MARATONA VILLA-LOBOS NO THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA & BALLET.

  

 Assisti a maratona Villa-Lobos com suas nove Bachianas no Theatro Municipal de São Paulo no dia 05 de Março do ano corrente. A apresentação homenageia os 130 anos de nascimento do compositor e é uma rara oportunidade de ouvir o conjunto todo em um único dia.
   As nove Bachianas mostram as diversas facetas de um dos maiores compositores brasileiros. Compostas entre 1930 e 1945 são inspiradas, como diz o próprio nome em Bach, e tem na sua música temas brasileiros. Folclore, sertão, temas urbanos e principalmente cariocas estão inclusos em diversos movimentos.
   Compostas em longo período e para as mais diversas formações orquestrais as Bachianas são uma apropriação da música de Bach a serviço do ideário nacionalista de modernidade e identidade musical. Esses elementos conduzem a uma síntese musical que dialogam com elementos musicais distintos levando a ideia de unificação nacional. Toda a diversidade musical brasileira apresentada nas nove peças ajuda a criar uma identidade nacional nas décadas em que vivia o compositor e posteriormente.
   Musicalmente oscilam entre a genialidade e o comum: obras primas com inspiração única ( 2,3,4 e 5), uma com escrita orquestral imprecisa e sem inspiração ou acabamento refinado, parece ter sido compostas as pressas (8). Música comum e não tão inspirada (1,6,7 e 9).
  Administração nova, vida nova e novas ideias sendo implantadas. Colocar o ingresso único a dez reais no Domingo é a maneira correta de popularizar o TMSP. Dar um biz e deixar a galera fotografar e filmar a vontade para postar nas redes sociais é uma ideia que vem de encontro ao modismo atual. O prefeito de São Paulo esteve presente, João Doria é diferente de seus antecessores. Antes prefeitos ficavam no camarote com vários seguranças parrudos e com cara de poucos amigos vigiando, não se podia nem chegar perto deles. Doria ficou na plateia, no meio da galera distribuindo sorrisos e fazendo selfies com espectadores. Como tem papagaio atrás de um prefeito.
   A Orquestra Sinfônica Municipal regida por Roberto Minczuk esteve em alto nível em quase todas as nove Bachianas. O regente extraiu sonoridade limpa e pulsante, gestos precisos em uma leitura que contempla a sonoridade devido aos andamentos corretos. O homem entende de música clássica, falta saber se terá o mesmo desempenho quando começarem as óperas.
   A Bachiana número 3 é para piano e orquestra, o pianista Jean Louis Steuerman solou impondo graves impactantes ao tema do primeiro movimento, Prelúdio(Ponteio). Dialogou com a orquestra que executa o tema principal com correção. Os contrastes entre orquestra e solos apareceram com nitidez. Na Fantasia (ou Devaneio) exibiu grande virtuosismo no solo. Na parte final explorou com riqueza o sentimentalismo das modinhas. 
   Cantar em português não é das tarefas mais fáceis e gera dois problemas: o português não é uma língua musical para o canto lírico. Todos os cantores aprendem a cantar em outras línguas, sempre começam pelo italiano, trafegam pelo alemão e chegam ao francês. Raras são as peças em português. 
  Dito isso afirmo que o soprano Laura Duarte, cantora advinda do Opera Studio ( projeto da Escola Municipal de Música, que prepara, de forma gratuita, jovens cantores líricos) esteve em nível vocal condizente e elevado para a Bachiana número 5. Nos dois movimentos Laura Duarte esbanjou uma voz com um timbre que vai do delicado ao vigoroso com facilidade. As melodias saem fácil, dotada de uma dicção boa conseguiu se fazer entender. Emissão de notas correta e um timbre cristalino fez da apresentação do soprano ser de alta qualidade do início ao final da Bachiana.  
    A indumentária do soprano foi produzida pela Central de Figurinos do TMSP e mais uma vez é inspirada na década de 20. Já que compositor participou da semana de arte de 1922 realizada no palco do próprio teatro. Na rede social somos informados que as cores são o clássico preto e branco dos anos 20, embora a modelagem dos figurinos siga o padrão dos anos 50, já que esta é mais apropriada ao corpo da cantora. Confuso isso! Daqui a pouco viro crítico de moda. Dessa vez a roupa esteve adequada e condizente, embora as vestimentas da moça usadas no Domingo parecessem fantasia de uma aluna colegial, se a saia fosse mais curta viraria fetiche e deixaria a macharada excitada.
Ali Hassan Ayache 


Soprano Laura Duarte, foto José Eduardo Gagliardi Florence.  



Theatro Municipal de SP, foto Internet.
     

Comentários

  1. último comentário totalmente desnecessário, de extremo mal gosto e machista..

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  2. Quanta abobrinha. BACHIANA 8 parece que foi escrita às pressas? BACHIANA 7 não tão inspirada? Da para ver que esse senhor entende muito de Música!!!

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  3. Dizer que as Bachianas 7 e 9 são menos inspiradas é no minimo leviano. A 7 talvez seja a obra mais bem resolvida do compositor em termos técnicos de orquestraçao (alem de possuir belas melodias). E a 9 encerra o ciclo com louvor evocando os preludios e fugas peculiares da época.

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  4. Para quem não entende muito do assunto, a critica dá pró gasto. Parabéns ao autor pelo esforço.

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  5. Para quem não entende muito do assunto, a critica dá pró gasto. Parabéns ao autor pelo esforço.

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