O IMPACTANTE "O LAGO DOS CISNES" PELA SÃO PAULO CIA DE DANÇA. CRÍTICA DE ALI HASSAN AYACHE NO BLOG DE ÓPERA & BALLET.

    


   A São Paulo Cia de Dança faz o óbvio, e esse obviedade é tão ululante, como dizia Nelson Rodrigues, que muitos teatros não fazem. A melhor trupe de dança de São Paulo tem diversas montagens em seu repertório e ao longo dos anos essas vão sendo reapresentadas em suas temporadas regulares. Pena que esse óbvio ululante não é seguido pelos teatros líricos, onde as produções são apresentadas e depois se estragam ou somem em algum depósito. 

   Outro destaque da SPCD é o ecletismo: em seu repertório desfilam diversos tipos de coreografias, essas vão do balé clássico a dança contemporânea. Antenada com as mais modernas companhias de dança do mundo.

   "O Lago dos Cisnes" fechou a primeira parte da temporada 2022. Sabemos que este balé é garantia de casa cheia e espectadores brigando por ingressos. Não é fácil montá-lo. Unir as lindas melodias de Tchaikovsky com dança de excelência é para poucos. 

   O universo da história faz as pessoas viajarem para outras dimensões. Melodias agradáveis do início ao fim, um príncipe mauricinho apaixonado, cisnes que flutuam no palco, feiticeiro que tem um tema musical famoso e toda a magia dos contos de fadas são alguns dos ingredientes que fazem o balé "O Lago dos Cisnes" ser sucesso há mais de cem anos.

   A produção apresentada segue o roteiro clássico onde os cenários de Marcos Lima são grandiosos e de beleza ímpar, casam harmoniosamente com o libreto e transportam o espectador para um universo de magia. A coreografia de Mario Galizzi a partir de Marius Petipa é didática, apresenta as cenas de forma a fazer a plateia entender o enredo. O figurino de Fabio Namatame e Tânia Agra tem um colorido único que realça a beleza cênica. A luz de Wagner Freire é esplendida e harmoniosa em sua concepção.

   O corpo de baile mostrou maturidade para um balé clássico, mesmo desfalcado de alguns bailarinos, conseguiu uma apresentação condizente e de bom nível. Coeso, simétrico e com ritmos quase perfeitos. A música gravada esteve em volume e sonoridade compatível.

   Carolina Pegurelli dançou de forma magnífica. Postura firme como Odette/Odile, exprimiu toda a paixão da personagem no segundo e quarto ato. Sobraram qualidades como simetria perfeita e um poder de equilíbrio aliado a uma técnica impecável. Mudou completamente de temperamento e personalidade no terceiro, fazendo uma Odile maléfica, enérgica e com poder de enfeitiçar o príncipe. Fouttés espetaculares. 

   Yoshi Suzuki dança um príncipe Siegfried de forma viril, sendo um bom parceiro para a protagonista. Amparou a colega com elegância e coesão. Frappés, rotações e giros comuns. Um bom príncipe, mas nada excepcional.

   Destaque da récita foi Hiago Castro, seu Bufão ou Bobo da Corte teve saltos elevados ao limite, acrobáticos e ágeis. Correu todos os riscos possíveis, entregou uma apresentação inesquecível. Grande bailarino. 

   O Barão Von Rothbart ou Feiticeiro para os íntimos trouxe qualidade cênicas impressionantes. Dançou com estilo firme e elegante. O que o prejudica é o figurino, este poderia ser mais maléfico, é a primeira vez que vejo um feiticeiro com aspecto de gente boa. Minha filha de um ano e meio seria capaz de brincar e sorrir para ele.

Ali Hassan Ayache 


Foto :  Marcelo Machado

   

Comentários

  1. Uma comentário , desnecessário..A obra é linda. Creio eu que todos os envolvidos deram seu máximo de si próprios. Parabéns ao corpo de balé , que veio trazer luz a ess cidade ,num mundo de pouco valores morais e culturais nestes momentos difíceis. Contemplar o belo

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas