CULTURA X ENTRETENIMENTO. O CASO THEATRO MUNICIPAL DO RJ. ARTIGO DE RICARDO TACUCHIAN NO BLOG DE ÓPERA & BALLET.



Theatro Municipal do Rio de Janeiro se esforça para popularizar o seu palco e cada vez afasta mais os jovens da música de concerto
Parodiando o marqueteiro de Bill Clinton, James Carville, que afirmou “é a economia, estúpido!”, eu diria que o marketing suicida de vulgarizar os espaços destinados à música erudita com música de outras concepções “é o mercado de trabalho, estúpido!”. Agora está na moda “popularizar” os poucos espaços e as poucas verbas que existem para a música clássica com músicos populares e arranjos medíocres de obras históricas. É engraçado verificar que, de repente, todos os músicos populares afirmam que “sofreram influência de Villa-Lobos” e, portanto, podem disputar os espaços que tradicionalmente se destinam à música clássica. Trata-se de uma estratégia que resulta, ainda mais, no afastamento do público da música histórica, contemporânea ou de invenção vanguardista. Está se criando hordas de jovens alienados destes valores, e exércitos de compositores clássicos sem oportunidade de mostrar suas criações e excelentes instrumentistas, jovens solistas, que levaram 8 a 10 anos para ser formarem, maestros que estudaram no exterior, ótimos cantores líricos que só podem cantar no banheiro ou conjuntos camerísticos que não têm oportunidade de apresentar o seu trabalho, o seu projeto, a sua arte, a sua ação educativa.
Tudo isso vem de uma filosofia de botequim que afirma, ad nauseum, que “não existe diferença entre música clássica e música popular, mas entre música boa e música ruim”. Eu diria que existe diferença entre música popular boa e ruim ou entre música clássica boa e ruim.
A popularização da música clássica não pode ser pela sua substituição por artistas populares, por mais competentes e criativos que eles sejam. O caminho é outro. Não podemos confundir arte com entretenimento, embora ambas as manifestações sejam importantes: “cada macaco no seu galho”.
Agora esta tendência está na moda em várias secretarias de cultura, festivais de música clássica em Museus e Universidades e em teatros de ópera. Todos têm a liberdade de trabalhar com curadorias de acordo com sua filosofia ou seu interesse comercial, mas não podem impor esta política quando se trata de órgãos e verbas públicas. Por que cachês grosseiramente diferenciados entre uma categoria e outra? Por que restringir os espaços que já são tão limitados?
A última novidade é a atração, nos palcos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, do excelente e simpático Michel Teló, que vem fazendo grande sucesso nos programas do Faustão, com um evento de Música Sertaneja.
Por favor, podem discordar, mas não me tachem de preconceituoso, reacionário ou elitista.
Ricardo Tacuchian

Comentários

  1. Acredito que isso é uma via de mão dupla: muitos musicos eruditos também incorporaram arranjos e música popular que tocam com refinamento com o objetivo de ampliar o seu "mercado"

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