ORQUESTRA BACHIANA BRASILEIRA REALIZA CONCERTO INÉDITO NA SALA CECÍLIA MEIRELES.

Programa: Transfiguração Musical no Século XX 
Com 30 anos dedicados à realização de concertos com coro, orquestra e solistas, sob a direção do maestro Ricardo Rocha, Cia. Bachiana Brasileira traz ao público o concerto – Schönberg, Stravinsky, Arvo Pärt – um instigante painel sonoro reunindo obras emblemáticas escritas no início, no meio e no fim do século XX.
APRESENTAÇÃO (por Ricardo Rocha)
Caríssimos amigos, aqui estamos, com o sangue pulsando nas veias e abrindo mais uma temporada anual, acreditando nesse país, malgrado a paisagem que a janela nos impõe. O concerto é extraordinário e inclui uma estreia no Rio: “Fratres”, de Arvo Pärt.
A proposta deste programa é a da criação de um painel com três dos mais importantes compositores do século passado – Schönberg, Stravinsky e Pärt, representando, assim, algumas das mudanças cruciais produzidas nos últimos 100 anos na expressão musical do Ocidente. A ideia foi a de mostrar o movimento da música traduzindo o auge da imanência típica do “fin de siècle” novecentista, que teve seu início com a música confessional de Beethoven expressando os sentimentos humanos e pessoais, estes que acabaram por tornar-se o eixo da perspectiva do indivíduo frente ao social e coletivo no século XIX.
Se Brahms, ainda que dentro de um discurso romântico, retornava ao classicismo formal, a obra-chave deste momento foi a ópera Tristão e Isolda, de Wagner, na qual a estrutura harmônica tonal, em seus intermináveis cromatismos, esgotou o Sistema Temperado em suas variáveis ao chegar às portas da atonalidade. O Romantismo agonizava. Deus era declarado morto e mesmo Brahms e Wagner já se tornavam anacrônicos em sua própria contemporaneidade.
Foi nesse contexto que surgiu o austríaco Arnold Schönberg (1874-1951), que com a sua obra prima “Noite Transfigurada” (‘Verklärte Nacht’) abrirá o programa de nosso concerto. Escrita em 1899 a partir de um poema de Richard Dehmel, foi estreada em 1902, causando enorme polêmica, também por seu conteúdo sexual. A obra representava uma síntese neo-romântica baseada nos leit-motiv wagnerianos numa estrutura formal brahmsiana, com sua estética programática e descritiva de um drama essencialmente humano, que para Schönberg também significou o colapso das possibilidades do Sistema Tonal bachiano como capaz de expressar o seu tempo, o que o levou a criar o inorgânico Sistema Dodecafônico, invertendo o Tonal em suas categorias de consonância e dissonância. A versão a ser apresentada é a de 1946, revisada da que escreveu para Orquestra de Cordas em 1917.
Já com o russo Igor Stravinsky (1882-1971) e seu “Concerto em Ré”, de 1946, o que nos motivou foi apresentar a rítmica típica e o resgate do modalismo daquele que daria, de fato, a saída que a Música ocidental encontrou na sua Sagração da Primavera, a obra emblemática que trazia de volta a pulsão vital e orgânica da Música da civilização cristã, através do natural modalismo das escalas octatônicas do folclore de seu país. O ano era 1913, numa Paris hedonística que já continha, em suas entranhas, a violência da Primeira Guerra Mundial que arrebentaria logo adiante, em 1914.
Por fim, representando o final do século XX, apresentamos a obra “Fratres” do compositor estoniano Arvo Pärt (1935), escrita entre os anos 1977-1991. Nela, assim como em toda a obra deste compositor, a linguagem modal é afirmada como a mais natural do espírito humano, devolvendo-nos a experiência da transcendência na música, com interesse fora do indivíduo, confirmando a transfiguração musical do século no retorno às origens da sacralidade e da pureza modal. O solo de violino estará cargo de Nikolay Sapoundjiev.
Assim, este nosso programa, composto de três obras de três grandes compositores, escritas no início, no meio e no fim do século XX, configura um painel representativo de como o Ocidente veio buscando a expressão mais profunda e arcaica do fenômeno musical, ao deixar o seu uso a serviço dos sentimentos puramente humanos para revelar uma linguagem que está para além deles: a linguagem do sagrado.

PROGRAMA
Arnold Schönberg – (1874-1951)
A Noite Transfigurada (‘Verklärte Nacht’)
Sua obra prima escrita em 1899 a partir de um poema de Richard Dehmel. Chegando às fronteiras do atonalismo, representava a síntese final do Romantismo brahms-wagneriano, com sua estética descritiva de sentimentos pessoais e humanos.
Igor Satravinsky – (1882-1971)
Concerto em Ré
No contexto da crise do sistema tonal e da criação do Dodecafonismo, apareceu o russo Igor Stravinsky , que traria de volta à Música a pulsão vital e orgânica. Concerto em Ré,  data de 1946, portanto após a Segunda Guerra e já distante do serialismo vienense, expressando, porém, a tendência de afirmação rítmica telúrica e da linguagem modal como caminho a ser seguido, o que se deu principalmente nas Américas do Sul e do Norte.
Arvo Pärt – (1935)
Fratres
Representando o final do século XX, a obra Fratres, do compositor estoniano Arvo Pärt (1935), escrita entre os anos 1977-1991. Afirmando a linguagem modal como a mais natural do espírito humano, ela nos devolve a experiência da transcendência na música, confirmando a transfiguração musical do século no retorno às origens da sacralidade e da pureza modal.

Ricardo Rocha – Maestro
 Regente e Diretor Musical, possui os títulos de Kapellmeister (pós-graduação em ópera e concertos sinfônicos na Alemanha), o de Mestre e Bacharel em Regência pela UFRJ, e o de Piano na E.M. Villa-Lobos.
Foi Diretor e Regente Titular da Orquestra Sinfônica da UFMT (1992-93), assim como Professor de Regência e Maestro Titular da Orquestra e do Coro da Escola de Música da UFMG (1994-95). De 2001 a 2006 dirigiu a Orquestra Sinfônica do Festival de Inverno de Campos dos Goytacazes, RJ (FEMÚSICA). Em 2006, 2011 e 2014 dirigiu a área sinfônica do Curso Internacional de Verão, em Brasília (CIVEBRA), incluindo os ensaios e concertos das orquestras e o curso de Regência.
Na Alemanha, Rocha criou e dirigiu, por 11 anos (1989 a 2000), o ciclo “Brasilianische Musik im Konzert” para a difusão da música sinfônica brasileira, gravando e fazendo turnê à frente de grandes orquestras como a Sinfônica de Bamberg, as Filarmônicas da Turíngia e de Südwestfallen e a Sinfônica de Baden-Baden, seguindo mais tarde como regente convidado nesse país.
Fundou a Sociedade Musical Bachiana Brasileira de fato em 1986 e de direito em 1993. Com seus corpos coral e orquestral sob o nome de Cia. Bachiana Brasileira, teve montagens escolhidas entre os dez melhores concertos do ano pelo jornal O Globo em 2007, 2008 e 2011, sendo aclamada em 2009 com o prêmio mais importante do Governo do Estado do RJ em Música Erudita. Em 2012, dirigiu o concerto comemorativo pelos seus 30 anos de regência profissional no Teatro Municipal do RJ.
Em 2013, a SMBB lançou o filme-documentário “Vinte anos de um sonho em processo (1993-2013)”, com takes de várias montagens ao longo das duas últimas décadas, além de depoimentos de importantes maestros, compositores e acadêmicos sobre a sua trajetória no Rio e no Brasil.
Rocha é autor dos livros “Regência, uma arte complexa” (2004), e “As Nove Sinfonias de Beethoven – uma Análise Estrutural” (2013). Diplomou alunos de Regência na Escola de Música da UFMG, mantendo hoje, no Rio de Janeiro, classes particulares de regência sinfônica e ópera, sendo ainda professor em cursos livres de extensão, como os da Pós-Graduação da Faculdade de São Bento, da Pós-Graduação do Conservatório Brasileiro de Música, do Centro Cultural Justiça Federal, Curso Baukurs e outros, tendo artigos publicados em português e alemão.

Nikolay Sapoundjiev – Violino
Nasceu na cidade de Plovdiv, Bulgária. Começou os seus estudos de violino com 6 anos de idade com Maria Naneva e com 9 fez o seu primeiro recital solo na própria cidade Natal. No ano seguinte, entrou para a Escola Especial de Música “Dobrin Petkov” e no mesmo ano foi escolhido como um dos 12 alunos do famoso violinista Mincho Munchev.
Até então, já havia vencido o Concurso Nacional das Escolas de Artes por três anos consecutivos. Com 13 anos de idade, tornou-se o membro mais jovem da Orquestra Jovem de Câmara de Plovdiv, da qual mais tarde se tornou spalla. Atuou como solista dessa orquestra em turnês na Alemanha e Áustria. Com a Orquestra de Câmara da Escola Especial de Música, apresentou-se como solista na Noruega, Bélgica, e também fez gravações para TV e a Rádio Nacional Búlgara. Em 1993, tornou-se spalla da Colegium Musicum Plovdiv, atuando em festivais e concertos pelo país. Ao terminar a Escola Especial de Música, foi solista da Filarmônica de Plovdiv e logo depois foi aceito na Academia Nacional de Música “Pancho Vladuiguerov” na cidade de Sófia, Bulgária.  Lá, estudou com a profa Eugenia Maria Popova, discípula do grande Leonid Koga.
Em 1997, com 20 anos de idade, foi aceito na Amazonas Filarmônica, onde iniciou a sua carreira no Brasil. No ano seguinte, foi convidado a ser professor de violino no Liceu de Artes e Ofícios “Cláudio Santoro”, onde mais tarde tornou-se Coordenador do Núcleo de Música. Participou na criação da Orquestra Experimental Amazonas Filarmônica, da qual foi monitor-spalla.
Em 2005, assumiu o posto de spalla da Orquestra de Câmara do Amazonas. Em 2008, foi spalla da Orquestra do festival Ex Toto Corde na cidade de São Paulo, onde colaborou com o mundialmente famoso violinista Shlomo Mintz, com quem teve aulas no mesmo festival. Desde 2010, é violinista da Orquestra Sinfônica Brasileira e reside no Rio de Janeiro. Faz parte do grupo Corda, especializado na música de Astor Piazzolla; do Quarteto Françaix; e da Orquestra Bachiana Brasileira.
SERVIÇO

A Transfiguração Musical no Século XX – Schönberg, Stravinsky, Arvo Pärt
Orquestra Bachiana Brasileira – Ricardo Rocha, direção e regência
Solista: Nikolay Sapoundjiev, violino

 Dia 20 de maio, sábado, às 20h

Sala Cecília Meireles
 (Largo da Lapa, 47, Centro – RJ – (21) 2332-9223 / 2332-9224)

Ingressos a R$ 20 (idosos e estudantes) e R$ 40 na bilheteria ou no site Ingresso.com.

FONTE: http://www.movimento.com/2017/05/orquestra-bachiana-brasileira-realiza-concerto-inedito-na-sala/

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