LUIZA YUK BRILHA COMO JULIETA PELA SÃO PAULO CIA DE DANÇA. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA & BALLET.

   


   Abrindo a temporada no Teatro Sérgio Cardoso a São Paulo Cia de Dança apresentou um balé de seu repertório, Romeu e Julieta de Giovanni di Palma com música de Sergei Prokofiev. O público paulistano pode rever a inspirada versão dançante dos amantes de Verona que estreou em 2013. Uma das coisas interessantes da SPCD é a manutenção de um repertório, pena que os demais teatros de ópera nacionais não sigam por esse caminho.
     A música de Prokofiev para esse título não é das mais inspiradoras, em muitas passagens chega a ser chata mesmo com temas que dão dor de cabeça. Corretamente foram tiradas diversas partes fazendo o enredo ter noventa minutos, isso proporciona uma dinâmica ágil ao libreto e dá velocidade a história.
   Os cenários e figurinos de Jérôme Kaplan transportam para a Idade Média, Verona com cara de cidade antiga. Mudanças rápidas de cena e tons pasteis criam uma atmosfera adequada ao libreto. A luz impecável de Udo Haberland realça as cores e provoca sensações que se adaptam as cenas. 
   Giovanni di Palma optou por passos simples, deixando a dificuldade técnica para os solistas nos dois pas de deux. Sua visão mostra as diversas facetas da obra, com alegrias e dramas correndo lado a lado. A simplicidade dos movimentos aproximam o espectador com o drama original de Shaekespeare, seus personagens são humanos, vivos e dinâmicos.

   A  coreografia do primeiro ato não permite explosões cênicas do casal apaixonado, o amor não fica no ar, apenas a técnica da dança é exaltada. Luiza Yuk como sua colega da estreia Luiza Lopes fez um primeiro ato frio, não por culpa delas e sim pela coreografia. Yuk fez o melhor segundo ato de sua vida , mostrou uma explosão amorosa juvenil e dançou com expressividade contagiante. Interpretou uma Julieta ingênua que no decorrer das cenas cresce ganhando maturidade. Sua dança mostra diversas facetas que vão da paixão para a tristeza em passos, gestos e expressões que casam com a cenas.
   Lucio Kalbusch repetiu o desempenho de 2013 sem mais nem menos. Seguro nos passos com grau de dificuldade técnica elevada beneficiando a performance da parceira. Destaque positivo é a sincronia perfeita nos números dos bailarinos comprimários, todos com excelente técnica. 
   A primeira obra narrativa da Cia é reapresentada com excelência técnica e qualidade de nível internacional. Uma montagem que pode e deve ser apresentada em diversos teatros nacionais.
Ali Hassan Ayache

Luiza Yuk, foto Internet.        

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