O BLOG DE ÓPERA & BALLET ENTREVISTA STEFAN GEIGER, MAESTRO TITULAR DO II FESTIVAL DE ÓPERA DO PARANÁ.

 

Stefan Geiger recebeu formação musical em Colonia, Trossingen, Bremen, Paris e Philadelphia. Foi bolsista da “Studienstiftung des deutschen Volkes” e ganhou prêmios em diferentes concursos internacionais: 1989 no Concurso Internacional do Festival de Música de Toulon; 1992 no concurso do Festival da Primavera de Praga.
   Geiger começou a carreira como trombonista solo na Ópera Estadual da Bavária, em Munique. Pouco depois ele foi para a Orquestra Sinfônica da Rádio da Alemanha do Norte (NDR), em Hamburgo, também como trombonista solo. Mais tarde foi convidado para uma cátedra para trombone e música de câmara pela Escola Superior de Música e Teatro de Hamburgo.
   Em 1996, após terminar os estudos de maestro de orquestra, assumiu a direção artística da Orquestra de Jovens do Estado de Bremen como maestro titular. Em 2002 lhe foi confiada a direção da orquestra universitária da Escola Superior de Artes, em Bremen. Dentre as orquestras com as quais ele trabalhou estão a do Festival de Orquestra Schleswig-Holstein, Ensemble Resonanz, Filarmônica de Würzburg, Os Sinfônicos de Nuremberg, Deutsche Kammerphilharmonie Bremen, Orquestra Jovem da Romênia, Filarmônica do Estado da Transilvânia e Orquestra de Câmara da Cidade de Curitiba. Geiger é convidado permanente Orquestra Sinfônica da NDR, em Hamburgo. Ele rege concertos com acompanhamentos orquestrais de filmes mudos como “O Artista” (Michel Hazanavicius, 2012) , “Ben Hur” (Fred Niblo, 1925), comédias de Buster Keaton e dramas como “O encouraçado Potemkim (1925, Serguei Eisenstein)”. Obras assim deixam o público entusiasmado, pois é pouco comum, nos dias de hoje, assistir a junção de orquestra ao vivo e cinema.
   A atenção do maestro está tanto para a interpretação do repertório básico de sinfonia como pela busca do novo: Geiger é um dos fundadores e presidente do Júri do “German Music Award”, concurso em cooperação com a Radio Bremen que, cada dois anos, oferece um fórum para jovens que compõem músicas para videogames. A ideia teve repercussão na internet e fez do Internet Stream de 2012 uma das mais procuradas contribuições no “Art Live Web”.
   Em 2015, Geiger viajou para a Romênia onde apresentou o “Cavaleiro da Rosa”, de Strauss, com a Orquestra da Rádio Nacional, em Bucareste, e em outro concerto regeu a música do filme “A Caixa de Pandora”, de G. Papst. No ano passado ele também regeu sete concertos na China, incluindo as cidades de Pequim e Xangai. Em 2016 dá continuidade ao projeto musical na Ásia. A Orquestra Sinfônica do Paraná nomeou Stefan Geiger como maestro titular da temporada 2016.

Blog: Stefan Gieger, qual motivação para reger "O Franco Atirador" de Carl Maria Von Weber no Paraná, uma ópera praticamente desconhecida dos brasileiros?

   Stefan Gieger: Você está certo: Eu fiquei muito surpreso de saber o quão pouco conhecido é o Franco-Atirador no Brasil! Por outro lado, eu me sinto muito honrado de poder trazer esta obra, que é um importante pilar na História da música alemã, para Curitiba.
O Franco-Atirador é popularmente conhecido como ''a primeira opera nacional da Alemanha''. Com o seu grande sucesso, ela abriu espaços para compositores como Wagner e Strauss.

Blog: Como você avalia o nível técnico dos músicos brasileiros?

Stefan Geiger: Nós não vamos ter uma apresentação cênica. Porém, temos muita sorte de encontrar uma versão que torne a nossa ''italiana'' legítima. Nós retiramos todos os textos originais que são talvez um pouco românticos ou antiquados demais para nós atualmente, e colocamos os monólogos do próprio ''demônio'' que dão um grande contraste e adicionam uma nova perspectiva para uma história assustadora sobre o amor e a morte.

Blog: O nível técnico da montagem está de acordo com suas expectativas?

    Stefan GeigerNós não vamos ter uma apresentação cênica. Porém, temos muita sorte de encontrar uma versão que torne a nossa ''italiana'' legítima. Nós retiramos todos os textos originais que são talvez um pouco românticos ou antiquados demais para nós atualmente, e colocamos os monólogos do próprio ''demônio'' que dão um grande contraste e adicionam uma nova perspectiva para uma história assustadora sobre o amor e a morte.

Blog: Como você avalia solistas locais cantando em alemão, existem dificuldades quanto a pronúncia ou dicção?

   Stefan Geiger: Isto foi surpreendente para mim: nós fizemos uma audição para cantores e foi inacreditável o quão boas são as vozes que pude ouvir aqui em Curitiba. Tenho certeza que a pronúncia em alemão é muito difícil para alguns deles, mas de qualquer maneira, nós vamos ter legendas disponíveis ☺️

Blog: No Theatro Municipal de São Paulo tivemos um Otello de Verdi dirigido por Del Monaco, que se passava no espaço sideral. Você é a favor de montagens que fazem transposições temporais?

   Stefan Geiger: Veja bem, existem alguns pontos de como desenvolver uma nova produção de opera. Eu não vi esta produção em São Paulo, porém assisti muitas óperas onde o cenário foi modificado para algo que facilitasse a compreensão das ideias por trás da obra, e tal fato proporciona um efeito incrível. Mas – eu também estou ciente - de que isto só funciona se a motivação for essa mesmo.

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