HONEGGER: SINFONIA N. 3 LITÚRGICA
Aqui não apenas estamos diante de todo o virtuosismo da Filarmônica de Berlin em 1969, mas de uma interpretação dramática de uma sinfonia de guerra. Qualquer pessoa inclinada a ver Karajan como um regente meramente interessado no esplendor sonoro, deveria conhecer essa façanha para perceber o quão expressivo Karajan podia ser.
RESPIGHI: PINI DI ROMA
Gravação com a Philharmonia em 1958. Destaca-se o ouvido fenomenal do diretor para equilibrar os diversos naipes. Pode-se dizer que aqui o maestro controla perfeitamente o peso de cada instrumento dentro do conjunto. Deixa uma verdadeira lição de balanceamento orquestral.
LISZT: MAZEPPA.
Aqui Herbert von K deixa de lado sua obsessiva preocupação em polir o som da Filarmônica de Berlin, ele de fato se entrega ao turbilhão da música. Os metais estão muito sem vergonha, embora a percussão se mostre um pouco recuada, como costuma acontecer com esses intérpretes. Impressão geral de escândalo.
VERDI: FALSTAFF
Escutamos um tal cuidado com a enunciação do texto, o peso certo e a expressão adequada que se deve dar a cada palavra. Giuseppe Taddei exemplifica essas qualidades citadas no papel do protagonista. Rolando Panerai está nas duas gravações realizadas por Karajan de Falstaff interpretando Ford, merecidamente. Os jovens amantes aqui Francisco Araiza no início da carreira em 1980, perfeito e Janet Perry, uma cantora um tanto desinteressante, mas nessa ocasião no seu melhor momento. Raina Kabaivanska por outro lado teria já passado nessa altura de sua melhor época, o que não é o caso de Christa Ludwig, cuja voz um tanto madura se adapta bem ao papel de Quickly. Gloriosa Filarmônica de Viena.
WAGNER: CICLO DO ANEL
A proposta de um Wagner íntimo diferente de todos os outros regentes. Transparência de texturas e algumas vozes um tanto leves para esse repertório, como Regine Crespin, Fischer-Dieskau, Gundula Janowitz, Helge Brilioth e Oralia Dominguez. Karajan quer nos mostrar o quanto Wagner é muito mais um compositor capaz de infinitas sutilezas, do que um mero criador de tempestades e terremotos orquestrais. Totalmente gravado na Jesus Christus Kirche, talvez a acústica preferida de Karajan.
WEBERN: 6 PEÇAS PARA ORQUESTRA
Parte de uma série dos anos 70 de obras de Webern, Schoenberg e Berg bancada inteiramente com dinheiro do próprio diretor estrela. Nesse caso outros grandes expoentes desse repertório como o expressionista Sinopoli, quanto o analítico Pierre Boulez, não defenderam essas criações revolucionárias com tanta eloquência. Karajan procura-se demonstrar o quanto essa música é atmosférica e expressiva, para ele tudo isso é romantismo tardio e essa abordagem pode surtir resultados bem convincentes nesse repertório.
HINDEMITH: SINFONIA MATHIS DER MALER
A batuta aplica o seu célebre legato e o resultado: perfeitamente clara apresentação das texturas polifônicas de Hindemith, a isto une-se cada linha melódica apresentada em estilo cantabile. Repertório proibido pelos Nazis, o que talvez se chocaria com a ascensão de Karajan sob esse regime, mas essa sua gravação em Berlin de 1957 é extremamente bem sucedida.
VERDI: UM BAILE DE MÁSCARAS
1989, última gravação de estúdio do maestro que nos ocupa, Filarmônica de Viena, um primor o cuidado com os fraseados e as dinâmicas. Plácido Domingo nos encantando com pianíssimos que eu nunca ouvi ele oferecer como nessa ocasião. Assombrosa Sumi Jo. Péssima Josephine Barstow, um dos erros de escalação que afligiam algumas das últimas gravações de von K.
BERLIOZ: SINFONIA FANTASTICA
Herbie nos deixou 3 gravações comerciais dessa peça e cada uma foi ficando melhor que a outra. Para se ter uma noção da evolução da carreira do regente, seria bom conhecer as 3 versões, uma com a Philharmonia e duas em Berlin, embora a última de 1975 seja a que a orquestra prussiana melhor se adaptou ao bizarro universo do autor francês, um tanto estranho aos músicos da tradição austro germânica.
Isaac Carneiro Victal.
Aqui não apenas estamos diante de todo o virtuosismo da Filarmônica de Berlin em 1969, mas de uma interpretação dramática de uma sinfonia de guerra. Qualquer pessoa inclinada a ver Karajan como um regente meramente interessado no esplendor sonoro, deveria conhecer essa façanha para perceber o quão expressivo Karajan podia ser.
RESPIGHI: PINI DI ROMA
Gravação com a Philharmonia em 1958. Destaca-se o ouvido fenomenal do diretor para equilibrar os diversos naipes. Pode-se dizer que aqui o maestro controla perfeitamente o peso de cada instrumento dentro do conjunto. Deixa uma verdadeira lição de balanceamento orquestral.
LISZT: MAZEPPA.
Aqui Herbert von K deixa de lado sua obsessiva preocupação em polir o som da Filarmônica de Berlin, ele de fato se entrega ao turbilhão da música. Os metais estão muito sem vergonha, embora a percussão se mostre um pouco recuada, como costuma acontecer com esses intérpretes. Impressão geral de escândalo.
VERDI: FALSTAFF
Escutamos um tal cuidado com a enunciação do texto, o peso certo e a expressão adequada que se deve dar a cada palavra. Giuseppe Taddei exemplifica essas qualidades citadas no papel do protagonista. Rolando Panerai está nas duas gravações realizadas por Karajan de Falstaff interpretando Ford, merecidamente. Os jovens amantes aqui Francisco Araiza no início da carreira em 1980, perfeito e Janet Perry, uma cantora um tanto desinteressante, mas nessa ocasião no seu melhor momento. Raina Kabaivanska por outro lado teria já passado nessa altura de sua melhor época, o que não é o caso de Christa Ludwig, cuja voz um tanto madura se adapta bem ao papel de Quickly. Gloriosa Filarmônica de Viena.
WAGNER: CICLO DO ANEL
A proposta de um Wagner íntimo diferente de todos os outros regentes. Transparência de texturas e algumas vozes um tanto leves para esse repertório, como Regine Crespin, Fischer-Dieskau, Gundula Janowitz, Helge Brilioth e Oralia Dominguez. Karajan quer nos mostrar o quanto Wagner é muito mais um compositor capaz de infinitas sutilezas, do que um mero criador de tempestades e terremotos orquestrais. Totalmente gravado na Jesus Christus Kirche, talvez a acústica preferida de Karajan.
WEBERN: 6 PEÇAS PARA ORQUESTRA
Parte de uma série dos anos 70 de obras de Webern, Schoenberg e Berg bancada inteiramente com dinheiro do próprio diretor estrela. Nesse caso outros grandes expoentes desse repertório como o expressionista Sinopoli, quanto o analítico Pierre Boulez, não defenderam essas criações revolucionárias com tanta eloquência. Karajan procura-se demonstrar o quanto essa música é atmosférica e expressiva, para ele tudo isso é romantismo tardio e essa abordagem pode surtir resultados bem convincentes nesse repertório.
HINDEMITH: SINFONIA MATHIS DER MALER
A batuta aplica o seu célebre legato e o resultado: perfeitamente clara apresentação das texturas polifônicas de Hindemith, a isto une-se cada linha melódica apresentada em estilo cantabile. Repertório proibido pelos Nazis, o que talvez se chocaria com a ascensão de Karajan sob esse regime, mas essa sua gravação em Berlin de 1957 é extremamente bem sucedida.
VERDI: UM BAILE DE MÁSCARAS
1989, última gravação de estúdio do maestro que nos ocupa, Filarmônica de Viena, um primor o cuidado com os fraseados e as dinâmicas. Plácido Domingo nos encantando com pianíssimos que eu nunca ouvi ele oferecer como nessa ocasião. Assombrosa Sumi Jo. Péssima Josephine Barstow, um dos erros de escalação que afligiam algumas das últimas gravações de von K.
BERLIOZ: SINFONIA FANTASTICA
Herbie nos deixou 3 gravações comerciais dessa peça e cada uma foi ficando melhor que a outra. Para se ter uma noção da evolução da carreira do regente, seria bom conhecer as 3 versões, uma com a Philharmonia e duas em Berlin, embora a última de 1975 seja a que a orquestra prussiana melhor se adaptou ao bizarro universo do autor francês, um tanto estranho aos músicos da tradição austro germânica.
Isaac Carneiro Victal.

Existem outras gravações extremamente bem sucedidas de Herbert von Karajan como duas empreitadas em estúdio abordando a Décima Sinfonia de Shostakovich, um lançamento da DG interpretando a Quinta de Prokofiev, as versões do início dos anos 70 de Assim Falou Zarathustra de Strauss e da Quinta de Mahler, um registro da Sinfonia Doméstica de Strauss pelo selo EMI com a Filarmônica de Berlin em Paris, os dois grandes sucessos operísticos veristas de Mascagni e Leoncavallo estrelados por Bergonzi, com os efetivos do teatro Scala de Milão, mas no caso dessa segunda listinha, existe um competição acirrada diante de várias outras interpretações igualmente excepcionais. Isso não pode-se dizer da primeira lista que apresentei, nesse caso Karajan enfrenta pouca competição no mercado fonográfico. Isaac Carneiro Victal.
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