CARTA ABERTA À SANTA MARCELINA CULTURA, NOVA GESTORA DO THEATRO SÃO PEDRO/SP.



São Paulo, 01 de maio de 2017.
Nós, abaixo assinados, frequentadores do Theatro São Pedro e entusiastas do trabalho lá desenvolvido, damos as boas-vindas à Santa Marcelina Cultura, que passa, a partir deste dia, a administrar nosso querido teatro, a casa de ópera do Estado de São Paulo. Nos últimos anos, pudemos acompanhar o desenvolvimento artístico do teatro, que passou a contar com um corpo estável, com uma Orquestra especializada em ópera, cuja sonoridade se aprimora a cada récita, e com uma Academia de Ópera. É o único teatro de ópera com essas características em todo o nosso país. Entre o fim de 2015 e o início de 2016, pudemos ver o grau de profissionalismo que, com verba e apoio, a equipe pode atingir com as óperas “Oedipus Rex”, de Stravinsky, e “Dom Quixote”, de Massenet, eleita pela APCA a melhor ópera de 2016 e capa da revista italiana L’opera. O ano de 2017, ano do centenário do teatro, foi até agora marcado por incertezas e dificuldades financeiras. Mesmo assim, com dedicação e criatividade, a equipe do São Pedro, encabeçada pelos maestros Luiz Fernando Malheiro e André dos Santos e pelo assessor artístico e coordenador pedagógico Paulo Esper, conseguiu apresentar três óperas de boa qualidade, as únicas que a cidade de São Paulo pôde assistir neste ano, todas com cantores do corpo estável do teatro e da academia. Dessas óperas, há que se ressaltar, duas foram estreias mundiais: “O Espelho”, ópera brasileira de Jorge Antunes com libreto de Jorge Coli e “Il Noce di Benevento”, ópera de câmara de Giuseppe Balducci (1796-1845). A terceira, “Gianni Schicchi” de Puccini, é uma obra prima conhecida do grande público. Foi com essa última que, com casa lotada e aplausos calorosos, que a atual direção encerrou seu ótimo trabalho sob a gestão do Instituto Pensarte.
Nos concertos e óperas, temos acompanhado a evolução dos cantores formados pela academia, que têm apresentado uma contínua evolução técnica e aprimoramento cênico. Formação e atuação, escola e trabalho, é o que o São Pedro têm oferecido a instrumentistas, cantores e cenógrafos dispostos aos desafios oferecidos pelo mundo da ópera, esse apaixonante mundo que integra diversas artes, diversas habilidades, diversas pessoas. É, sem dúvida, um projeto ímpar no Brasil, que deve ser valorizado, preservado com carinho e aprimorado.
O trabalho dedicado da equipe do São Pedro sob Paulo Esper o os maestros Malheiro e André dos Santos e o calor humano dos cantores e diretores conquistou público de todas as idades e classes sociais. O que se vê na plateia, quase sempre lotada, é um público empolgado, encantado, descontraído e repleto de jovens que estão descobrindo a ópera. Com competência e sem precisar de artifícios, a equipe artística do São Pedro soube cativar os amantes de ópera, tanto novos quanto os veteranos.
É por tudo isso que nos dirigimos à Santa Marcelina Cultura, cuja gestão da EMESP e da Orquestra Jovem do Estado também merece a nossa admiração, para solicitar que mantenha os quadros do Theatro São Pedro. Vivemos num país em que, lamentavelmente, cada mudança de gestão ou governo significa um recomeço, e assim nada se solidifica. Acreditamos que a continuidade é um pré-requisito para o amadurecimento e aprimoramento de qualquer trabalho. Esperamos que a Santa Marcelina Cultura dê valor ao trabalho realizado pelos maestros Luiz Fernando Malheiro e André dos Santos e pelo assessor artístico Paulo Esper, que aproveite o conhecimento e a prática que adquiriram durante esses poucos e frutíferos anos de trabalhos e recompense os bons resultados de seus esforços com a oportunidade de que continuem a formar artistas e a brindar São Paulo com bons espetáculos.
Fabiana Crepaldi Pereria.
Link para o Abaixo-Assinado: Abaixo-assinado à Santa Marcelina Cultura

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