MÚSICA , ÓPERA E BALLET: INDEPENDENTE

MÚSICA , ÓPERA E BALLET: INDEPENDENTE

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

CONCURSO OSPA VAI PREMIAR JOVENS COMPOSITORES

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Depois das etapas que selecionaram jovens solistas e regentes, Ospa irá revelar, pela primeira vez, jovens talentos da composição.

A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre está realizando a segunda etapa da 17ª edição do Concurso Ospa. Desta vez, serão premiados até três jovens compositores, com até 35 anos de idade, brasileiros ou estrangeiros, residentes no Brasil ou no exterior. As inscrições estarão abertas de 1º a 20 de março. O objetivo do concurso é oportunizar que novos compositores tenham sua obra divulgada e executada pela orquestra.
É a primeira vez que o concurso terá uma categoria destinada a compositores: “Estamos muito contentes por dar a oportunidade para novos compositores estrearem suas obras junto a uma grande orquestra, que é a Ospa. É uma forma de revelar novos talentos, incentivar a música orquestral e, principalmente, estimular o trabalho de jovens compositores”, afirma o diretor artístico da Ospa, maestro Tiago Flores.

Os candidatos poderão se inscrever diretamente na sede administrativa da FOSPA (Av. 24 de Outubro, 850 / 305 – Porto Alegre), ou via sedex.  Deverão ser entregues ou enviados no mesmo envelope três cópias impressas da partitura,  digitalizada em computador, da composição concorrente,  três CDs de áudio, com midi, onde conste título da obra,  minutagem e o ano de composição, a ficha de inscrição totalmente preenchida, onde consta  nome do proponente e título da obra proposta, declaração de liberação de direitos autorais assinada,  declaração  de ciência e concordância com regulamento do concurso, assinada e um breve currículo com foto.
A composição deverá ser inédita, não tendo sido estreada ou publicada até finalização do concurso, ter duração de 7 a 10 minutos e ser escrita para a formação orquestral da Ospa.
Serão duas etapas de seleção: fase eliminatória e final, que ocorre no dia 20 de abril. Os vencedores serão divulgados no site da Ospa.

Sobre o Concurso Ospa para jovens Solistas, Regentes e Compositores
O tradicional Concurso da Ospa é realizado há mais de 20 anos e já revelou inúmeros talentos da música que são conhecidos do público hoje. Alguns exemplos disso são o atual diretor artístico da Ospa, maestro Tiago Flores, que foi vencedor do concurso em 1988 e o regente do Coro Sinfônico da Ospa, maestro Manfredo Schmiedt. Além deles, o pianista Alexandre Dossin e o violinista Carmelo de los Santos – considerados grandes nomes da atualidade – foram premiados no Concurso.
O concurso dá a oportunidade para que jovens músicos se apresentem com uma orquestra – o que é muito difícil no início de carreira. É uma função cultural muito importante, pois releva talentos, abrindo espaço e projetando novos músicos no cenário” – afirma Tiago Flores.
Em 2011, o Concurso recebeu inscrições dos Estados Unidos, Europa e de diversos Estados do Brasil. De todos os inscritos, foram premiados 11 jovens músicos, entre solistas  instrumentistas, solistas vocais e regentes, das cidades Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo, Ribeirão Preto, Florianópolis, Porto Alegre e Santa Maria.
O regulamento do concurso e a ficha de inscrição estão no site da Ospahttp://www.ospa.org.br/?p=3841

Fonte: http://www.movimento.com/

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Paris é uma Festa! Manon de Jules Massenet

Jules Massenet: Manon  
              
    O que acontece quando um belo soprano canta ao lado de um grande tenor? Temos uma grande ópera, essa conclusão pode parecer óbvia, mas nem sempre excepcionais cantores juntos fazem grandes óperas. Tem que haver química, eles tem que estar à vontade para mostrar todo o potencial. Nessa versão da Manon de Massanet temos uma explosão de elementos, todos positivos, todos empolgantes, todos levam a um grande espetáculo.
    Anna Netrebko tem se destacado no cenário lírico pela beleza física, sua presença no palco contagia marmanjos e senhoras. Pela atuação dramática, grande atriz, sabe captar o sentimento do personagem e expressá-lo. Pela voz, de timbre belo, lírico, um pouco escuro, potente, bem projetado. A cantora russa tem todos os elementos de um grande soprano moderno, voz, atuação e beleza física.
   Está muito a vontade em Manon, peca no sotaque francês, mas isso passa despercebido quando ouvimos suas árias: Adieu,notre petite table ou Obéissons , quand leur voix appelle. De menina ingênua a caminho do convento para a consagração em Paris (faz uma emergente inesquecível)  e a decadência na prisão. Tudo demonstrado com muita convicção através de uma atuação soberba. Isso é uma cantora moderna, isso é ópera do século XXI, uma união de elementos da arte. Isso renova e atrai publico.
   O tenor mexicano Rolando Villazón segue o mesmo padrão de qualidade, seu Le Chevaliers Des Grieux  evolui de jovem, ingênuo e cheio de amor para um homem maduro e amargurado. Sua voz tenta acompanhar a evolução do personagem, nas passagens líricas se sai muito bem, nas partes dramáticas falta peso. Atua bem ao lado da protagonista, incorpora o personagem, está a vontade no papel, melhor que na versão anterior com Natalie Dessay em Paris , 2007.
    Os comprimários de destaque são: Christof Fischesser faz Le Comte des Grieux , papel para baixo de voz encorpada. Ele é jovem demais, pouco lembra o pai do protagonista e sua voz está mais para barítono que para baixo. O Lescaut de Afredo Dasa é barítono de voz clara com boa musicalidade e atuação.
    Daniel Baremboin é um badalado pianista e maestro de renome mundial, rege orquestras pelos quatro cantos do mundo. Sempre achei ele melhor no piano. Na batuta da Staatskapelle Berlim seus tempos são excessivamente lentos, talvez seja para ajudar os cantores a interpretarem, senão haja fôlego! Mas isso torna a leitura da obra monótona, as vezes cansativa, árias que empolgam o publico são pouco ovacionadas. Perde a música, ganha o teatro.     
   A direção de Vincent Paterson capta a essência da obra de Massanet, não se acomoda, moderniza a leitura. Transporta a obra para a Paris dos anos 50, trem chegando com Manon, festas aos pés da Torre Eifel e a graça do Hotel Transilvania são elementos dinâmicos . Explora o potencial dramático dos cantores, movimenta-os sem exageros. A luz perfeita, ajuda e estimula, diretores dessa vez se entenderam, tiveram a mesma concepção. Figurinos condizentes com a época escolhida, impecáveis, perfeitos no acabamento, nos transportam a cidade luz da década de 50. Essa ópera inaugura um novo quesito, maquiagem, nunca vi trabalho tão bem executado. Coristas ou protagonistas estão impecavelmente maquiados, com o advento da alta definição a maquiagem deu um salto qualitativo.
    Comparando a primeira Manon que assisti com Edita Gruberova datada do ano de 1983 em Viena com a recém lançada da Netrebko, existe uma evolução, como as gravações de ópera mudaram nesses anos. A ópera é mais teatro que canto, do VHS estamos no DVD de alta definição, as produções são infinitamente mais caprichadas, lembram grandes peças de teatro ou produções da Brodway. Temos entrevistas com os protagonistas e diretores, escolha de capítulos e um encarte com artigo e resumo da ópera, tudo em inglês é claro.
    Vocalmente prefiro a Manon com a Gruberova ou com Beverly Sills em 1977 na New York City Opera. A Manon da Netrebko e do Villazon trás uma nova linguagem , moderna, atual, carismática. Na era da internet, da música digital, da velocidade, do consumo descartável, ópera parece uma aberração. Mas ela encontra um caminho, renova o público e como Fênix sempre renasce.
Ali Hassan Ayache
ali.hassan.123@hotmail.com     
      
MANON, ópera  comique em 5 atos- compositor Jules Massanet
Manon, Anna Netrebko
Le Chevaliers des Grieux, Rolando Vilazón
Le Comte des Grieux, Christof Fischesser
Lescaut, Alfredo Daza
Guillot de Morfontaine, Rémy Corazza
Brétigny, Arttu Kataja
Poussette, Hanan Alattar
Javotte, Gal James
Rosette, Silvia de
la Muela
Innkeeper
, Matthias Vieweg
Staatsoperchor-Eberhard Friedrich, Maestro do coro
Staatskapelle Berlin-Daniel Barenboim, Maestro
Audio: PCM Stereo, DTS 5.1-Subtitles: Francês Inglês, Alemão, Espanhol,,Chinês
Extras,Behind the scenes, Discography, Trailers-Widescreen 1.78:1,Colour,158 mins. + 19 mins.
Region: 0 TODAS –Gravada ao vivo na Staatsoper-Unter den Linden, Berlin, Abril/ Maio- 2007.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

AS ÓPERAS QUE VOCÊ DEVE VER NA SUA VIDA. ARTIGO DE MARCUS GÓES NO BLOG DE ÓPERA E BALLET.

Apresento as 72 óperas que você deveria ver durante sua maravilhosa vida!

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Não sei nem quero saber qual o prodigioso cérebro que deu a uma série de filmes em um canal de TV a cabo o funéreo título de “OS CINQUENTA FILMES QUE VOCÊ DEVERIA VER ANTES DE MORRER”. Acho que nem Augusto dos Anjos, Baudelaire ou Poe em seus mais negros dias conseguiriam ser tão funestos.
Mas de tudo na vida é possível nascer algo proveitoso e penso que seja boa ideia apresentar ao leitor uma lista das setenta e duas óperas que ele deve ver e ouvir em sua deliciosa vida. Uma lista, essencial, que exponha um painel abrangente, informativo e definidor do gênero.
A relação a seguir não envolve críticas nem preferências. Nasce de estatísticas, opiniões gerais, importância musical, musicológica ou histórica, fundamentalidade, popularidade e outros que tais. Não é feita distinção entre “ópera” e “opereta”. Realmente, penso que haja música de ótima qualidade em obras de Offenbach, dos dois Johann Strauss ou Lehar e outros, e decidi enquadrar tudo na mesma “geléia geral”. Não nos esqueçamos de que “A flauta mágica” foi estreada quase que como um “vaudeville” da época.
Não me detive em cameratas florentinas e semelhantes, a meu ver de valor mais estatístico/didático. Os títulos são citados na maior parte em português e na língua original quando mais conveniente.
Assim, penso serem  as seguintes tais óperas:
1 – L´Orfeo (1607), de Monteverdi;
2 – Dido e Enéas (1639), de Purcell;
3 – Serse (1738), de Händel;
4 – O barbeiro de Sevilha (1782), de Paisiello;
5 – Tarare (1786), de Salieri;
6 – As bodas de Figaro (1786), de Mozart;
7 – Don Giovanni (1787), de Mozart;
8 – A flauta mágica (1791), de Mozart;
9 – Fidelio (1814), de Beethoven;
10 – O barbeiro de Sevilha (1816), de Rossini;
11 – La Cenerentola (1817), de Rossini;
12 – Der Freischütz (1821), de Weber;
13 – Guilherme Tell (1829), de Rossini;
14- Fra Diavolo (1831), de Auber;
15 – Robert le diable (1831), de Meyerbeer;
16 – A sonâmbula (1831), de Bellini;
17 – Norma (1831), de Bellini;
18 – O elixir de amor (1832), de Donizetti;
19 – Os puritanos (1835), de Bellini;
20 – Lucia di Lamermoor (1835), de Donizetti;
21 – La juive (1835), de Halévy;
22 – Uma vida pelo czar (1836), de Glinka;
23 – Os huguenottes (1836), de Meyerbeer;
24 – Nabucco (1842), de Verdi;
25 – O navio fantasma (1843), de Wagner;
26 – Don Pasquale (1843), de Donizetti;
27 – Ernani (1844), de Verdi;
28 – Tannhäuser (1845), de Wagner;
29 – Martha (1847), de Flotow;
30 – Macbeth (1847), de Verdi;
31 – Lohengrin (1850), de Wagner;
32 – Rigoletto (1851), de Verdi;
33 – O trovador (1853), de Verdi;
34 – La traviata (1853), de Verdi;
35 – Fausto (1859), de Gounod;
36 – Os troianos (1863/1890), de Berlioz;
37 – A força do destino (1862), de Verdi;
38 -Tristão e Isolda (1865), de Wagner;
39 – A africana (1865), de Meyerbeer;
40 – La vie parisienne (1866), de Offenbach;
41 – Os mestres cantores de Nurembergue (1868), de Wagner;
42 – O ouro do Reno (1869), de Wagner;
43 – A Valquíria (1870), de Wagner;
44 – O guarani (1870), de Carlos Gomes;
45 – Aida (1871), de Verdi;
46 – Fosca (1873), de Carlos Gomes;
47 – Carmen (1875), de Bizet;
48 – Boris Godunov (1874), de Moussorgsky;
49 – O morcego (1874), de Johann Strauss II;
50 – La Gioconda (1876), de Ponchielli;
51 – Siegfried (1876), de Wagner;
52 – Crepúsculo dos deuses (1876), de Wagner;
53 – Sansão e Dalila (1877), de Saint-Saëns;
54 – Eugen Onegin (1879), de Tchaicovsky;
55 – Manon (1884), de Massenet;
56 – Otello (1887), de Verdi;
57 – Cavalleria Rusticana (1890), de Mascagni;
58 – Os palhaços (1892), de Leoncavallo;
59 – Werther (1892), de Massenet;
60 – Manon Lescaut (1893), de Puccini;
61 – La Bohème (1896), de Puccini;
62 – Andrea Chénier (1896), de Giordano;
63 – Tosca (1900), de Puccini;
64 – Adriana Lécouvreur (1902), de Cilea;
65 – Pélleas et Mélisande (1902), de Debussy;
66 – Madama Butterfly (1904), de Puccini;
67 – Salomé (1905), de Richard Strauss;
68 – A viúva alegre (1905), de Franz Lehar;
69 – O cavalheiro da rosa (1911), de Richard Strauss;
70 – Turandot (1926), de Puccini;
71 – O cônsul (1950), de Menotti;
72 – The rake’s progress (1951), de Stravinsky.
A presente lista é um “divertissement”, escrito sem preocupações de exatidão ou boa ordem. É claro que o autor pretendeu ser sempre correto nas datas, nas escolhas e nos conceitos. No entanto, o autor aceita e até agradece críticas, contribuições e correções.
O objetivo da lista é estabelecer um percurso lógico e retilíneo de óperas que seja útil a alguém.
MARCUS GÓES –DEZ 2011
PS. Depois de terminar a lista, vi que havia esquecido de:
73 – A danação de Fausto (1843), de Berlioz;
74 – Mefistofele (1869), de Boito.

Marcus Góes

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

UFPA APRESENTA A ÓPERA "O CONTRATO DE CASAMENTO"

Encerrando o calendário acadêmico do ano, a última Quinta Cultura da Diretoria de Apoio à Cultura da Proex apresenta a ópera cômica “O Contrato de Casamento”, do italiano Rossini.

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Essa foi a primeira ópera de Rossini, quando o compositor tinha 18 anos. Teve sua estreia em Veneza e até hoje é muito encenada no mundo inteiro. São seis personagens principais, com os cantores se revezando entre caras e vozes, durante 80 minutos de espetáculo.
A iniciativa de apresentar um espetáculo que une todas as artes e tem em suas origens ser um espetáculo popular, contrariando a ideia de que ópera é para uma elite. A apresentação é aberta ao público, não apenas da UFPA e do seu entorno. “Essa ação é importante também porque mostra que sua função não se esgota na formação cognitiva ampliando-se também para a formação cultural, estética e de cidadania no contexto mais amplo”, explica o Reitor da UFPA, Prof. Dr. Carlos Edilson de Almeida Maneschy.
No elenco, professores e cantores formados pela Escola de Música da UFPA, Dione Colares, Jefferson Luz, Antônio Wilson, Ione Carvalho e Nilberto Viana. De fora, apenas barítono Manuel Alvarez do Rio de Janeiro como convidado. A equipe técnica é composta por ex–alunos dos cursos técnicos da UFPA, como Cláudio Bastos, Michelle Ferreira e Gilda Maia, professora da EMUFPA.
A produção é coordenada pelo Núcleo de Ópera (NEO), idealizado pela professora Dione Colares, pelo professor Vanildo Monteiro e pela soprano paraense Jena Vieira, com a realização conjunta da Pró-Reitoria de Extensão e do Centro de Eventos Benedito Nunes (CEBN). Esta montagem operística já é conhecida pelo público paraense, com estreia no Theatro da Paz, em 2009, e temporada em Tucuruí.  Sempre com casa cheia, ingressos esgotados e sessões extras.
O objetivo é levar estas apresentações para outros locais no Estado. “A proposta de levar a ópera aos diversos municípios onde a UFPA está presente, e também, evidencia a preocupação de que sejamos, de fato, uma universidade multicampi”, completa o Reitor.
Enredo
Acompanhamos a trama do negociante canadense Slook, que viaja até a Inglaterra para conhecer a futura esposa, encomendada para Tobias Milque por meio de uma carta e uma nota promissória.
As confusões começam quando os criados de Tobias Milque, contam à sua filha Fanny, que ela será oferecida como esposa. Só que a jovem está apaixonada por Edward Milford. O casal resolve ameaçar Slook para desistir da negociação.
Quinta Cultural
Programação cultural realizada sempre na última quarta-feira de cada mês e que pretende congregar a comunidade universitária com apresentações artístico-culturais que vão do teatro à dança, da música ao cinema, do regional ao clássico. O objetivo da iniciativa é promover a integração e o intercâmbio da produção cultural acadêmica com a produção externa e, assim, integrar diferentes formas de produções artísticas.
NEO – Núcleo Experimental de Ópera
O Núcleo Experimental de Ópera (NEO) foi idealizado pelos cantores Dione Colares, Jena Vieira e Vanildo Monteiro, tendo estreado em 2008 com a ópera Don Pasquale de Donizetti. O NEO tem como foco principal a realização de óperas que visam à prática artística e constante aprimoramento de nossos cantores.
Assim, o núcleo passou a reunir profissionais do canto lírico, buscando a construção de óperas de repertório que possam ser repetidas a qualquer momento, além de fomentar a integração entre cantores da região e profissionais convidados de outros estados e países.
O NEO tem como objetivo difundir a ópera em diversos municípios, promovendo o circuito de ópera no interior do Estado, assim como a orientação e realização de espetáculos bem cuidados, com elevados critérios técnicos e artísticos, na perspectiva de oferecer boas alternativas ao público, sem perder de vista a contemporaneidade e sintonia com o que é produzido pelo Brasil.

Elenco
- Clarina: Ione Carvalho
- Edward Milford: Antônio Wilson
- Fanny: Dione Colares
- Norton: Jefferson Luz
- Slook: Manuel Alvarez (RJ)
- Tobias Mill: Nilberto Viana
Piano: Paulo José Campos de Melo

Equipe Técnica
- Direção Artística: Dione Colares
- Direção de Produção: Nandressa Nuñez (SP)
- Direção Cênica: William Ferrara (EUA)
- Cenografia: Carlos Dalarmelino Junior (SP)
- Figurinos: Hélio Alvarez
- luminação: Rubens Almeida
- Visagismo: Omar Junior
- Direção de Palco: Claudio Bastos
- Legendas: Gilda Maia
- Assistente de Cenografia: Ribamar Diniz
- Contra-Regra: Michelle Ferreira
- Sonorização: Ronaldo Lourenço

Fonte: http://www.movimento.com/

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Les contes d'Hoffmann , Uma Ópera Célebre.



No conto de Machado de Assis, Um Homem Célebre, Pestana é um famoso compositor de polcas. Suas canções caíam no gosto do povão, eram assoviadas e tocadas por todos os cantos. Mas Pestana não era um homem feliz. Sonhava em ter uma obra de porte, música erudita no nível dos grandes mestres, mas de suas penas só saíam polcas. Cada vez que ele lançava uma, era sucesso estrondoso"consagradas pelo assobio". Pestana sempre quis compor algo elaborado e elevado, era uma celebridade, mas não estava satisfeito com a vida."Morre bem com os homens e mal consigo mesmo". Pestana, nas palavras de Machado " Mergulhava naquele Jordão sem sair batizado". Jacques Offenbach é o Pestana francês? Compunha operetas de sucesso estrondoso. Satirizava tudo e a todos, sacaneou até um brasileiro na opereta La vie Parisienne. O sucesso lhe trouxe riqueza, mas Offenbach não estava feliz com suas operetas. Queria provar que podia compor música séria. Les Contes d'Hoffmann é sua tentativa de se igualar aos grandes gênios da música. Será que o fim de Offenbach foi igual ao do Pestana?

Existem diversas versões desse título em vídeo, cada diretor fez sua leitura pessoal. Les Contes d'Hoffmann é uma obra aberta, com infinitas possibilidades.

O diretor Robert Carsen acerta na mosca. Sua leitura moderniza a ação, todos são descolados e atuantes. Teatro que combina com o libreto. Os cenários são magníficos, se transformam, encaixam com cada pedaço do enredo. De beleza ímpar, fizeram-me cair a cara no chão.

A ópera exige um elenco enorme, desfilam sopranos, mezzos, tenores e barítonos a toda hora. Acertaram nas escolhas. Lembremos que Les Contes d'Hoffmann são três óperas em uma. Neil Schicoff está soberbo. Já o conhecia na versão não-comercial do Scala de Milão. Sua voz e Hoffmann são uma entidade única. Bryn Terfel é um Lindorf + Coppélius+ Dr. Miracle + Dapertutto (Ufa!) de voz baritonal que tende para os agudos, mas cenicamente ele domina o personagem , fazendo-o sombrio e assustador. Susanne Mentzer faz uma La Muse + Nicklausse perfeita, que belo timbre!

Désirré Rancatore é uma boneca Olympia com agudos e coloraturas de sobra. A Antonia de Ruth Ann Swenson tem voz escura , delicada e sedutora. Mas o principal fica reservado à Giulietta. A Barcarole, "Belle nuit , ô nuit d'amour" abre as cortinas, cadeiras vermelhas de um fictício teatro se movimentam. O bacanal começa aos poucos e vai ganhando força. Aplausos quando as cortinas se abrem, uma das mais belas cenas gravadas em vídeo que este escriba assistiu até o presente momento. Béatriz Uria-Monzon entende que a personagem é de reputação duvidosa,e a faz de forma magnífica. Seduz Hoffmann com graves cheios e portentosos: quem não entregaria sua sombra a um mulherão desses.

Musicalmente, Les Contes d'Hoffmann segue o estílo opéra-lyrique. Conta a história do poeta que toma umas e outras em um bar e vai contando suas aventuras amorosas. Descreve três delas, e a sua perda para um ser malévolo. No bar, espera sua musa Stella, que está cantando a ópera Don Giovanni, de Mozart, no teatro ao lado. Bêbado e fora de si acaba perdendo mais uma vez para Lindorf sua amada. La Muse aparece, obriga o poeta a amar sua arte.

Os números tem escrita orquestral bem definida. Música com estílo próprio, cada ato segue um padrão. Melodias agradáveis, que marcam e apaixonam. Les Contes d'Hoffmann teve numerosas versões nesse século, cada um a sua maneira montou a ópera inacabada de Offenbach. A edição de Michel Kaye é a mais recente e se baseia em manuscritos encontrado em coleção particular.

Pelo sucesso da ópera, pela sua música e teatralidade podemos afirmar que Offenbach fez operetas de sucesso e uma única opéra-lyrique séria , de fama internacional. Bem diferente do Pestana que só produzia polcas . Pena que morreu antes de sua estréia.

Música brasileira avança no exterior.

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Dezembro 2011 marca duas importantes estreias mundiais de obras de Marlos Nobre, nos Estados Unidos e também no Brasil.


O ano de 2011 foi extremamente fértil em matéria de estreias mundiais de novas obras de Marlos Nobre, considerado pela crítica mundial como o mais importante nome da criação musical não só no Brasil como no Continente Iberoamericano.
Assim o afirma Tomás Marco, crítico espanhol em “Cuadernos de Musica” volume 12, pgs. 185-190, ao traçar a trajetória do compositor brasileiro a afirmar: “Voy a hacer una afirmación rotunda que, por supuesto, sólo me implica a mi, pero que asumo plenamente: desde mi punto de vista, Marlos Nobre es el más grande compositor vivo del continente iberoamericano” (Cuadernos de Musica Iberoamericana, Instituto Complutense de Ciencias Musicales, Volumen 12, 2006, pgs.185-190).
O ano de 2011 foi, portanto, particularmente fértil em novas criações e em importantes estreias mundiais de obras recentes no catálogo de Marlos Nobre, e não poderia se encerrar sem mais duas importantes estreias mundiais.
Convergences
A primeira audição mundial neste mês, ocorreu no dia 1º de Dezembro 2011, às 19:30 no Katzin Concert Hall da Arizona State University ASU, Herberg Institute for Design and the Arts, School of Music, onde foi estreada mundialmente a obra CONVERGENCES for woodwinds, brass and percussion, no Festival WINTER WINDS, pelo ASU Chamber Players, dirigido pelo maestro Diogo Pereira. É importante dar o nome dos componentes do ASU Chamber Players, que realizaram uma primorosa apresentação da obra, sendo ovacionados no final.
Os músicos norte-americanos foram: Kate Mulligan-Ferry (flauta); Emily Kupitz (oboe); Ann Hung (clarinet); Kimberly Stevenson (bassoon); Juan Rodriguez (Trumpet); Brandon Houghtalen (French Horn); Ryan Miller (trombone); Seth Vatt (Bass Trombone); Mauricio Arias (Piano); Joseph Perez (Timpani); Spencer Goad (Xylophone), Danielle Moreau (Snare Drum), Tehvon Fowler-Chapman (Bass Drum), Kyle Nelson (Cymblas), Stephen Hutson (Tom-Toms), Diogo Pereira (conductor).
A história deste peça é interessante: Marlos Nobre escreveu a primeira versão em 1968, especialmente para a estreia do Ballet do Teatro Novo, juntamente com o seu célebre ballet RHYTHMETRON para percussão. Neste ocasião, o coreógrafo norte-americano do New York City Ballet, Arthur Mitchell, pediu a Marlos uma outra obra, além de Rhythmetron, para estrear no mesmo dia, solicitando que a peça fosse uma suíte de “valsas”. Marlos Nobre então concebeu uma extensa partitura não exatamente em rítmo 3/4, mas em 12/8, subvertendo um pouco a ideia original de Mitchell que ele achava um pouco “saudosista” demais. Escreveu então a partitura sobre a coreografia já pronta de Mitchell que era, infelizmente, extremamente longa.
Marlos ficou descontente com esta primeira versão e não mais permitiu que a obra fosse tocada na versão original. Agora, em 2011, o regente Diogo Pereira concluindo seu Doctor Degree na Universidade do Arizona, informado sobre a peça, fez seu Doutorado sobre a mesma, encomendando a Marlos Nobre uma total revisão e atualização da partitura anterior.
Marlos Nobre então praticamente reescreveu totalmente os 3 movimentos antigos da obra, preservando a construção melódica, rítmica e harmônica, mas revisando inteiramente a orquestração e compondo definitivamente uma nova estrutura melódica e harmônica. O trabalho resultou então nesta nova obra de 20 minutos de duração, CONVERGENCES para madeiras, metais, piano e percussão que acaba de estrear com imenso êxito no último dia 1 de dezembro, 2011.
A obra será gravada comercialmente em janeiro próximo nos Estados Unidos com lançamento em CD também no próximo ano, 2012. O entusiasmo dos músicos, do regente e dos professores, diretores e críticos da Universidade, presentes  à estreia cria uma grande expectativa para o futuro deste nova obra de Marlos Nobre. Já outros centros nos Estados Unidos e editoras estão solicitando a exclusividade da reapresentação da peça nos próximos anos.

Poema – para piano solo
Uma segunda obra que teve sua estreia mundial agora em 08 de dezembro, foi o POEMA para piano solo, escrito por Marlos Nobre especialmente para o Grande Concerto de Natal da série MÚSICA NO MUSEU, realizado no Teatro da Asssociação Comercial do Rio de Janeiro, pela pianista MARIA LUIZA CORKER a quem a obra foi dedicada.
Este “POEMA” para piano faz parte de uma já extensa série de Poemas escritos por Marlos Nobre a partir de 2002, baseados todos em uma mesma melodia de grande intensidade lírica. O 1º Poema, escrito para violino, foi dedicado à ilustre Mariuccia Iacovino que cumpriria 99 anos neste dezembro de 2011 e para  cuja memória Maria Luiza (sua parceira nos 3 últimos anos de vida de Mariuccia, no duo Corker-Iacovino) tocou a nova obra de Marlos, escrita em dezembro 2011.
Finalizando a série de compromissos de Marlos Nobre neste movimentado ano de 2011, ele viaja para Recife onde, no dia 13 de dezembro, será lançado no Teatro de Santa Isabel, no âmbito do Festival Virtuosi, o CD “Poema” com a integral de sua obra para violoncelo, pelo violocelista Leonardo Altino.
Fazendo uma rápida retrospectiva da atividade criativa e das estreias mundiais de suas obras em 2011, tivemos como destaques :
- MOVIMENTOS SINFÔNICOS para Orquestra, obra encomendada pela Orquestra Petrobras Sinfônica e estreada  mundialmente em 27 de março, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, no concerto de abertura da temporada 2011 da Orquestra Petrobras Sinfônica, dirigida pelo maestro Isaac Karabtchevsky. Esta obra emotiva e extremamente dramática, foi escrita “em memória de um anjo”, Ilana,a filha de Karabtchevsky prematuramente falecida na década de 70. A obra entusiasmou e comoveu o grande público que compareceu à estreia, ovacionando por mais de 10 minutos a nova criação de Marlos Nobre.
- A segunda apresentação importante, foi a estreia na Espanha de KABBALAH para Orquestra, que vem sendo considerada uma das obras sinfônicas mais importantes criadas nesta primeira década do século XXI. Na ocasião, a obra foi apresentada em 3 concertos, nos dias 14, 15 e 16 de abril, na Espanha, pela Orquesta de Castilla y León, dirigida pelo Maestro Alejandro Posada, tendo os críticos na ocasião salientado o brilho de uma opulenta orquestração e a violência da linguagem que fazia lembrar um Ginastera e um Revueltas em linguagem mais avançada e atualizada.
- Seguiram-se as apresentações de obras de Marlos Nobre no Festival Feldkirch na Austria, onde no dia 25 de maio receberam suas estreias austríacas as peças TRES CANTOS DE BEIRAMAR para soprano e oito violoncelos (com Antônio Meneses liderando o Cello Ensemble da Academy of Arts in Bern), e a cantora Marília Vargas, além do CANCIONEIRO DE LAMPIÃO para coro,com o Chamber Choir of Feldkirch. No mesmo festival no dia 4 de junho também em 1a. audição austríada, foi apresentado o CANTICUM INSTRUMENTALE para flauta, harpa, piano e percussão com Ensemble de Jovens Instrumentistas do Festival.
- Em 18 de junho, outra importante primeira audição mundial, o CONCERTO Nº3 para 3 percussões e Orquestra, obra encomendada pelo Ensemble Drumming que foi solista da Orquestra Sinfônica Gulbenkian dirigida por Pedro Neves, no Grande Auditorium Gulbenkian de Lisboa. A obra foi então ovacionada pelo grande público presente à estreia sendo na ocasião considerada um marco na história dos não muito numerosos concertos para 3 percussionistas e orquestra em todo o mundo.
- Em 20 de junho, a célebre obra UKRINMAKRINKRIN para soprano, instrumentos de sopros e piano, participa do Festival CLAEM em Buenos Aires, em homenagem a Alberto Ginastera, a quem a obra é dedicada. Esta obra emblemática, vencedora desde sua criação em Paris do prêmio UNESCO/TIC foi igualmente ovacionada em sua reestreia em Buenos Aires.
- Em 15 de julho a Orquestra Petrobras Sinfônica, dirigida por Isaac Karabtchevsky, apresenta com grande repercussão e êxito, os MOVIMENTOS SINFÔNICOS de Marlos no Festival Internacional de Campos do Jordão.
- Em 08 de agosto, mais uma importante estreia mundial, no 9º Simposium Internacional de Música Coral na Argentina, onde o famoso coro THE UNIVERSITY OF PHILLIPINES MADRIGAL SINGERS, dirigido por Mark Anthony Carpio, apresenta a peça MARACATU COROADO para coro mixto, encomendado pela Federação Internacional de Corais. O Madrigal reapresenta a obra em sua tournée latinoamericana, passando pelo Teatro Colón de Buenos Aires, Bogotá, México e culminando no Carnegie Hall em New York.
- Em 8 de setembro, no Festival Latinoamericano a Orquestra Sinfônica de Medellín, Colombia, apresenta em primeira audição colombiana, KABBALAH sob a direção de Alejandro Iglesias, no concerto de encerramento do Festival.
Além destes destaques de primeiras audições locais e mundiais, as execuções de obras de Marlos Nobre de acordo com os cadastros das sociedades de autores às quais é filiado no Brasil, Espanha e Alemanha, contemplam um total de 625 execuções durante  o ano 2011 de obras de Marlos Nobre, considerado ao lado de Villa-Lobos o compositor latino-americano mais executado em todo o mundo.
É tambem de ressaltar que, em virtude da dificuldade das gerações de jovens músicos brasileiros terem acesso às suas obras gravadas e lançadas sobretudo em CDs no exterior, Marlos Nobre decidiu disponibilizar gratuitamente e de maneira total, em seu canal no Youtube, todas as suas gravações disponíveis, totalizando até o momento 395 gravações.
Esperamos, sinceramente, que o ano de 2012 seja muito melhor para este grande compositor brasileiro.

Fonte: http://www.movimento.com/

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

DIVULGAÇÃO

Sala Cecília Meireles inicia renovação e venda de assinaturas



A Sala Cecília Meireles, que enquanto sua sede está em reforma apresenta honrosamente sua temporada em outros espaços no Rio de Janeiro, abriu a venda de assinaturas para a temporada 2012.

As assinaturas contam com a participação do Nicola Benedetti Trio, que abre a temporada em maio, da violinista Elissa Cassini com o pianista Julien Quentin e da Orquestra de Câmara de Berlim com Katrin Scholz ao violino. No segundo semestre, a renomada Academy of Saint-Martin-in-the Fields se apresenta na série principal.
Pela série Sala Contemporânea, serão realizadas apresentações com o Duo Katia & Marielle Labèque, o Trio Binelli, Ferman & Isaac, o David Gazarov Trio e o importante Ensemble Intercontemporain.
Antigos assinantes e membros da Associação dos Amigos da Sala Cecília Meireles têm condições especiais na compra das assinaturas da próxima temporada: a venda antecipada vai de 1º de dezembro de 2011 a 14 de janeiro de 2012. As novas assinaturas podem ser adquiridas a partir de 17 de janeiro, com descontos e direito à meia-entrada para estudantes e maiores de 60 anos. Vendas e informações são atendidos pelos telefones (21) 2568-8742 e 2568-7005.

FONTE:http://www.concerto.com.br/

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO- Muncipal do Rio de Janeiro encerra 2011 com "O Quebra Nozes".

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Um dos balés mais populares do mundo, a clássica história natalina O Quebra-Nozes está de volta ao palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, vinculado à Secretaria de Estado de Cultura, em grande produção. A versão assinada por Dalal Achcar retorna para dez apresentações, a partir de 16 de dezembro.
A récita de abertura contará com os talentos da Primeira Bailarina Ana Botafogo e do solista convidado, o cubano Rolando Serabia. Ao longo da temporada, revezam-se nos papeis principais Cláudia Mota, Márcia Jaqueline e Karen Mesquita como “Fada Açucarada”, e Denis Vieira, Filipe Moreira e Cícero Gomes interpretando o “Príncipe Quebra-Nozes”. À frente da Orquestra Sinfônica e Coro do TMRJ estará o maestro Silvio Viegas.
É um clássico do balé mundial e do repertório do Theatro que não pode faltar na programação anual. Uma tradição que é aguardada pelo público, pelos bailarinos e por todos nós do TM”, afirma Carla Camurati, presidente da Fundação TMRJ.
“Tenho uma relação muito especial com este balé, que dirigi pela primeira vez em 1974, e que passei a dirigir no Theatro Municipal do Rio, desde 1981”, explica Dalal Achcar. “Gosto especialmente porque a história tem uma magia única e desperta um clima de fraternidade que deveríamos ter sempre. É uma obra que agrada a todas as idades”.
A enorme popularidade de O Quebra-Nozes comprova o fascínio exercido nas plateias a partir do encontro do conto de Alexandre Dumas com a música de Tchaikovsky e a coreografia original deMarius Petipa e Lev Ivanov. Sua estreia foi em 1892, na Rússia.  A primeira apresentação no ocidente só aconteceu em 1934, no Sadler’s Wells Theatre, em Londres. Desde então, tornou-se um dos balés mais montados em todo o mundo.

A produção
A grandiosa produção envolve números expressivos. As mudanças dos quatro cenários completos que compõem a montagem são todos feitos em cena aberta por uma equipe de 65 técnicos. Um total de123 bailarinos – sendo 71 do BTM e 52 alunos da Escola de Dança Maria Olenewa – se reveza nas cenas do prólogo e nos dois atos do balé. Soma-se a isto 89 músicos da Orquestra Sinfônica e 44 coristas do Coro do Theatro Municipal, totalizando 256 pessoas trabalhando diretamente. “Para se ter uma idéia do que envolve uma produção deste porte, são usados 60 rolos de esparadrapo e 400 pares de sapatilhas, desde os ensaios até o fim da temporada”, contabiliza Hélio Bejani, diretor artístico doBTM.
A história
O ballet conta a história da menina Clara, que ganha do padrinho um quebra-nozes em formato de soldadinho e se encanta pelo presente. Ela fica desolada, no entanto, quando seus irmãos o quebram durante uma brincadeira. O padrinho a consola e conserta o brinquedo.
Ela vai dormir e, a partir daí, a magia toma conta do ballet: Clara sonha que um exército de ratos está invadindo o salão. O boneco quebra-nozes adquire vida e ataca os ratos, comandando um exército de soldadinhos de chumbo. O “Rei dos Ratos” fere o boneco que, desarmado, está prestes a perder a batalha, quando ela o salva, atirando seu sapato na cabeça do rato. Clara sente a presença do padrinho, que, num passe de mágica, transforma o boneco em um belo príncipe.
O príncipe a conduz ao “Reino das Neves” e depois ao “Reino dos Doces”, onde vive a “Fada Açucarada”, que homenageia a menina com uma grande festa, com danças típicas da Espanha, China, Rússia, entre outras, e com um pas-de-deux da “Fada Açucarada”. O espetáculo continua com uma sucessão de danças de diversas regiões do planeta e outras que simbolizam o café, os chocolates, as flores e, por fim, o pas-de-deux entre a fada e o príncipe. No dia seguinte, os pais de Clara a encontram dormindo ao lado da árvore de Natal abraçada ao boneco. Ela acorda e percebe que tudo foi um sonho.

SERVIÇO

Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Praça Floriano s/n° – Centro
Informações: 21 2299-1711
Estreia em 16 de dezembro, às 20h.
Dia 18 de dezembro às 17h.
Dias 22, 23, 28, 29 e 30 de dezembro, 3, 4 e 5 de janeiro, às 20h.
Preços:
Plateia e balcão nobre …………………………………………. R$   84,00
Balcão superior ………………………………………………….. R$    60,00
Galeria ……………………………………………………………….. R$    25,00
Frisas e camarotes (6 lugares) ……………………………. R$ 504,00
Vendas na Bilheteria, no site da Ingresso.com ou por telefone 21 4003-2330
Desconto de 50% para estudantes e idosos
Classificação etária: Livre
Informações: (21) 2332-9191

Fonte: http://www.movimento.com/

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

FAUST – Met Live em HD, Fundação Gulbenkian, Dezembro de 2011

 Texto do amigo de Portugal, FanaticoUm , que assistiu ao mesmo Faust de Gounod transmitido nos cinemas brasileiros, direto do Metropolitan Opera House de Nova Yorque. Agradeço ao amigo FanaticoUm pelo excelente texto. Publicado  originalmente no blog Fanáticos da Ópera: http://fanaticosdaopera.blogspot.com/



(Review in English below)

Faust de Charles Gounod é uma ópera lírica em cinco actos com libretto de Jules Barbier e Michel Carré. O enredo pode ler-se aqui

A encenação no Met foi do canadiano Des McAnuff. A acção foi transportada para o início do século XX, no período entre as duas guerras mundiais. O filósofo Faust é aqui um velho físico nuclear que trabalha num laboratório onde se desenvolve a bomba atómica.

(Fotografias / Photographs de Ken Howard / Met Opera)

Pensa suicidar-se ingerindo veneno mas, depois de invocar o diabo e lhe vender a alma aparece, do meio do fumo, jovem e impecavelmente vestido e assim continuará até à cena final. Mefistófeles está vestido de forma idêntica a Faust, mas usa um laço, uma gravata ou uma flor escarlate na lapela.



O cenário é em metal, relativamente vazio, ladeado por duas escadas de caracol, com três voltas, constantemente utilizadas nos movimentos cénicos, semelhante à encenação que Jean-Louis Martinoty concebeu para o Faust de Paris, como se pode ver aqui. Esta estrutura serve de base a toda a encenação que beneficia de frequentes projecções vídeo.
No 4º acto, a chegada dos militares da guerra e o reencontro com as famílias é um dos momentos mais bem conseguidos.
No final, Marguerite sobe ao céu numa escada que surge no centro (posterior) do palco e Faust, novamente velho, reaparece no seu laboratório e suicida-se por ingestão do veneno.

Confesso que de início não gostei mas, com o desenrolar do espectáculo, fui achando que acabou por funcionar, apesar de não ter trazido nada de muito inovador.
A direcção musical foi do jovem maestro canadiano Yannick Nézet-Séguin. Foi uma direcção superior, fez justiça à partitura de Gounod e apoiou muito os cantores com algumas alterações nos tempos sem perturbar a narrativa vocal, permitindo que fossem sempre ouvidos.
A Orquestra e o Coro do Met estiveram, como sempre, ao mais alto nível.

Jonas Kaufmann, tenor alemão, foi um Faust extraordinário. A sua voz é de tenor lírico spinto mas consegue descer ao registo baritonal ou subir às notas mais agudas sem qualquer perda de qualidade. E fá-lo aparentemente sem esforço, sempre audível e sem estridência. A interpretação esteve repleta de frases de um lirismo invulgar, alguns pianíssimos de cortar a respiração, mezza voce ou voz forte e encorpada sempre que as passagens o exigiam. Foi também excelente a sua interpretação cénica, expressando curiosidade, desejo, arrependimento e desespero. As cenas com Marguerite foram marcantes e, no início, revelando algum cinismo também. É um artista completo e mais uma vez o demonstrou. A ária Salut! demeure chaste et pure no 3º Acto foi muito aplaudida mas as intervenções nos dois últimos actos foram arrebatadoras.



O soprano russo Marina Poplavskaya foi Marguerite. A cantora não está no grupo das minhas favoritas mas esta foi a sua melhor interpretação que assisti. Tem uma voz forte, dura e, por vezes, estridente para algumas das personagens que tem interpretado e, no presente caso, também assim penso. Começou mal mas conseguiu transmitir a inocência desejável à personagem. Também achei que melhorou vocalmente ao longo da récita. Artisticamente esteve muito bem, de frágil e pura a destroçada e enlouquecida no final. O pormenor do cabelo, longo e belo no início e curto e descuidado no fim foi muito bem conseguido.
Na ária Ah! Je ris de me voir, a célebre ária das jóias (que inspirou “As Jóias da Castafiore” de Tintin / Hergé), revelou algumas limitações técnicas. Contudo, esteve bem melhor no dueto amoroso do final do 3º acto e também muito bem no 5º acto.



René Pape, baixo alemão, foi um Méphistophélès assinalável. A voz é potente, cheia e grave, com alterações cromáticas ajustadas ao que canta. A figura e a encenação ajudam mas, apesar da sua presença dominadora, não foi tão maléfico e assustador como o vi anteriormente. Na ária Le véu d’or foi irrepreensível e teve várias outras intervenções de grande qualidade.


Valentin, irmão de Marguerite foi interpretado pelo barítono canadiano Russell Braun. A voz, bem audível, é igual a tantas outras. Artisticamente, na cena da morte após ter sido ferido por Faust, esteve muito bem.



Michèle Loisier, mezzo canadiano de voz bem timbrada, foi um Siebel de qualidade.


Este foi o quarto Faust que vi na presente temporada (e a este assunto voltarei brevemente).
Esta tarde foi mais um bom espectáculo na Gulbenkian.


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FAUST - Met Live in HD,  Gulbenkian Foundation, December 2011

Charles Gounod's Faust is a lyric opera in five acts with libretto by Jules Barbier and Michel Carré. The plot can be read here.

The staging at the Met was by Canadian director Des McAnuff. The action was set at the early twentieth century, the period between the two world wars. The philosopher Faust is here an old nuclear physicist who works in a lab where the atomic bomb is developed. He wants to commit suicide by drinking poison, but after invoking the devil he appears and he sells his soul to him. Then he comes from the middle of smoking, young, impeccably dressed and so will he continue until the final scene. Mephistopheles is dressed identically to Faust, but always wears a tie or a scarlet flower in his lapel.
The scenario is metalic, relatively empty, flanked by two spiral staircases with three loops that are continuously used in scenic movements. This approach is similar to the scenario that Jean-Louis Martinoty designed recently to Faust in Paris, as can be seen here.
This structure provides the basis for all the opera that benefits from frequent video projections.
In the 4th act, the arrival of the soldiers from the war and the meeting with their families was one of the most well done parts.In the end, Marguerite ascends to heaven on a stairway that appears on back center stage and Faust, old again, reappears in his lab and commits suicide by swallowing poison.
I confess that at first I did not like the staging but, with the course of the show, I realized that it finally worked, although without anything very innovative.

The musical direction was of the young Canadian conductor Yannick Nézet-Séguin. It was a superior direction, he has done justice to the score of Gounod and supported the singers with a few changes in tempi without disrupting the vocal narrative and allowing the singers to be always heard.
The Met Orchestra and Choir were, as always, at the highest level.

Jonas Kaufmann, German tenor, was an extraordinary Faust. His lyric spinto tenor voice is capable to descend to the baritonal register or to climb to top nnotes without any loss of quality. And he does it so seemingly effortless, always audible and without stridency. His singing was full of uncommon beautiful lyric parts, some breathtaking pianissimi, and either mezza voce or strong and full-bodied passages whenever adequate. Artistically he was also excellent, expressing curiosity, desire, regret and despair. The scenes with Marguerite were remarkable, also revealing some cynicism at the beginning. Kaufmann is a complete artist, and he confirmed that once again. The aria Salut! Demeure chaste et pure in the 3rd Act was very good but his singing in the last two acts was breathtaking.
Russian soprano Marina Poplavskaya was Marguerite. I confess that she is not one of my favourite singers but this was her best performance I attended. She has a strong hard voice, and sometimes strident for some of the characters that she interprets. She did not have a good start but she managed to convey the desirable character's innocence. I also think that she improved vocally over the performance. Artistically she was fine, fragile and pure at first, mad and shattered at the end. The detail of her hair, long and beautiful at the beginning, and short and careless at the end was very good.In the aria Ah! Je ris de me voir, the famous aria of the jewels (which inspired "The Castafiore Jewels" of Tintin / Hergé) she revealed some technical problems. However, she was much better in the love duet at the end of the 3rd act and she was also very well in the 5th act.

René Pape, German bass, was a remarkable Méphistophélès. The voice is powerful and with a beautiful low register, with colour changes adjusted to singing. The figure and the staging helped but, despite his constant commanding presence, he was not so evil and scary as I have seen him previously. In the aria Le veil d'or he was blameless and he had several other high-quality interventions.

Valentin, Marguerite's brother was interpreted by Canadian baritone Russell Braun. The voice, strong and with a nice timbre, is like many others. Artistically, at the death scene after being wounded by Faust, he was excellent.

Michèle Loisier, Canadian mezzo with a beautiful voice was a very good Siebel.

This was the fourth Faust I've seen this season (and I will come to this issue soon).
This afternoon was another good performance seen at the Gulbenkian Foundation.

DIVULGAÇÃO

domingo, 11 de dezembro de 2011

OPERETA É COISA SÉRIA - O MORCEGO NO THEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO , 09/12/2011

  
 O Morcego composta por Johann Strauss Filho é a mais famosa das operetas. Seu clima de alegria, suas situações engraçadas, onde sobram trocas de identidade e personagens hilários agradam em cheio a todo tipo de público. A música é simples, com melodias fáceis e belas. Outro grande atrativo da opereta é a possibilidade de atualizar o texto falado. Muitas das situações da opereta são transportadas para a atualidade, sobram piadas para todos os tipos que nos cercam, de políticos a personalidades. 

   A produção do Theatro Municipal de São Paulo resolveu traduzir toda a opereta para o português. O correto é traduzir os diálogos e deixar a parte musical no original. Assim foi feito e se obteve um excelente resultado na opereta A Viúva Alegre  , de Lehar , apresentada no Theatro São Pedro em 2010. Tradução fraca na maior parte da apresentação faz perder toda a musicalidade original da opereta. Português não é uma língua musical . Quando reclamei que verteram para o português a ópera L' Enfant et les Sortilèges (O Menino e os Sortilégios) muitos disseram que a intenção era facilitar o entendimento das crianças. Verter O Morcego visa o que? Deve ser para facilitar o entendimento dos marmanjos, e para ajudar um pouquinho  mais colocaram as legendas na parte musical. Piadas engraçadas, algumas sem nexo e outras estranhas fizeram parte do texto. 

   Os cenários e figurinos transportados para a atualidade ficaram interessantes. Primeiro ato limpo e correto. Segundo ato carregado de firulas. Lembra um inferninho da boca do lixo, onde desfilam todo o tipo de sujeitos excêntricos , tudo envolto em um vermelho total radiante. O terceiro ato é uma prisão "séria" , ficou a contento. A direção de William Pereira abusa das situações cômicas e toma liberdades excessivas. Alongou o segundo ato, inventou sátiras de óperas , balés , jazz e sei lá mais o que. Pecou pelo exagero.
   A Orquestra Sinfônica Municipal , mas mãos de Abel Rocha esteve em grande noite. Musicalidade correta e sem tropeços, entradas no tempo certo e em volume exato. O Coral Lírico mostrou grande apresentação, recheado de solistas , teve vozes bela e uniformes. Os solistas cantaram com sonorização, fica complicado analisar. A atuação do experiente ator global Fulvio Stefanini como Frosch foi grandiosa. 
   Como entreterimento a opereta funcionou , agradou em cheio ao público, que lotou as dependências do teatro. Ficaram tristes uma meia dúzia que conhecem a versão original em alemão. Eu sou desse grupo. O Morcego fechou a apresentação lírica do Theatro Municipal de São Paulo, isso nos faz crer que a temporada de 2012 será grandiosa.

Ali Hassan Ayache