob a orientação de Dennis Parker. Desde que veio morar em Recife, em 2013, pesquisa intensamente maneiras de recriar a música pernambucana nas cordas friccionadas, através de sua banda com violoncelo amplificado, guitarra e bateria: Freveribe, e também do duo que mantém com a violinista Paula Bujes, com a qual desenvolve essa pesquisa empírica e artisticamente. Teve diversas obras já estreadas para violoncelo solo, violino solo e música de câmara. Gravou o CD “Pedro Huff: Música para Violoncelo” em 2011, no qual interpreta suas próprias composições para violoncelo solo, e tem diversos videos publicados na internet de apresentações ao vivo tanto de suas peças como de obras de compositores consagrados no canal do youtube “Paula Bujes e Pedro Huff”.

Luiz Kleber Queiroz
É professor de Canto do Departamento de Música da UFPE, tendo concluído Mestrado pela UFPB e Graduação pela UFRJ. Cursou a formação profissional de atores da Casa das Artes de Laranjeiras (RJ). Integrou, por 15 anos, o Coro do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e o Quarteto Colonial, grupo vocal com o qual se apresentou por todos os estados do país e no Chile, Bolívia e Portugal. Atualmente atua junto ao grupo vocal Contracantos, sob direção de Flávio Medeiros. Recebeu o prêmio de melhor ator coadjuvante no XVIII Festival Nacional de Teatro de São José do Rio Preto/SP pela peça O Menino Detrás das Nuvens.
Cantou em inúmeras montagens de óperas e concertos e dirigiu cenicamente as óperas As Bodas de Fígaro, de Mozart; O Telefone, de Menotti; o Musical É Luxo Só e o espetáculo Povo Brasileiro: Cantos do Nordeste, com o qual viajou em turnê por cidades Francesas em 2016. Em 2010 foi agraciado pelo Prêmio Funarte: Circuito de Música Clássica, pela presente montagem da ópera Domitila tendo realizado turnê por Porto Alegre/RS, Joinville/SC, Cuiabá/MT, Campo Grande e Dourados/MS. A montagem foi reapresentada em 2013, no IV Festival Internacional de Música de Campina Grande/PB, e no Teatro Municipal de Niterói/RJ.

Elenco / músicos
Neti Szpilmann – Domitila, a marquesa de Santos (dias 01 / 03 / 09 / 11)
Tarcyla Perboire – Domitila, a marquesa de Santos (dias 02 / 04 / 08 / 10)
Antônio Nigro – piano
Gueber Santos – Clarinete
PedroHuff – Violoncelo
*A cantora Neti Szpilmann foi gentilmente cedida pela Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Ficha Técnica
Idealização: Luiz Kleber Queiroz
Elaboração do Projeto e Coordenação Geral: Maria Aída Barroso
Direção Musical: Antonio Nigro
Direção Cênica: Luiz Kleber Queiroz
Direção de Movimento: Marisa Avellar
Cenário: Thiago Luna
Figurino: Marcondes Lima
Direção de Arte: Marcondes Lima
Iluminação: João Guilherme de Paula
Maquiagem: Geraílton Sales
Audiodescrição: Acessibilidade Comunicacional – Liliana Tavares
Assessoria de Imprensa: Mila Portela/VERBO Assessoria
Designer Gráfico: Letícia Matos / Azul Pavão
Produção: Aymara Almeida e Alice Alves


SERVIÇO

Ópera “Domitila”, de Guilherme Ripper
Dias 01, 02, 03, 04, 08, 09, 10 e 11 de dezembro
Teatro Hermilo Borba Filho (R. do Apolo, 121 – Recife)

Fonte:  http://www.movimento.com/

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